O carro deslizou devagar pelo caminho de terra, e cada pedra que rangia sob os pneus parecia marcar o retorno à realidade. O sol, já baixo no horizonte, tingia a paisagem de um dourado melancólico. Mas, dentro do carro, havia outro tipo de calor: denso, íntimove carregado da lembrança do que tinham vivido. Maya ainda sentia o corpo sensível, cada toque de Miguel gravado na pele como um segredo que ninguém poderia descobrir. O silêncio entre eles não era vazio… era pesado. Um silêncio que falava mais do que qualquer conversa. Ao estacionar diante da varanda, Miguel viu Gustavo encostado no batente, os braços cruzados, a postura reta de quem esperava há tempo demais. O olhar dele era calculado, quase impaciente, como se já tivesse ensaiado o que iria dizer. — Precisamos conversar sobre a

