A mesa do café estava posta com fartura. Pão caseiro, manteiga derretendo, café fresco, bolo de fubá ainda fumegante. E faísca no ar. Não da lenha do fogão. Mas dos olhares. Maya mastigava devagar, fingindo que não sentia Miguel sentado à frente, com os olhos nela como quem devorava mais que o pão. Foi então que Dona Lurdes, a cozinheira de mãos abençoadas e língua solta, soltou a pérola com um sorriso travesso nos lábios: — Olha… do jeito que vocês dois vivem soltando faísca, não dou um ano pra ter neném a caminho. Maya quase engasgou. Miguel? Miguel apenas sorriu. Lento. Lascivo. Perigoso. — Um ano é muito — ele disse, com a voz rouca, sem tirar os olhos dela. — Com o fogo que a gente carrega… seis meses já seria milagre. Maya olhou para ele, sem saber se queria rir, xingar

