O corredor do hospital parecia infinito, com luzes frias piscando no teto e um cheiro cortante de éter e desinfetante queimando as narinas. Christopher caminhava ao lado da maca, cada passo ecoando como um golpe seco dentro do peito. O coração não batia, martelava, pesado e urgente, como se quisesse arrebentar o osso esterno para sair. Joana estava imóvel, o rosto branco demais contra o lençol, como se toda a cor tivesse sido drenada junto com o sangue que ainda manchava os cabelos. Um corte profundo na lateral da cabeça, a pele inchada, o canto da boca com um filete seco de vermelho. Cada detalhe era uma faca atravessando a memória dele. O som agudo do monitor cardíaco parecia zombar de sua impotência. Bip. Bip. Bip. Ele quis agarrar aquela máquina e gritar para que fosse mais ráp

