Miguel passou a manhã encaixotando papéis, canetas e pequenos objetos para levar ao novo escritório. O cheiro da madeira recém-envernizada se misturava ao perfume doce e inconfundível de Maya, que parecia impregnar cada canto daquela casa… e dele. Ele gostava desse cheiro. Gostava da sensação de pertencimento que aquele aroma trazia, como se ela estivesse sempre perto. Ou, pelo menos, achava que gostava. Quando abriu a última gaveta da antiga escrivaninha, encontrou uma pasta marrom, sem etiqueta, jogada no fundo como algo esquecido ou escondido. Seu peito se contraiu. A curiosidade, misturada a um desconforto súbito, fez seus dedos deslizarem sobre o papel áspero. Ele puxou a pasta e a colocou sobre a mesa, hesitando por um segundo antes de abrir. O mundo pareceu inclinar-se. Logo

