O sol filtrava-se pelas cortinas de linho, tingindo a cozinha com um tom dourado que parecia pintado à mão. O aroma do café recém-passado se misturava ao de pão quentinho, e cada respiração era um convite para desacelerar. Miguel, de bermuda de algodão e camisa aberta, ainda estava com os pés descalços, sentindo o frio leve do piso de pedra. Ele ia abrir a geladeira quando ouviu o som inconfundível dos passos dela, leves, mas cheios de presença. Maya surgiu no vão da porta com um vestido de tecido fino, solto, e o cabelo preso de qualquer jeito, como se tivesse acordado bonita sem esforço. — Bom dia… — disse, encostando-se na bancada com um meio sorriso que parecia saber exatamente o efeito que causava nele. Miguel ergueu o olhar e, sem pensar, foi até ela. As mãos encontraram a curva

