Jéssica narrando Eu não vou mentir, quando a doutora assinou minha alta e disse que o Borges já podia ir embora, eu senti um alívio tão grande que parecia que finalmente consegui respirar direito depois de dias prendendo o ar. Eu sabia que ele ainda estava longe de estar cem por cento. A cirurgia tinha sido complicada, ele precisava ficar de repouso, tomar os remédios certinho e seguir todas as orientações médicas. Mas pelo menos ele estava vivo. Estava ali comigo. E isso já era mais do que eu tinha pedido a Deus naquela madrugada. Ajudei ele a organizar as coisas enquanto a doutora explicava mais uma vez os cuidados que ele precisava ter. — Nada de esforço físico — ela repetiu. Como se o Borges fosse ouvir. Eu já conhecia aquela cara dele. Aquela expressão de quem estava concorda

