Palavras Não Ditadas

1255 Words
O laboratório estava silencioso, exceto pelo zumbido constante dos monitores e ventiladores. Lívia se apoiava no vidro da cela de Kaelith, o tablet esquecido ao lado. Ela não anotava nada agora; simplesmente observava. Kaelith permaneceu imóvel por alguns minutos, seus olhos grandes e profundos acompanhando cada gesto dela. E então, quase imperceptivelmente, ele levantou a mão e encostou os dedos na superfície do vidro, como se quisesse tocar a dela. Lívia arregalou os olhos e recuou levemente, surpresa. — Você… está tentando se comunicar? — murmurou, com uma mistura de espanto e fascínio. “Isso não é… normal.” Kaelith inclinou a cabeça de forma sutil, quase como um sorriso. Não havia palavras, mas havia intenção. — Ok… vou tentar entender você também — disse ela, sorrindo baixinho. “Mas vai ser complicado, hein?” Enquanto isso, em Elythera, Aelira corria pelos jardins brilhantes do palácio, observando pequenas luzes que dançavam ao seu redor. Ela apertava a esfera de cristal contra o peito, sentindo a ausência do pai mais do que nunca. — Pai… você está longe demais — murmurou, com a voz quase um sussurro. “Volte logo.” A esfera pulsou suavemente, como se respondesse a ela. Kaelith não podia falar com ela agora, mas mesmo a distância, o vínculo entre pai e filha permanecia forte. De volta à Terra, Lívia sentou-se no chão, cruzando as pernas, e começou a falar mais alto, quase como se quisesse ensinar Kaelith. — Tudo bem, vamos tentar… não estou te estudando agora. Só quero entender você — disse, rindo levemente de sua própria estranheza. Kaelith inclinou a cabeça novamente, observando cada palavra. Ele podia entender perfeitamente, mas ainda não podia responder. No entanto, algo dentro dele mudou: havia confiança nela. Em um gesto silencioso, ele tocou novamente o vidro, desta vez de forma mais firme. Lívia piscou, percebendo que ele tentava criar uma conexão. Ela sorriu, colocando a mão sobre a dele, mas separando o vidro entre eles. — Olha só… estamos nos entendendo, mesmo sem palavras — disse, quase sussurrando. O tempo passou lentamente, preenchido por pequenos gestos e olhares. A química entre os dois crescia, silenciosa e intensa. Kaelith compreendia cada emoção, cada hesitação, cada curiosidade dela. E Lívia, por sua vez, sentia-se cada vez mais atraída e fascinada por aquele ser que parecia tão distante e, ao mesmo tempo, tão próximo. E enquanto o laboratório permanecia silencioso, Aelira, em Elythera, continuava segurando a esfera de cristal contra o peito, sentindo que o pai estava próximo, mesmo que ela não pudesse vê-lo. Um dia, ele voltaria. Um dia, tudo faria sentido. O laboratório estava silencioso, exceto pelo som suave dos monitores. Lívia permaneceu próxima à cela, cruzando os braços sobre o vidro e observando Kaelith com atenção. Ele continuava imóvel, mas havia algo diferente: pequenos movimentos sutis, gestos quase imperceptíveis que demonstravam curiosidade e interesse. Ela sorriu, sem perceber que seu coração acelerava com cada olhar. — Ok, Kaelith… vamos tentar de novo — disse ela em tom leve, como se falasse com um animal de estimação. “Não me leve a m*l, mas você é estranho demais.” Kaelith inclinou a cabeça, quase como se estivesse rindo de forma silenciosa. Era a primeira vez que Lívia sentiu que ele tentava brincar com ela, mesmo sem palavras. Enquanto isso, em Elythera, Aelira caminhava pelos corredores do palácio, observando as estrelas refletidas nas fontes luminosas. Ela segurava a esfera de cristal contra o peito, sentindo o pai tão distante e tão presente ao mesmo tempo. — Papai… você está seguro? — sussurrou. “Eu sei que está, mas queria que estivesse aqui.” A esfera pulsou suavemente, quase como se Kaelith tivesse ouvido. Um fio de conexão entre mundos mantinha a filha ligada a ele, mesmo através do espaço e do tempo. De volta à Terra, Lívia decidiu tentar algo ousado. Ela colocou a mão sobre o vidro, exatamente na altura da mão de Kaelith. Por um instante, ele hesitou — então tocou o vidro na mesma posição, como se tentasse estabelecer contato. — Oh… você está tentando se comunicar comigo! — exclamou Lívia, rindo baixinho. “Ok, isso é incrível e um pouco assustador ao mesmo tempo.” Kaelith inclinou a cabeça novamente. Não podia falar, mas cada gesto transmitia algo: compreensão, interesse e até proteção. — Você é mais complexo do que qualquer relatório poderia mostrar — murmurou Lívia. “E eu ainda quero descobrir tudo sobre você.” O tempo passou lentamente, preenchido por pequenos gestos, olhares e risadas silenciosas. Kaelith compreendia cada emoção de Lívia, cada hesitação, cada curiosidade. Ela, por sua vez, sentia que havia algo mais nele, algo profundo e inteligente, que transcendia a aparência de “criatura de laboratório”. E enquanto o dia se aproximava do fim, Aelira em Elythera apertava a esfera de cristal contra o peito, sentindo que o pai estava mais perto do que qualquer um poderia imaginar. Um dia, eles estariam juntos novamente. O laboratório estava imerso em silêncio, quebrado apenas pelo zumbido constante das máquinas e pelo leve som de ventilação. Lívia permanecia sentada no chão, encostada na parede próxima à cela, o tablet esquecido ao lado. Ela não precisava escrever agora; estava concentrada apenas em observar e sentir. Kaelith inclinou a cabeça de leve e, pela primeira vez, moveu-se de forma mais deliberada. Aproximou-se do vidro e manteve os olhos fixos nos dela, analisando cada expressão, cada movimento. — Eu acho que… você está tentando me entender — disse Lívia baixinho, sorrindo sem perceber. “Isso é loucura. Mas eu gosto disso.” Ele respondeu com um gesto simples: tocou o vidro no mesmo ponto que ela. Pequeno, mas intencional. Um gesto silencioso de reconhecimento e confiança. Lívia riu baixinho. — Ok, Kaelith. Acho que estamos fazendo progresso — disse, ainda sorrindo. “Mas não pense que vou te deixar escapar desse jeito. Ainda quero descobrir tudo sobre você.” Enquanto isso, em Elythera, Aelira caminhava pelo jardim iluminado por cristais flutuantes. A esfera de cristal pulsava suavemente em suas mãos, sincronizando com o coração da menina. — Papai… você está seguro? — murmurou ela, apertando a esfera contra o peito. “Eu sei que você está, mas sinto tanto a sua falta…” Mesmo a milhares de anos-luz, o vínculo entre pai e filha permanecia firme. Kaelith, mesmo preso na Terra, sentia a presença de Aelira de maneira quase física. Um laço que nem tempo nem espaço poderiam quebrar. De volta à Terra, Lívia começou a perceber pequenas nuances nos gestos de Kaelith. Cada inclinação de cabeça, cada olhar atento, cada gesto silencioso parecia transmitir mensagens. Ele aprendia sobre ela, mas também permitia que ela aprendesse sobre ele, de forma gradual. — Você é… complexo demais — murmurou Lívia. “Não só pelo que vejo, mas pelo que sinto quando está perto.” Kaelith inclinou a cabeça novamente, como se dissesse: Sim, e você também é complexa para mim. O tempo passava lentamente, e cada momento juntos criava algo que não podia ser registrado em relatórios ou gráficos: uma conexão genuína, silenciosa, mas profunda. Enquanto a noite se aproximava, Aelira em Elythera olhava para as estrelas, sentindo o pai em cada pulsar da esfera de cristal. Ela sabia que um dia ele voltaria para casa. E quando isso acontecesse, nada poderia separá-los novamente. Kaelith, do outro lado do universo, observava Lívia. Ele ainda não podia falar, mas entendia cada emoção, cada palavra não dita. E, silenciosamente, prometeu: um dia tudo seria explicado, e ela saberia quem ele realmente é.
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