O laboratório estava mergulhado em uma quietude quase confortável. Lívia permanecia sentada próxima à cela, os cotovelos apoiados nos joelhos, observando Kaelith com atenção. Ele permanecia imóvel por alguns minutos, mas seus olhos grandes e profundos acompanhavam cada gesto dela.
De repente, um pequeno ruído metálico chamou a atenção de Lívia. Um dos equipamentos ao lado do compartimento caiu levemente no chão, provocando um estalo. Ela se virou rapidamente, mas Kaelith, quase instintivamente, se inclinou e tocou levemente o vidro, como se estivesse garantindo que nada a atingisse.
— Ok… você está me protegendo de novo — murmurou ela, surpresa. “E eu nem lhe fiz nada ainda!”
Kaelith inclinou a cabeça levemente, um gesto que parecia um sorriso silencioso. Ele não podia falar, mas o gesto dizia tudo: confiança e cuidado.
Lívia riu baixinho, colocando a mão no vidro.
— Sério… isso é incrível. Um alienígena que me protege e ainda não pode falar. Que mundo é esse? — disse, divertida.
Enquanto isso, em Elythera, Aelira brincava nos jardins com pequenas luzes flutuantes ao redor dela. A esfera de cristal em suas mãos pulsava suavemente, transmitindo a presença do pai a cada batida de coração da menina.
— Papai… sinto sua falta — murmurou, apertando a esfera. “Mas sei que você está me observando. Volte logo.”
A conexão entre pai e filha permanecia firme, mesmo a milhares de anos-luz. Kaelith sentia o vínculo com Aelira de maneira profunda, e mesmo preso em um laboratório na Terra, sabia que precisava protegê-la a todo custo.
De volta à Terra, Lívia decidiu tentar algo novo.
— Vamos brincar de… adivinhação? — disse ela, sorrindo, como se falasse com uma criança. “Eu faço uma pergunta e você tenta me responder com gestos, ok?”
Kaelith inclinou a cabeça, atento, como se estivesse interessado na proposta. Ele ainda não podia falar, mas seu olhar demonstrava curiosidade e aceitação.
— Primeiro: você gosta de… comida humana? — perguntou Lívia, rindo de si mesma.
Kaelith moveu a cabeça levemente em um gesto que podia ser interpretado como “sim”. Lívia soltou uma risada baixa.
— Ok, isso é muito melhor do que eu esperava — disse, com um brilho nos olhos. “Talvez a gente consiga se entender… devagar, mas vai dar certo.”
O tempo passou lentamente, preenchido por pequenos gestos, risadas e olhares silenciosos. Lívia começou a perceber que cada movimento dele, cada inclinação de cabeça, cada toque no vidro, carregava intenção, cuidado e curiosidade genuína.
E enquanto a noite caía na Terra, Aelira em Elythera apertava a esfera de cristal, sentindo a presença do pai. Kaelith, do outro lado do universo, observava Lívia. Ele ainda não podia falar, mas cada gesto, cada olhar, dizia: “Eu estou aqui. Confie em mim.”
O laboratório estava calmo, exceto pelo zumbido constante das máquinas e pelo leve estalo de equipamentos ajustando-se. Lívia permanecia próxima à cela de Kaelith, cruzando os braços sobre o vidro e observando-o atentamente.
Ele não se movia muito, mas seus olhos negros e profundos acompanhavam cada gesto dela. Pequenos movimentos sutis, uma inclinação de cabeça, o toque delicado dos dedos no vidro — tudo parecia uma dança silenciosa entre eles.
— Ok… você realmente gosta de me desafiar, não é? — disse Lívia, sorrindo. “Eu falo com você e você me responde só com gestos. Isso é frustrante e fascinante ao mesmo tempo.”
Kaelith inclinou a cabeça de leve, quase como se tivesse entendido o humor por trás das palavras. Um brilho sutil em seus olhos fez Lívia corar levemente.
— Eu acho que estamos nos entendendo melhor hoje — murmurou ela, rindo baixinho.
Enquanto isso, em Elythera, Aelira caminhava pelos jardins iluminados por cristais flutuantes. Ela segurava a esfera de cristal com força, sentindo o pai a milhares de anos-luz.
— Papai… — murmurou, quase em segredo. “Espero que você esteja seguro. Eu sei que vai voltar para mim.”
A esfera pulsou suavemente, como se respondesse a ela. O vínculo entre pai e filha era forte, imutável, e mesmo na distância, Aelira sentia a presença de Kaelith como se estivesse ali, protegendo-a com cuidado.
De volta à Terra, Lívia decidiu tentar algo mais ousado. Ela aproximou a mão do vidro, e Kaelith respondeu tocando o mesmo ponto, mas desta vez com mais firmeza. Um gesto simples, mas carregado de significado e confiança.
— Uau… você está ficando cada vez melhor nisso — disse Lívia, sorrindo e inclinando-se levemente. “Quase parece que estamos realmente conversando.”
Ele inclinou a cabeça de novo, um gesto silencioso que poderia ser interpretado como aprovação.
Lívia riu baixinho, um som suave e caloroso que ecoou pelo laboratório.
— Sabe, Kaelith… se você continuar assim, vou acabar gostando ainda mais de você — disse, quase em sussurro.
Ele moveu os dedos no vidro em um gesto delicado, quase como se estivesse respondendo: Eu também.
O tempo passou lentamente. Cada olhar, cada gesto, cada toque silencioso criava uma conexão que ia além da linguagem. Lívia começava a perceber que não se tratava apenas de curiosidade científica — havia algo mais profundo, algo que ela sentia crescer a cada momento.
E em Elythera, Aelira segurava a esfera contra o peito, fechando os olhos. Ela podia sentir o pai, mesmo distante, observando e protegendo. Um dia, todos estariam juntos novamente. E nesse dia, nada os separaria.
O laboratório estava silencioso, mas carregava um ar de tensão. Hoje, os técnicos haviam programado novos testes nos sensores e nos reflexos de Kaelith. Lívia sabia que isso poderia deixá-lo inquieto, mas não havia escolha — era parte do protocolo.
Ela se aproximou do vidro, observando atentamente cada gesto do alienígena. Kaelith permanecia imóvel, mas os olhos negros brilhavam com atenção e análise, cada movimento dela sendo registrado em sua mente de forma precisa.
— Pronto para mais um teste? — murmurou Lívia, tentando quebrar a formalidade. “Não se preocupe, prometo que não vai doer.”
Kaelith inclinou a cabeça levemente. Ele podia entender tudo que ela dizia. Mas ainda não podia falar.
O primeiro teste começou. Sensores emitiram pequenas luzes e sons, projetados para medir reação. Kaelith, no entanto, não se moveu imediatamente. Observava, aprendendo.
— Uau… ele realmente sabe que não é uma ameaça — sussurrou Lívia, impressionada. “E ainda assim, parece curioso.”
Quando uma luz piscou muito perto de sua mão, Kaelith tocou o vidro, impedindo que ela se aproximasse demais do equipamento. Um gesto simples, mas que falava mais do que qualquer palavra: ele estava cuidando dela.
Lívia engoliu em seco e riu baixinho.
— Ok, ok… eu entendi, você se importa comigo — disse, com os olhos brilhando.
Enquanto isso, em Elythera, Aelira brincava no jardim com a esfera de cristal pulsando suavemente. Ela sabia que algo acontecia com o pai.
— Papai… você está ocupado? — perguntou baixinho, apertando a esfera. “Espero que nada de r**m aconteça.”
Kaelith sentia o vínculo com a filha mesmo do outro lado do universo. Cada gesto seu no laboratório, cada cuidado silencioso com Lívia, também refletia o instinto de proteção que sentia por Aelira.
De volta à Terra, os testes continuavam. Kaelith observava tudo, aprendendo rapidamente. Em um momento, ele estendeu a mão contra o vidro novamente, desta vez tocando a palma da mão de Lívia com mais firmeza.
— Você está tentando me dizer algo? — perguntou ela, surpresa. “Acho que estamos nos entendendo melhor do que eu esperava.”
O gesto dele transmitia confiança e paciência, como se dissesse: Eu estou com você, mesmo que você não saiba de tudo ainda.
Lívia sorriu, sentindo uma onda de ternura.
— Sério, Kaelith… eu nunca imaginei que pudesse me sentir assim por… bem, você sabe… um alienígena de laboratório — disse, baixinho, com um toque de humor.
Kaelith inclinou a cabeça de novo, quase como se estivesse rindo com ela.
O dia terminou lentamente, com o laboratório mergulhado em silêncio e os dois separados apenas pelo vidro. Cada gesto, cada olhar, cada toque transmitia algo que nenhuma palavra poderia explicar.
E em Elythera, Aelira segurava a esfera de cristal contra o peito, sentindo que o pai estava seguro, mas também próximo de uma conexão inesperada com outro ser — alguém que cuidava dele tanto quanto ele cuidava da filha.