Epilogo
Beatrice
Entrei no quarto ao seu lado, após a festa de casamento em um dos salões mais nobres da cidade, estava com um pouco de medo, afinal, seria nossa primeira noite de casados, sua imponente presença fazendo as minhas costas queimarem pelo seu olhar.
Em um momento, parei na frente da cama e de repente estava no chão com suas mãos envolvendo o cabelo trançado, senti os fios sendo arrancados ao ser puxada pelo quarto, sem ter a oportunidade de ficar em pé outra vez, fui arrastada rasgando o vestido nos joelhos para logo ser jogada sobre a cama como uma boneca.
A sua voz grave soando pelas paredes do quarto fazendo a minha mente enlouquecer ao tentar entender o que poderia ter feito para atrair sua ira.
— Tenho um presente de casamento para você esposa — O modo carinhoso como afagou a minha bochecha, deixando-me sentada ali.
Fiquei sentindo o corpo trêmulo e tentei acompanhar os movimentos rápidos pelo quarto, notando as bagagens colocadas próximas a um enorme sofá.
Quando o seu olhar se voltou na minha direção, os olhos azuis brilharam como a manhã de um céu ensolarado, causando uma pontada de alívio, esperança. Desfazendo nossa distância ao se colocar entre as minhas pernas, suas mãos vieram sobre a minha bochecha de uma maneira carinhosa, enxugando o caminho percorrido pelas lágrimas. Sua voz saindo suavemente, como uma carícia.
— Xiiiuuuu princesa, prometo tentar não machucar — Notei que seus olhos brilharam.
— Você já me machucou marido — respondi em um sussurro, buscando alguma gota de coragem, pois aquela era a verdade.
— Se você não tivesse ficado o casamento todo olhando um dos De Angelis isso não aconteceria.
A confusão tomou conta da minha mente, suas palavras e ações atraíram um filme em minha cabeça, em busca de lembrar, tive a consciência de que não olhei para ninguém além dele trajando um terno cinza salientando seus olhos azuis como o mar, o sorriso perfeito causando sensações estranhas em meu peito.
Era permitido apenas observar e idolatrar meu marido, compreendi isso cedo o suficiente.
Fui acordada dos devaneios ao sentir sua mão esquerda apertando o meu pescoço roubando o ar.
— Não tente negar, amore mio, eu vi — Falou aproximando seu rosto, lambeu a minha bochecha e disse no meu ouvido — E por isso vou te castigar, para aprender a ser uma boa esposa.
O toque bruto das suas mãos que rasgam cada parte do vestido, fazendo restar apenas a pequena lingerie, atraindo a atenção dos seus olhos, brilhando como se tivesse a desembrulhar um presente.
— Era isso que queria dar ao De Angelis, esposa? — Balancei a cabeça negando.
— Só tive olhos para você a noite toda, marido — Falei exasperada sentindo o nó na barriga crescer.
— Se continuar mentindo o castigo vai piorar — Soltei um soluço sem saber o que fazer — Sente-se com as pernas para fora da cama.
Obedecia às suas ordens, sentindo o medo se grudar em cada canto do meu coração.
— Isso é o que esposas desobedientes ganham — Ele havia pegado algo numa mala no canto do quarto e quando abriu as mãos tinha uma bola vermelha e uma tira de couro.
Acariciando minha bochecha, beijando minha testa, ele se abaixou ficando da altura dos meus olhos.
— Lembre-se, esposa, isso é culpa sua. — Suas mãos vieram com a tira fechando no meu pescoço.
Em um aperto forte arrancando o ar dos pulmões sinto que estou prestes a ser enforcada, tento apoiar as minhas mãos nos seus braços em busca de diminuir o aperto que interrompe o fluxo de ar, sem nenhum efeito sobre o corpo com o triplo de força, mesmo com as unhas se enfiando na pele exposta pelo tecido erguido até os cotovelos ele se mantém firme, impassível aumentando ainda mais o meu desespero.
Sua mão pressiona o meu queixo me obrigando a abrir a boca para dar espaço a bola vermelha, fazendo a saliva se acumular inibindo todas as minhas palavras, ele fecha a engenhoca por trás dos cabelos agora emaranhados. Estou perdida.
Em um movimento rápido sou virada de costas sem nenhum cuidado.
Escuto um som metálico reverberando mais alto sobre os lamentos que escapam da minha garganta, logo sou puxada para trás pelo pescoço, tento agarrar a cama, mas nada parece ter o poder de fazê-lo parar. Fui jogada no chão e presa por algemas no pé de madeira da cama, sentindo como se fosse um bicho, ele segurou minha nuca obrigando a levantar o rosto e cuspiu.
Fiquei inerte vendo-o tirando as próprias roupas, chutando quando puxou minhas pernas e sentindo como uma boneca ao ser virada de costas com suas pernas afastando meus joelhos, os punhos se ferindo pelas algemas e a coleira cortando a respiração, senti minha própria saliva escorrendo pelos cantos da boca.
Ele será um bom marido, é só uma crise de ciúme.
Gritei algo indecifrável quando a dor da penetração se enraizou da ponta dos pés até os cabelos serem arrancados por ele, senti como se meu corpo se rasgasse ao meio. Stefano não esperou, só tomou. E quando terminou pensei que não poderia fazer algo pior.
Minhas pernas doloridas m*l se sustentam, quando me apoiou de joelhos e as chicotadas começaram roubando o pouco de ar que ainda tinha. Ele me tomou outra vez ao final das trinta chicotadas.
Em algum momento perdi a consciência, acordei na cama orando para ser apenas um pesadelo, até entrar no banheiro e ver os cortes na minha pele, o sangue seco entre as coxas e os punhos roxos.
Antes mesmo de começar a chorar, a porta do banheiro se abriu e lá estava os olhos furiosos do meu marido.
— Não feche a porta para mim, ouviu — Balancei a cabeça incapaz de falar.