Um novo começo
Me ajude, eu me perdi de novo
Mas eu me lembro de você
Não volte, isso não vai acabar bem
Mas eu gostaria que você me dissesse para voltar
Nosso amor está a sete palmos abaixo da terra
Eu não posso deixar de me perguntar
Se o nosso túmulo fosse regado pela chuva
Rosas floresceram?
Poderiam rosas florescer
Novamente? - Six Feet Under - Billie Eilish
Minha cabeça parece pesar uma tonelada, sentindo uma dificuldade terrível tentando abrir os olhos com o corpo pesado trazendo de volta as memórias da última semana, o espancamento, o aborto, a fome e finalmente o prazer em ver seus olhos se abrindo asssustados ficando furiosos ao descobrir que seria seu algoz.
O gosto saboroso da sua morte cobrindo cada uma das dúvidas e dos temores, fazendo com que o monstro alimentado por tantos anos finalmente se libertasse, tomando lugar ao sol, desejando expor a façanha para o mundo do mesmo jeito que deseja mais sangue.
O medo assola, será que alguém descobriu?
Meus irmãos estariam mortos agora?
Bianca onde está?
Finalmente - Fui respondida pela voz doce e então abri os olhos.
Bianca, minha irmã gêmea com os cabelos tão loiros quantos os meus, e os olhos escuros herdados de nossa mãe brilhando no local com uma iluminação amarelada sem conseguir esconder a beleza dela.
Eu te amo, e amo mais ainda por ter tido a brilhante ideia de morrer - Sua gargalhada repercutiu pelo lugar.
E finalmente sentindo algo batendo, percebi as lágrimas escorrendo pelas bochechas.
Nós conseguimos? - Suspirei com o peito pesando, com uma letargia para falar talvez um efeito da droga.
Respirando fundo querendo ter alguma notícia dos três bobos, os únicos homens que agora tenho certeza que sempre me amaram.
Ainda não - A voz de Frank soou grave fazendo virar o rosto
O local parece ser um pequeno apartamento, o teto meio mofado, Frank sentado em uma poltrona ao lado da cama entendeu as perguntas silenciosas.
Seus irmãos precisam derrubar os Sartori para que possamos respirar em paz - Sua declaração, fez com que as memórias atingissem a minha mente rapidamente.
Precisamos ajudá-los de alguma forma, não vou suportar saber que morreram pelo meu egoísmo.
Sim, meu egoísmo afinal foi para isso que nasci para servir ao meu marido e ainda falhei.
Bianca pareceu entender a aflição, apoiando a mão na minha bochecha esquerda.
Não sei como posso ajudar, até dois dias atrás era apenas uma esposa troféu - Ela suspirou - Sim, eu sei você ficou um dia a mais apagada, quase enlouqueci achando que poderia ter morrido.
O carinho da sua mão atingiu uma parte sensível o que deveria ser um hematoma do soco.
As duas podem começar a ajudar se trocassem de rosto - Frank bufou - O problema é se descobrirem o plano então vão nos pegar aqui, fora isso as duas podem ficar vivendo aqui.
O plano do soldado não pareceu agradar minha irmã, nem é meu objetivo.
Preciso achar uma forma de fazer com que os De Angelis se voltem contra Don Sartori, as duas maiores famílias vão se matar abrindo espaço para a tradicional família Costello,agora reduzida a três membros.
Bianca comparecia a todas as festas, enquanto só ia às festas quando Stefano declarava que tinha tido um bom comportamento, ela deve saber das moças solteiras que podem fechar acordos ao se casarem com nossos irmãos.
É o destino delas e honestamente não me sinto um pouco culpada, como Jack havia falado Eles seguem as regras da família, honrar as esposas.
Meus irmãos não seriam como Riina ou Sartori, eles seriam o futuro da família e esse pensamento arrancou um sorriso do meu rosto dolorido.
Bianca observou como se quisesse descobrir meus pensamentos, mas não fiz questão de escondê-los.
Preciso de tinta preta, azul uma tesoura e uma tinta rosa também- Frank ergueu a sobrancelha - Vamos precisar de novos documentos, talvez Jack já tenha providenciado.
Frank bufou como se tivesse tendo um colapso nervoso.
Bianca e eu estávamos esperando que o homem caísse duro no chão, mas ele apenas se levantou e exasperou.
Ah Beatrice Costello não é possível que não saiba - Ele falou como se fosse óbvio- Vamos jogar em panos frios já que estamos no mesmo barco.
Acenei com a cabeça enquanto ele se acalmava sentando de volta na poltrona, coloquei os pés para fora da cama observando o papel de parede desgastado e uma pequena janela ao lado.
O que você e Bianca têm de beleza seus irmão tem de músculos, a família Costello deveria ter concorrido ao menos a cadeira de Consiglieri e nem ao menos isso seu pai antes de morrer tentou fazer. - ele parou numa dramaticidade impressionante- Porque não queria manchar o nome da família com a inteligência dos seus irmãos.
E foi nesse ponto que Frank me ganhou, o soldado arrancou uma gargalhada quase infinita com sua sinceridade, senti os olhos lacrimejando de tanto rir e as bochechas doendo. Bianca parece estar se desesperando por descobrir que nossos irmãos são burros,só que isso não é novidade nenhuma.
Oura, se Giacomo tivesse um pingo de inteligência não teria me casado com Sartori e sim com De Angelis teria sido mais lucrativo para o comércio de cocaína dos Costello se unir a uma família que tem grande poder de distribuição.
O soldado como minha irmã parecia estático com a crise de risos.
Outra Frank, isso eu sei. - Falei tentando controlar a respiração, limpando as lágrimas que escorriam - Você acha mesmo que quando Giácomo se ofereceu para matar Stefano, minha linda beleza já não teria planejado tudo?!
Continuei rindo e percebendo que os tolos não entenderam, uma mulher sempre desacreditada, a voz não era ouvida e sua presença descartada na frente dos negócios.
Eles não esperam que uma mulher seja capaz de ser a mente, o que eles não sabem é que nós mulheres agimos como cobras esperando o momento para o bote. Meu marido que queime com força no inferno acreditava nisso piamente e agora está mortinho, que pena não é mesmo.
E o meu momento finalmente chegou.
Ora, ninguém espera nada de uma esposa ou de uma p**a como meu falecido marido gostava de chamar- Respirei fundo pensando em como explicaria de uma forma simples tudo que aconteceu naquele porão quando meu irmão me encontrou.
Vi um copo de água na cabeceira ao lado e tomei, usando a água para organizar os pensamentos pensando calmamente no que posso falar nesse momento, em como as peças vão começar a se mover ao nosso favor.
Giacomo queria ir atrás de Sartori com a desculpa de que ele havia desonrado a esposa, mas sejamos convenientes esse tipo de punição só é dada com apoio do Don - Respirei fundo - Além disso, não me livraria dele. Continuaria sendo mantida em cárcere ou talvez pior.
Passei a mão pelos cabelos e Bianca me ofereceu uma presilha que aceitei de bom grado visto o calor no cômodo abafado.
Beatrice, o que você fez?
Entendi minha irmã, em alguns dias havia me tornado outra pessoa. Acolhido uma parte que só existia nos meus mais belos sonhos, e neles Stefano morria.
Sorri com o pensamento.
Planejei, organizei e estripei meu marido- O sorriso só aumentou com a lembrança das vísceras caindo pelo chão.
Os rostos espantados observando o pequeno monstro que Stefano alimentou nesses anos só deram a certeza de quem Beatrice Costello Sartori morreu, não havia culpa na minha face porque nunca haveria um pingo de arrependimento dentro do que sobrou, do que ele deixou com seus malditos olhos azuis manipuladores.
Enfim, enquanto Giacomo tentava me convencer de que ele deveria matar Stefano, fiz o plano. - Parei sem ligar para suas expressões, vi o silêncio como um incentivo a continuar - Jack já deve ter providenciado os documentos porque foi isso que ordenei a ele e o motivo de ainda não estar aqui, pode ser por ter que incluir mais uma leva de documentos falsos que não estava planejado.
Encarei Frank que absorveu as informações mais rápido do que Bianca.
Uou - Ele exclamou - Quais as ordens senhora?
Ignorei o tom sarcástico caminhando até a janela que ambienta um dos bairros mais esquecidos de Fort George. O apartamento de Hunter deveria ser para realizar negócios com os que queriam fornecer as drogas, o melhor lugar para se esconder sempre seria embaixo do nariz dos homens e perto o suficiente para cortar suas gargantas.
Primeiro Bianca, arranje um papel e uma caneta faça uma ordem das solteiras e de quais famílias elas pertencem, se para viver minha liberdade meus irmãos precisaram ganhar suas algemas será isso que eles irão fazer - O soldado pareceu descrente - Essa vai ser a forma como eles irão pagar por me ignorarem nos últimos sete anos Frank.
Exclamei visando como serão nossos passos até eles subirem dentro da família.
Acho justo, eles nunca te escutaram e agora obedecem ou vão para a vala, porque é isso que vai acontecer se Don Sartori descobrir isso.
Bianca voltou para o quarto com um bloco amassado, e uma caneta aos pedaços.
Era o que tinha - se justificou.
Giacomo é um homem de confiança para o Don, vamos explorar essa brecha para que ele ceda algumas terras em forma de recompensar a lealdade em meio ao luto.
Sabe que aquele velho é como uma raposa.
E eu sou uma cobra muito venenosa Frank, e sabe como uma cobra consegue engolir uma raposa?.
Ele sorriu concordando e minha irmã parecia perdida no meio da conversa até que voltou a escrever no pequeno bloco.
No geral e o que os dois precisam saber de imediato, vamos incriminar os De Angelis. São as duas maiores famílias com as maiores posses, jogando um contra os outros Don Sartori irá começar uma caça às bruxas dentro da família.
Enquanto ele se ocupa nós ganhamos tempo - Frank complementou.
Mas como vamos fazer isso? - Sorri para a Bianca.
A família Sartori só tinha um herdeiro, Stefano e graças ao mesmo, o Don não tem nenhum neto para tentar ocupar a cadeira daqui a alguns anos.
Isso abre espaço para que a segunda maior família com herdeiros iniciados tentem ocupar a vaga..
Minha irmã alternava os olhares tentando assimilar o que falávamos.
Na família mantemos os amigos próximos e os inimigos mais próximos ainda, os maiores beneficiados com a morte de Stefano seriam os irmãos De Angelis.- Observei alguns viciados no beco apressados em consumir suas drogas -Nós os Costello não teríamos nada a ganhar com a morte dele e com a nossa morte, é como se nossos irmãos perdessem suas forças.
Então nós estamos atrapalhando Beatrice.
O soldado riu enquanto observava minha inocente irmã.
Bianca, pense nisso como voltar uma casa antes do xeque-mate.
Concordei silenciosamente com o soldado sabendo que havia sido uma boa escolha trazê-lo.
Sai de perto da janela que dava ao beco e abri a porta, observando o pequeno apartamento gasto e cheio de mofo, um sofá no centro da sala tão sujo quanto o chão.
Hmmmfffff, cinco dias e ele não pensou em fazer uma limpeza .
Rolei os olhos imaginando como Bianca ficaria feliz em usar o cartão de um dos nossos irmãos indiscriminadamente.
Mas para isso precisaria esperar Hunter, ele é o único que pode vir até esse lado de Nova York sem levantar suspeitas.
Caminhei pela sala acabada, e entrando em uma pequena cozinha abri a geladeira e pelo menos nisso os três haviam pensado.
A comida ali daria para pelo menos uma semana, seria o tempo suficiente para providenciar os documentos que faltavam e para diminuir o ‘luto’ deles.
Beatrice todos os nomes estão aqui.
Ótimo,jogue o bloco nessa bancada e vamos dar um jeito nessa porcaria - Suspirei batendo a porta da geladeira.
Como vamos dar um jeito? - Ela me encarou desconfiada - Ninguém pode saber que estamos vivas, não posso chamar a Antonella .
O riso de Frank encheu o cômodo.
Espero que você comece a se acostumar a não ter empregadas Bianca - Minha irmã parecia estar em choque enquanto o soldado se divertia às suas costas.
Você também, soldado, pare de rir das descobertas que minha irmã faz sobre a pobreza e pegue um balde para ajudar.
Ele atravessou a sala e ao passar por mim indo em direção à uma pequena porta no final da cozinha. Soltou o óbvio
Sabe que ela não vai ser muito útil nessa limpeza né - Ele revirou os olhos - Olha o desespero,tá me dando pena.
Sorri dispensando o homem com a mão, Bianca teria que se acostumar a nova vida era isso ou a morte.
E eu preferia mil vezes uma vida longe da família, livre de Stefano do que continuar fingindo ser uma esposa feliz e amada, só o pensamento fez a bile subir pela minha garganta.
Sabia que Bianca saberia fazer poucas coisas, então a coloquei para fazer o que era mais útil. Uma lista de produtos que precisaríamos morando ali, Frank pareceu aliviado quando a carranca da minha irmã se desfez.
Com dois baldes, alguns frascos de água sanitária e uma vassoura cinco horas depois tínhamos terminado de limpar tudo.
A vida me concedeu a clemência de ter uma máquina de lavar velha mas funcionando na pequena área de serviço, já o sofá iria pro lixo de todo jeito.
Tentei entender que horas eram e qual era o dia, dois dias apagada significava quarta-feira.
É madrugada de quinta já- Frank respondeu os pensamentos silenciosos - Vou tomar banho primeiro.
Ele apenas avisou e saiu em direção ao quarto com banheiro, Bianca pareceu finalmente ter terminado a lista. Devia ter algum item informando “compre um novo apartamento”.
Segurei o riso indo para a cozinha e guardando o balde no pequeno armário embaixo da pia.
Não sei cozinhar - Olhei para minha irmã que parecia a ponto de quebrar pela pequena declaração.
Apesar de ter sido criada como uma boneca aprendi algumas pequenas coisas com a babá que cuidava de nós, e Stefano me obrigava a limpar a casa e fazer a comida, sempre cuspindo na minha cara o quanto estava r**m e longe de ser uma comida decente para um homem do seu status. Tentando não me prender ao passado a consolei.
Veja só então vai ter tempo para tentar aprender - Pisquei o olho em sua direção vendo sua expressão mudar- Mas não agora, só quando estivermos prontos para repor as compras no mercantil.
Sua risada encheu a pequena cozinha, aproveitei lavando as minhas mãos na pia.
Beatrice, obrigada - Seu olhar gentil, atiçou minha curiosidade.
Quer conversar sobre você e o Riina, nunca me disse nada - Soltei.
Não quero falar sobre isso - Seus olhos perderam a vida - Além disso você também nunca me disse nada.
Desculpe, não quis que soasse como uma acusação. - Suspirei - É só que..
Quando nos distanciamos tanto ao ponto de não enxergar a dor da outra - Ela me interrompeu e concordei.
O silêncio pairou sobre nós duas, quando as duas melhores amigas haviam se separado tanto. Bianca sempre foi outra metade, sua positividade sobretudo completava minha racionalidade, nossos momentos infantis sempre alegres pela sua disposição para fazer alguma coisa fora do padrão, o tempo todo procurando uma forma de arrancar sorrisos de cada um em casa.
Acho que se tenho tempo para aprender a cozinhar, então temos tempo para remediar isso - Cortando o silêncio ela me arrancou um sorriso - Preciso ser útil em algo, que seja cozinhando ao menos.
Ri de sua empolgação, sua esperança de resolver tudo encheu meu peito de determinação, comecei isso iria terminar. Precisava resolver, meus três patetas precisam de ajuda e minha borboleta precisa de ajuda para aprender a voar.Primeiro eles, depois pensaria em como tentar sobreviver aqui fora.
Então acho que devo começar ensinando minha irmã a fazer ovos fritos.
Você sabe fazer? - Ela arregalou os olhos como se tivesse ganhado um prêmio.
Sim Bianca , eu sei cozinhar. - Lembrei das surras que levei cada vez que Stefano não gostou da minha comida, os pensamentos sendo interrompidos por uma Bianca saltitante me abraçando.
Nós não vamos morrer de fome - Encarei minha irmã com os olhos lacrimejando e pela primeira vez desde que casei, senti algo parecido com felicidade.-Posso te perguntar algo?
Ainda sorrindo, concordei esperando a brilhante pergunta.
Como fez um dos soldados do Sartori se aliar a nós? - Apontou na direção do quarto.
Senti a tensão subir pela espinha, não era um segredo meu para contar.
Não posso te contar isso.
Tudo bem- Ela parecia curiosa mas não perguntou novamente - Agora vamos, como você consegue quebrar os ovos dentro da frigideira?
Encarei Bianca e comecei a rir, quando Frank reapareceu com o cabelo molhado e começou a escutar as indagações da minha irmã sobre como cozinhar foi inevitável segurar as risadas.
E assim, o dia amanheceu aos poucos pela janela da sala, Bianca saiu para tomar um banho antes de comer.
E o olhar de Frank me encontrou.
Escutei ela perguntando e você não disse - Não era uma pergunta pelo menos entendi como uma afirmação.
Não é um segredo meu para contar - Coloquei os ovos em cada prato com uma fatia de pão em cada.
Obrigada - Levantei a cabeça para o soldado - Se fosse qualquer outra esposa, teria entregado. - Ele parecia buscar as palavras - E você guardou como se fosse um segredo seu quando poderia ter trocado isso por alguma piedade de Stefano, minha lealdade é sua Beatrice.
Ele não sabia o que era isso - Dei de ombros.
Acenei com a cabeça para que começasse a comer sem esperar minha irmã, pelo menos tinha a certeza de que teria um aliado confiável.
Me apoiei na bancada que agora limpa, colocando café e agradecendo o fato de poder comer.
Quando Bianca voltou com uma roupa diferente ergui a sobrancelha curiosa.
Acordei e a mala estava lá no canto do quarto, acho que deve ter alguma roupa que caiba em você - ela deu de ombros - Praticamente acordei com vocês dois me espremendo naquela cama, então é minha vez de dormir lá.
Balancei a cabeça imaginando a cena, Frank revirou os olhos comendo.
Quando terminei deixei ele encarregado de ensinar Bianca a lavar a louça e fui para o quarto achando a mala no canto bagunçada, típico dela.
Achei uma calça moletom e uma camiseta, ficaria sem calcinha mas tinha um sutiã.
Dentro do banheiro pequeno, havia um espelho desgastado sobre uma pequena pia, senti que deveria estar podre depois de passar tanto tempo com a mesma roupa, virei de costas vendo os locais que antes estavam sujos de sangue agora pretos se grudando a sujeira da casa.
Me livrei da roupa usada jogando no pequeno cesto, não havia salvação para esse baby doll. O cabelo emaranhado precisaria de um jeito, mas só havia um vidro minúsculo de sabonete líquido e quando entrei embaixo do chuveiro torci para que o sabonete não estivesse vencido.
A água escorreu suja, quase arranquei a própria pele tentando apagar os últimos dias com Stefano, tentando apagar sua boca da minha carne. Quando senti que era o suficiente, saí do chuveiro, esperando o corpo escorrer a água já que não tinha uma toalha.
Observei pelo espelho as marcas que ficariam visíveis com a camiseta, pretendendo acrescentar a lista de Bianca, jaquetas e blusas de manga longa, apesar de não querer esquecer o passado, ver o resultado dos últimos anos ainda foi doloroso.
Cada cicatriz representando uma parte arrancada, um detalhe que não faria questão de apagar de remover, talvez sendo masoquista por não querer apagar a dor, essas marcas só são mais um motivo para continuar, para lembrar que tudo isso não é apenas para manter meus irmãos vivos ou pela minha liberdade.
Mas também pela oportunidade de finalmente ter vingança, por mim e pelos meus filhos perdidos.