Capítulo 5

1929 Words
Samira Comecei a abrir os olhos sentindo minhas pálpebras pesadas. Senti vontade de bocejar devido ao sono forte, mas não consegui. Ouvi de longe o barulho de uma coisa apitando, mas meus olhos estavam pesados demais para abri-los. Senti uma coisa em meus lábios e uma respiração quente que agitou meu corpo por dentro. _ Você será minha, inteiramente minha. De corpo, e em breve de alma também, minha linda rosa. A voz não se parecia nada com a de Gabriel, era muito mais rouca e máscula, mas as palavras ficaram ecoando na minha mente até que apaguei mais uma vez. _ Ei meu amor... Abri meus olhos aos poucos, e quando finalmente me adaptei a claridade consegui enxergar ao meu lado, com o rosto inchado e olhos vermelhos de choro Gabriel. Então a voz que ouvi era dele? Bom, isso não interessa mais. _ Quanto tempo eu dormi? Foi a única coisa que eu quis perguntar porque me lembro perfeitamente de tudo que aconteceu antes do mundo inteiro ficar escuro. Lembro-me da traição de Gabriel, do meu sentimento de desespero e também do moço gentil, mas estranho, que me ajudou e depois me protegeu do tiroteio que aconteceu do nada! _ Dois dias Sá, dois longos dias! Achei que ia perder você... Disse ele com a voz embargada. Vi uma lágrima escorregar de seus olhos, mas ele a limpou rapidamente. Tentei me sentar mas meu corpo estava muito pesado. Olhei em volta e um sentimento estranho tomou conta do meu peito, fazendo meu coração acelerar. Parecia um pressentimento, uma coisa meio ruim... na verdade, eu sentia que era algo que eu não conseguiria lidar. É tão estranho essa suposição, mas é o que eu estou sentindo. _ Ei amor, fique calma... estou aqui com você, vou cuidar de você Samira, eu prometo! Disse Gabriel. A voz dele começou a me deixar mais nervosa porque me senti sem rumo, já não encontrava mais conforto no homem ao meu lado, muito pelo contrário, sentia que ele era apenas mais um estranho. _ Eu não quero seus cuidados, quero que você fique longe de mim Gabriel, só isso! _ Como assim? Por que? Sá, você não pode ficar sozinha, sabemos que você precisa de mim. Para com isso! Disse ele tentando incessantemente agarrar meu braço. Um médico entrou no quarto e sorriu ao me ver acordada. _ Que bom que a senhorita acordou. Pensei que fosse dormir mais um pouco. _ Doutor, o que aconteceu? Perguntei sentindo meu abdômen dolorido. Ele deu um sorriso compreensivo e puxou o lençol, revelando uma roupa de hospital e um curativo grande. _ Você levou um tiro, mas não atingiu nenhum órgão, porém perdeu muito sangue então precisa descansar para ficar cem por cento recuperada. _ Meu Deus... você sabe se o moço que estava comigo ficou bem? Ele ergueu uma sobrancelha e quando fui dizer o nome do rapaz ele deu uma leve arregalada de olhos, como se me dissesse “ah sim!”. _ Sim, o senhor Akbaba está em perfeito estado de saúde. Ele deixou você aqui e ficou até que seu esposo chegasse. Olhei para Gabriel que sorriu pra mim. Senti meu estomago embrulhar e sem chance nenhuma de segurar, vomitei o pouco liquido que havia em minha barriga direto na camiseta do meu ex-namorado que reconheci por ser a peça mais cara que havia em seu roupeiro. _ p***a SAMIRA! Gritou ele irritado. O doutor veio e pegou no meu braço me colocando deitada novamente com o rosto para cima. Com uma gaze ele limpou minha boca delicadamente enquanto Gabriel bufava de raiva e tentava se limpar. Eu realmente não fiz por querer, mas convenhamos que ele mereceu! _ Calma, a senhorita precisa ficar calma. _ Tira ele daqui, por favor... Falei entre algumas lágrimas que escorriam dos meus olhos. O doutor apenas acenou positivo e educadamente convidou o homem a se retirar do quarto. Gabriel não pensou duas vezes e saiu dizendo que iria para casa lavar a camiseta porque não queria que manchasse. Quando ele finalmente saiu respirei aliviada. _ Seu marido é meio problemático. Disse o doutor enquanto retirava o curativo da minha barriga. _ Somos brasileiros, lá nós chamamos pessoas como o Gabriel de idiotas! Falei enquanto sorria, tentando não demonstrar o desconforto que estava sentindo ao vê-lo mexendo na minha ferida. _ Pois bem, então ele é um i****a. Tive que pedir diversas vezes que não segurasse sua mão enfaixada, mas esse homem parece meio s***o! Olhei para a minha mão e lembrei do porque tinha um corte nela. A traição dói, e dói muito! _ Voltarei para o Brasil, dessa forma vou me livrar dele. Falei um pouco triste. O doutor parou o que estava fazendo e me encarou profundamente. _ Senhora, devo lhe dizer que não pode deixar Ancara. _ Eu vou esperar me recuperar doutor, aí poderei voltar. Eu sei que provavelmente deve ter algum protocolo médico que me impeça de realizar uma viagem longa de avião, então sei que terei de esperar. _ Não, não é por esse motivo. Agora a senhora pertence a... Ele parou o que estava falando e ficou em silêncio, quando ia questiona-lo ouvi passos na porta. _ Asaf! Falei sorrindo. O homem sorriu de volta e se aproximou. O doutor terminou tão rápido o curativo que eu m*l pude acompanha-lo. _ Como ela está doutor? Perguntou Asaf enquanto olhava fixamente para o machucado em minha barriga. Por sorte estou com uma calça de pijama do hospital e não aqueles vestidinhos que as pessoas tem que usar. _ A senhora Samira está bem, porém tivemos que usar mais de uma bolsa de sangue, então os cuidados nestas próximas semanas devem ser redobradas. Sem esforço físico, sem estresse e muito repouso! Disse o doutor enquanto intercalava entre olhar para ele e pra mim com seriedade. _ Ótimo, sei que ela vai seguir à risca as recomendações. O doutor acenou e saiu do quarto, nos deixando sozinhos. Asaf sentou na beirada da cama e sorriu mais uma vez pra mim. _ Obrigado por ter me ajudado Asaf, por um segundo achei que iria morrer. _ Aquela bala não era para você e sim pra mim. Eu devo a minha vida a você Samira, é uma mulher corajosa e honrada. _ Não tomei esse tiro porque eu quis Asaf, então não precisa me dizer essas palavras bonitas, inclusive sou um pouco covarde. Falei enquanto ria. _ Você não me parece covarde, foi aquele b****a que disse isso a você? A forma como ele se referiu a Gabriel me incomodou um pouco, mesmo sabendo que é verdade. Preferi não responder o óbvio. _ O que pretende fazer agora Samira? _ Bom, acho que vou engolir um pouco a traição do meu marido e tentar me recuperar logo para voltar ao Brasil logo. _ Vai voltar para a casa dele? _ Sim, não tenho outra opção Asaf. Ele ficou em silencio durante um tempo como se estivesse pensando. _ Eu tenho uma dívida de vida com você, então acho que posso ajuda-la com isso. _ Como? _ Você realmente quer voltar para o Brasil? _ Não! _ Então, venha para a minha casa e trabalhe para mim! Olhei pra ele com uma cara de espanto, será que ele quer que eu ... _ Preciso de uma governanta. Alguém que comande com punhos de ferro a minha mansão. Você parece uma mulher de palavra forte! Disse ele enquanto segurava minha mão. Eu não consigo enxergar em Asaf algum tipo de intensão s****l, e sim um homem que olha para mim com carinho, algo que eu não sei como surgiu. _ Mas eu não conheço você, como posso morar em sua casa? _ Tem a casa dos empregados, você pode ficar lá durante um tempo, mas depois vou pedir que vá para a nossa casa na ala dos funcionários que temos também, vou precisar que você coloque tudo no lugar. Nossa última governanta não deu muito certo, então as coisas estão meio desorganizadas. _ Parece uma boa proposta... _ A remuneração será boa, eu prometo. Peço que aceite Samira, e você poderá sair a hora que quiser. Essa última frase dele pareceu meio duvidosa já que seu olho esquerdo tremeu um pouco. _ Ok... eu aceito. Mas... preciso me recuperar primeiro, então quando estiver bem entrarei em contato com você. _ Não! Você vai agora. Não pode ficar nem mais um minuto em posse daquele homem, ele parece terrivelmente descuidado com você e pode matá-la. _ Que? A preocupação e desespero dele me deixaram desconfiada. Acho que Asaf é meio exagerado. _ Samira, aquele homem é um b****a. Ele esteve aqui e deixou você sozinha diversas vezes para ir pra casa, ou ficava agarrando em sua mão ferida e se debruçava em cima do seu ferimento na barriga. _ Oh... ele só é meio distraído. Asaf revirou os olhos e foi engraçado. _ Eu vou me cuidar, e quando me sentir melhor irei entrar em contato com você. Asaf não pareceu curtir muito a ideia, mas apenas concordou. Conversamos mais um tempo e fiquei impressionada com a inteligência dele. Asaf é muito mais do que os olhos podem ver. Fechei meus olhos respirando fundo e lembrei de algo... lembrei do que aconteceu com um dos homens que atirou contra nós em frente a boate. Lembrei do choque que foi ver um dos seguranças de Asaf executando-o. Massageei minhas têmporas com a c***l dúvida do que deveria fazer. Não é algo que eu possa simplesmente ignorar, eles mataram um homem! _Talvez não seja uma boa ideia aceitar essa proposta. Murmurei para mim mesma enquanto olhava para o teto. Entrei no apartamento mancando. A dor já estava dando boas vindas e definitivamente preciso concordar com Asaf, Gabriel ainda vai me m***r. Ele é extremamente descuidado e diversas vezes agarrou no meu ferimento, fazendo-me gritar. Eu nunca tinha percebido essa falta de consideração dele, mas parece que um coração partido te faz enxergar coisas que você nunca enxergou antes. Acho que o ditado que diz “o amor é cego” condiz perfeitamente com a minha situação atual. Quando finalmente sentei no sofá respirei aliviada. _ Caramba Sá, você está tão pesada... Olhei para Gabriel que estava ofegante. Como se não bastasse a humilhação de ter que retornar para casa, ainda tenho que escutar que estou pesada? Poxa, as coisas só melhoram. Preferi ficar em total silencio e me concentrei em tentar não sentir tanta dor, como se fosse possível. Peguei meu celular e verifiquei se alguém havia me encaminhado alguma mensagem, mas nada. Depois que viemos para Ancara todas as minhas amigas cortaram contato comigo. Na verdade, quando ainda estava no Brasil eu já não tinha muito tempo para sair e nem respirar sem Gabriel ao meu lado, depois que vim pra cá tudo gira em torno de nós dois. Ele levantou e foi para a cozinha. Senti meu corpo pesado e muito sono. Rastejei até o quarto e deitei, sentindo muita dor. _ Vai deitar na nossa cama sem banho? Perguntou Gabriel quando entrou no quarto. _ Estou com dor. Murmurei enquanto me esticava. _ Poxa Sá, no hospital tem vários tipos de infecção, é f**a você deitar na nossa cama suja desse jeito. Eu não tinha forças para discutir e tentei controlar a respiração. A dor estava tão forte que comecei a perder meus sentidos novamente, porém, no canto do quarto havia uma mulher estranha, mas que senti ser familiar. Será que é alucinação da minha mente devido ao grau de dor ?
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