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NATASHA: A Prostituta Do Dono Do Morro

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Três irmãs de coração. Um diretor endividado. E um pacto de sangue selado no submundo.

Natasha e suas amigas achavam que o orfanato era o único refúgio que tinham após serem abandonadas por suas famílias. Elas estavam erradas. Quando a estrutura faliu, o ganancioso Senhor Otávio viu nas garotas a moeda de troca perfeita para pagar suas próprias dívidas: vendeu-as sem piedade para o Chateaux Lounge, o bordel mais luxuoso e c***l da zona sul do Rio de Janeiro.

Presa a um contrato de exploração de um milhão de reais com a implacável Mama Antonieta, Natasha passou anos limpando o chão e sendo preparada para o dia que mudaria sua vida: a noite de sua defloração, onde seu corpo seria leiloado pelo maior lance.

Ela esperava um empresário nojento ou um gringo ricaço. Mas quem cruzou a porta do Quarto X foi o próprio dono do morro.

Ele atende pelo vulgo de Capone, batizado em homenagem ao gângster mais c***l da história da humanidade. Um homem moreno, imenso, de olhos verdes cortantes e coberto de tatuagens, que comanda o crime com o cano do fuzil quente. Ele não queria romance. Ele queria apenas usar o corpo da garota para saciar uma fixação que o perseguia há meses pelas ruelas.

Mas o choro desolado e a pureza de Natasha desarmam a brutalidade do chefe do Comando. A obsessão sai do controle. Quando Capone a vê sendo cobiçada por outros homens no salão, o sangue sobe. Ele invade a gerência, joga o dinheiro na mesa e exige um contrato de exclusividade de seis meses.

Natasha agora pertence ao dono do morro. Ela vai subir a favela com ele. E no território de Capone, as regras são ditadas pela posse, pelo perigo e por um desejo que consome tudo o que toca.

O PRIMEIRO LIVRO DA SÉRIE : GAROTAS DA NOITE

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Vendida Como Mercadoria
POV NATASHA – 4 ANOS ANTES — Pelo amor de Deus, seu Otávio, não faz isso com a gente. Eu limpo esse lugar todo de joelhos todos os dias, trabalho fora, faço o que o senhor quiser, mas não abandona a gente. Minha voz saiu rasgada. Senti as palmas das minhas mãos suarem frio enquanto eu me arrastava pelo chão de cimento do escritório, segurando a barra da calça dele com tanta força que as articulações dos meus dedos ficaram brancas. Atrás de mim, a Jade, com só onze anos, soluçava alto, agarrada na cintura da Safira, que tremia inteira. Meu coração martelava forte contra as minhas costelas, o ar sumindo do peito. O seu Otávio soltou um estalo com a língua e puxou a perna com força. O impulso tirou o meu equilíbrio, jogando o meu corpo para a frente, e apoiei as mãos espalmadas no chão áspero. Ele limpou o suor da testa com as costas da mão e me encarou. — Garota, engole esse choro e pega a visão. Acabou o caô. A prefeitura cortou o patrocínio do orfanato, eu estou entupido de dívida até o pescoço e o banco vai tomar tudo. Se eu não fizer esse corre agora, eu vou ser preso na semana que vem. Vocês três dão uma despesa absurda. — Mas a gente não tem para onde ir, seu Otávio — minha garganta arranhou. — Então agradece, Natasha. Porque se não fosse por mim, vocês iam estar dormindo na calçada agora mermo, pegando chuva, passando fome no relento e correndo risco de vazar com algum covarde na covardia. Pelo menos para onde vocês vão, vão ter um teto e comida no prato. Anda, pega as mochilas e entra no carro. O trajeto até a zona sul foi um sufoco silencioso. Minhas mãos não paravam de tremer enquanto eu apertava os dedos da Safira. O Rio de Janeiro passava rápido do lado de fora dos vidros escuros do carro antigo do diretor. Deixamos os bairros mais simples para trás até o veículo parar nos fundos de um casarão imponente, escondido por muros altos e câmeras de segurança. Uma placa discreta na fachada indicava o nome do lugar: Chateaux Lounge. — Bem-vindas ao novo lar — ele disse, abaixando o vidro do motorista. — O maior e mais exclusivo bordel da cidade, onde os homens mais ricos e famosos gastam fortunas escondidos do resto do mundo. Descemos do carro com as pernas bambas, todas três abraçadas, carregando uma única mochila com as nossas poucas coisas. Assim que a porta dos fundos se abriu, o cheiro forte de perfume misturado com bebida fina invadiu as minhas narinas, provocando um enjoo imediato. Uma mulher alta, de postura impecável e cabelos pretos perfeitamente alinhados, estava parada na penumbra do corredor nos esperando. Ela segurava um leque de tecido escuro na mão, abanando-se devagar. O seu Otávio deu um passo à frente, empurrando a mim e a Safira pelos ombros. — Estão aqui, Antonieta. Estas são as suas novas garotas. A Mama Antonieta fechou o leque com um estalo seco que ecoou no ar. Meu corpo inteiro deu um sobressalto. Ela deu dois passos lentos na nossa direção, o salto alto estalando contra o piso de mármore, e parou bem na minha frente. Um arrepio gelado subiu pela minha espinha. Com os dedos frios e cheios de anéis de ouro, ela puxou o meu queixo para cima, me obrigando a encarar seus olhos. O olhar dela desceu pelo meu pescoço, parando na linha da minha clavícula. — Essa aqui é um pouco gordinha, mas tem traços bonitos. Vai servir muito bem quando chegar a hora. Mama Antonieta soltou o meu queixo e deu um passo para o lado, avaliando a Safira, que encolheu os ombros de medo. — E essa tem olhos verdes expressivos, o tipo que os clientes adoram. O olhar da madame caiu sobre a Jade, que tentava se esconder atrás da Safira. O rosto da Antonieta mudou na mesma hora, as sobrancelhas se juntando em uma linha rígida. Ela bateu o leque fechado contra a palma da mão. — O que é isso, Otávio? Esta miúda aí não tem condições. Ela é muito nova, uma criança. Eu não aceito criança aqui dentro da minha casa de jeito nenhum. Isso dá um problema absurdo com a polícia e com os caras do comando do morro se descobrirem. Leva embora. — Não. Pelo amor de Deus, madame, não joga a minha irmã na rua. Eu faço o trabalho de duas, eu aguento, faço o que precisa, mas não separa a gente — meu estômago contraiu em um espasmo e dei um passo à frente, desesperada. Mama Antonieta me olhou de cima a baixo. A voz dela saiu mansa, educada, mas fria: — Deixa de ser boba, garota. É muito melhor para ela não ficar nesse lugar aqui. Este ambiente não é para uma criança desse tamanho. O seu Otávio deu um passo rápido e segurou a Jade pelo braço com força, arrastando-a de volta para a porta da saída. — Não, irmã, por favor... — a voz da Jade saiu espremida, aguda. — Por favor, por favor — implorei, sentindo as lágrimas molharem o meu rosto, embaçando a minha visão. — Não se preocupe, vou arrumar uma casa de apoio para ela, ela ficará bem — Otávio disse enquanto a puxava. Num impulso, corri até ela. A abracei com força, cravando meus lábios no topo da cabeça dela num beijo demorado, sentindo o cheiro do cabelo dela. — Eu vou te achar, eu prometo — disse a ela, apertando seu corpo pequeno contra o meu com toda a força dos meus braços.

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