Estávamos nós quatro na casa do Hoseok aquela tarde. A gente costumava se reunir aqui algumas vezes, após as aulas, mas dessa vez tinha um elemento surpresa. A irmã mais velha do Hoseok tinha comprado cerveja pra gente. Ela não era um tipo muito irresponsável para dar álcool ao seu irmão e aos amigos dele, mas ela tinha cometido um deslize e o garoto achou que essa seria uma boa maneira de vender seu silêncio.
Os pais do Hoseok não eram muito rígidos, na realidade eles quase nunca estavam em casa, mas eles não gostavam que seus filhos passassem a noite fora sem avisar. E foi exatamente isso que a garota fez, ela chegou em casa super tarde e cheirando a álcool — mesmo que ela fosse uma jovem adulta, a casa tinha regras, se ela desejava quebrá-las, devia ser mais cautelosa — e seu irmão prometeu não lhe dedurar, caso ela fizesse um favor a ele. Ele nunca disse o que seria, mas acabou que ele também queria se rebelar.
Durante a tarde, sua casa era completamente livre de adultos. Seus pais trabalhavam até depois do horário de jantar e sua irmã passava o dia na faculdade. O que nos dava uma ótima oportunidade de fazermos o que quiséssemos e agora nós queríamos beber um pouco.
Começamos a degustar a primeira cerveja, enquanto conversávamos sobre todo tipo de coisa. Hoseok e Taehyung costumavam ficar ainda mais melosos quando tinham álcool no sangue. Embora fosse de uma maneira um pouco mais sexy, já que Taehyung ficava bem atrevido — fosse em suas falas ou em seus toques — e isso deixava seu namorado corado.
— Yoongi, qual seu critério? — Taehyung falou de repente, mudando o assunto que estava em quem conseguia lamber o cotovelo para um que nem entendia exatamente.
O olhei confuso e meio tonto. Eu já estava na minha terceira lata, até as minhas bochechas já estavam coradas, pela falta de costume.
— De que, Tae?
Deitei a cabeça no ombro do Jungkook, mantendo o olhar atento para o meu entrevistador, e ele começou a fazer cafuné nos meus cabelos.
— Pra caras, Yoongi, qual o seu critério? — falou cansado por ter que se explicar e de repente seu rosto se tornou muito expressivo. — Eu penso nisso às vezes, mas nunca consigo chegar em uma resposta.
— E porque, p***a, você pensa nisso? Está interessado, é? Segura teu homem, Hoseok. — ri, dando um gole grande na minha cerveja.
— Ai, deixa de ser b***a, cara. É que, pensa comigo, você namorava Jimin, agora está pegando o Jin. Eles são muito diferentes. Eu nem consigo imaginar como vai ser o próximo cara que você vai ficar a fim. Eles são bem diferentes do que eu imaginava. — ele me lançou um sorriso sugestivo, que apenas eu entenderia.
O encarei meio incomodado, pelo rumo da conversa e porque eu não queria falar sobre Jimin…
— Eu gostava do Jimin. — me forcei a falar. — Foi por isso que namoramos por um ano e meio. Não tinha critério algum.
— Então, agora tem? — insistiu, ao perceber a conjugação da minha frase.
— Tem. — respondi chateado. Não com Taehyung, mas com o caos que minha vida amorosa era. — Eu só me dou m*l quando me apaixono por alguém, por isso agora eu só me importo se o cara é bonito e fode gostoso. Não quero nada sério e, olha só, todos sabemos que o Jin é super gato e pelo que eu experimentei hoje, ele deve mandar muito bem transando também. — mostrei o dedo do meio pra ele. — Agora para de puxar assunto i****a.
Hoseok segurou o rosto do namorado e o beijou, nos fazendo uma imenso favor, porque só assim para ele calar a boca. Só que já era tarde demais, eu já estava chateado e pensando em coisas que não deveria. Me levantei e fui para a cozinha, desejando um tempo sozinho. Me encostei na pia e encarei o chão que se movia tranquilamente. Eu me sentia meio zonzo e completamente melancólico.
Porra, eu odiava ter que pensar em Jimin quando bebia, porque eu ficava louco para ligar pra ele e isso sempe acabava da mesma forma, com ele na minha cama. Depois cada um seguia pro seu lado, fingindo que nada tinha acontecido, só que tinha e isso só tornava ainda mais difícil superar nosso fim.
— Aaah… — suspirei, cedendo a minha fraqueza.
Mesmo sabendo como tudo seria, ainda assim, peguei meu celular e fiquei encarando seu número. Bati o pé impacientemente e meus pensamentos tentavam me convencer de que aquilo não era um erro e, sim, uma oportunidade de estar com ele de novo. É, ao menos eu poderia revê-lo com a desculpa de que estava bêbado… Me assustei com Jungkook tomando o celular da minha mão. Ele encarou a tela e depois a mim.
— Se você ligar, vai se arrepender depois.
— Devolve. — pedi chateado.
Eu odiava quando ele contrariava assim a minha vontade, porque Jungkook estava sempre certo e de todas as pessoas do mundo, ele era aquela que sempre queria o meu bem.
— Yoonie, lembra o que me disse no caminho até aqui? — seus olhos negros se aprofundaram nos meus, quase como se ele pudesse despir minha alma. — Você disse que se te desse vontade de ligar pra ele, eu devia te impedir.
Estalei a língua e encarei Jungkook, que guardava meu celular no seu bolso. Não era com ele que eu estava chateado, na real, eu estava frustrado com os meus sentimentos.
— Eu ainda gosto dele… Um pouco. — mostrei um certo orgulho.
— Eu sei. Taehyung não devia ter tocado no assunto, mas não leva ele a sério. Esse garoto sempre fala um monte de bobagem e ele bebeu mais do que devia.
Dei de ombros. Não queria atribuir a culpa do meu mau humor apenas aos deslizes do Kim.
— O problema é que tudo me lembra ele. Você sabe, antes ele vinha para cá também e passava as tarde com a gente. Nossas conversas bobas, as brincadeiras, ele sempre estava no meio e agora fica um vazio.
Jungkook passou a mão pelo meu rosto e arrastou até os meus cabelos, fechei os olhos, sentindo seu toque. Eu devia estar fazendo uma expressão horrível, para ele me olhar com tanto pesar.
— Mas nós ainda estamos aqui. — sorriu gentilmente, aquecendo meu coração.
— Eu sei. — retribuí o sorriso.
Ele era sempre tão bom em dizer a coisa certa. Afinal, Jimin tinha sido meu namorado e agora ele não fazia mais parte da minha vida. No entanto, os meus amigos sempre estariam ao meu lado.
Ele aproximou seu corpo do meu e me abraçou. Eu adorava como Jungkook era tão zeloso. Ele nunca me puxava contra ele, ele sempre se aproximava sutilmente e me consumia em seu calor confortável. O apertei contra mim, me afundando em seu peito largo e no cheiro suave que sua roupa tinha. Jungkook e eu sempre fomos amigos e para mim ele era a pessoa mais especial do mundo. Ele estava sempre comigo, nos momentos bons, nos ruins e naqueles que não eram nem bons, nem ruins.
— Vamos voltar para sala. — disse, de repente.
Agitei minha cabeça, ainda com o rosto afundado em seu peito.
— Não, fica aqui comigo. — não o deixei acabar nosso abraço tão cedo. — Eu gosto do seu cheiro, ele me acalma e eu quero muito dar um soco no Taehyung. — ri.
Ele também sorriu e seus braços não me ajudaram a nos prender ali, naquele pequeno espaço, onde só cabia nós dois.