CAPÍTULO 1

1746 Words
Algumas horas antes… Deixo meu prédio cinza de excelente humor. Simplesmente maravilhoso e, além disso, é potencializado pelo tempo, sendo um poderoso catalisador. Ontem à tarde foi um momento de merda. Uau! Estava nevando, o frio penetrava nos ossos, o vento assobiava… O último mês de inverno nos afetou. Ontem mesmo ele teve suas convulsões agonizantes. Mas hoje… O panorama que pisca diante dos meus olhos é completamente diferente. Sim, a temperatura lá fora não excede zero graus, porque as poças sob meus pés rangem como um tampão defeituoso e a neve não parece ter qualquer intenção de derreter. Mas, mesmo assim, a primavera já é respirada neste ar congelado. Os pássaros cantam e o sol brilha intensamente… Levanto a cabeça em direção ao céu claro. Eu aperto os olhos. A estrela que mantém todo o nosso sistema solar próximo me cega com seus raios e queima meu cabelo. Sim! Isso literalmente ateia fogo! Vejo no reflexo do vidro do meu veículo antigo, mas confiável, como o meu cabelo solto queima. Sorrio de satisfação. Eu gosto. Na minha opinião, a ruiva combina bem comigo. Com esta cor, tornei-me muito mais marcante e interessante. Hum… Por que não me ocorreu mudar minha imagem mais cedo? O mais engraçado é que passei a vida tingindo o cabelo de todo mundo, mas eu… Bem, graças a Deus que, aos vinte e seis anos de vida frenética, decidi mudar alguma coisa… Oh, como sou pequena… Uma mudança radical. O evento do ano… Pfff… É como naqueles vídeos nos quais as pessoas contam o quão emocionantes suas vidas são: negócios de sucesso, casamentos, filhos, viagens incríveis e muitas outras coisas que são como… E na cena seguinte, uma menina aparece mastigando um pepino e dizendo que lavou o cabelo. Esse é todo o seu grande evento. Bom, no meu caso, a mudança é um pouco mais perceptível: eu me tingi. Quem sabe, talvez de agora em diante minha vida também se torne um pouco mais colorida. Porque ultimamente tudo tem sido tão cinzento e chato: do trabalho para casa e de casa para o trabalho. Mas chega de bobagens... Você tem que ir trabalhar. Eu dou um passo. O telefone vibra no bolso do meu casaco. Tiro-o e vejo uma mensagem da Tina. Meu bom humor desaparece um pouco. Lembro-me dos problemas da minha amiga... Sinto muito por ela. Ela tem uma situação tão complicada... que o próprio d***o quebrava os chifres e as patas tentando entendê-la e, além disso, acabava marcando uma consulta com o psicólogo. Toco na tela e leio a mensagem: — Estou no banco, tenho que atualizar meus dados ou meus cartões serão bloqueados. Caso alguém pergunte, chegarei depois das 12:00. — Ok — Eu escrevo para você. Depois, guardei meu telefone e aqueci o carro por cinco minutos; hoje ele demorou muito para ligar. O motor terá alguma coisa? Não faço ideia... Assim que o interior esquenta e o motor está pronto para a viagem, vou trabalhar. E na estrada... Esta é uma verdadeira pista de patinação! Já passei por dois pequenos acidentes. Dois carros se beijaram por causa do gelo, e agora seus motoristas estão com uma forte dor de cabeça. Embora também pudessem usar um pouco a cabeça, visto que a estrada é uma pura camada de gelo. Viro-me para um beco e movo-me devagar. E além disso tenho um pouco de sorte... O semáforo ainda está verde, faltam quinze segundos. Eu deveria me dar tempo suficiente para alcançá-lo e atravessá-lo, porque se eu parar, começar de novo será uma grande odisseia: o carro está em uma pequena ladeira e, para piorar a situação, há gelo sob as rodas. Eu acelero um pouco. Mas o que... Que diabos...? Do nada, um homem de casaco preto aparece na faixa de pedestres. Ele tem o celular colado no ouvido, em conversas e, na mão, um copo de café vermelho. O que eu faço? Buzino e bato forte no freio... Mas algo me diz que isso vai acabar mal... Desviar? Para onde? Um microônibus está chegando na faixa oposta e uma mulher com um carrinho de bebê está andando na calçada. Então... não. Só me restam os travões. Fecho os olhos para não ver o desastre... Um grito agudo perfura meus ouvidos. É o gemido agonizante dos freios do carro. Eles tentam me impedir. Mas é inútil... O que tem que acontecer, vai acontecer. O desastre me espera de braços abertos. Ansioso para me dar um grande abraço. E me acorrente. Como bem as circunstâncias se alinharam! Como se todas as peças de um quebra-cabeça se encaixassem perfeitamente! O d***o me tentou a acelerar, a estrada escorrega como o inferno e, para piorar a situação, esse cara que decide ficar no meio da estrada neste exato momento. Grandes mudanças me aguardam agora! Sem dúvida! Porque, via de regra, o motorista é sempre o culpado pelo acidente... E no meu caso... eu queria aprovar rápido, ignorando todas as normas de segurança. Droga... Os freios continuam gritando, e eu mantenho meus olhos tão apertados que eles começam a doer. Sinto que é questão de mais um segundo. Um momento, e o inevitável acontecerá. Espero que não seja mortal... Eu só precisava carregar um pecado como esse na minha consciência. Meu coração é um caos dentro do meu peito. Bate como um louco. Minhas mãos, que se agarram ao volante com uma força de aço, adormecem e congelam. E então, o resto do corpo... Provavelmente, neste estado, estou prestes a perder o contato com a realidade. Como é assustador saber que algo r**m vai acontecer. É por isso que as pessoas não devem saber o que as espera. E, no entanto, todos querem ter ao menos um vislumbre desse futuro oculto: quiromancia, adivinhação... De repente os freios param de gritar, e a sensação... A sensação me diz que o carro não está mais se movendo. Está seco, como se estivesse pregado no lugar. Parece até recuar um pouco. Ou talvez pareça assim para mim. Estou desorientado. Era para ter havido um impacto... ou não? Meu Deus, mas como eu falo assim? Como se ele estivesse por aí atropelando pessoas todos os dias? Com medo, levanto as pálpebras. Eu faço uma careta. Os raios do sol, sem bater e sem pedir permissão, me esfaqueiam diretamente nos olhos e esfaqueiam minhas pupilas por alguns segundos. A dor não dura muito. Quando desaparece, vejo o que está acontecendo na minha frente... Um homem está olhando para mim, o homem que eu... Eu não o atropelei! Continue de pé. O celular não está mais colado no ouvido dele, o café do copo de papel vermelho encontrou refúgio no capô do meu carro e nos olhos dele... Línguas de fogo giram em seu olhar, carregadas de fúria e ressentimento. E ele os direciona para mim, como os holofotes de uma prisão apontando para um criminoso que tentava escapar ao amanhecer e foi pego em flagrante. O criminoso deveria estar assustado. Mije nas calças do medo, porque acabou. Eu passarei o resto da vida dentro de quatro paredes. Mas... Mas nesta situação... Não estou isento da minha quarta-parte de culpa, mas ele também devia ter meio cérebro! Antes de atravessar a rua, você tem que olhar para os dois lados, não andar tão livremente, batendo na língua e lubrificando-a com café para que ela não se desgaste! Agora você vai ver... Vou te dar uma lição! O pedestre com nove vidas! Coloquei o freio de mão, abri a porta, bati a porta e fiquei na frente dele. Estou ao lado dele, e ele continua a me encarar, me envolvendo naquelas chamas que escapam de seus faróis escuros. — Você é e******o ou o quê? — Eu grito, carregando a voz da indignação. Não sinto pena dele — Você não viu que o semáforo estava vermelho para você? — Eu pergunto e respondo imediatamente — Claro, como você ia ver isso? Se você estivesse conversando e tomando café! Não tiveste tempo para prestar atenção àquelas coisinhas! — O semáforo estava verde para mim — Ouço esse estranho dizer e a cabeça dele e mais alta que a minha. — O quê? — A resposta dele incendeia minha indignação, como crianças travessas montando um palheiro. E então, eu praticamente grito com ele — O que havia em verde? Isso é uma mentira descarada! Incrível! — Ah, é? — responde, também elevando o tom. — Bem, sim! — Eu explodo— Você está tentando me dar trabalho! O semáforo estava verde para mim! — Era verde para mim! — ele insiste, agarrando-se à sua mentira. Mas eu não sou daqueles que se deixam manipular facilmente! Ele pode gritar até que suas cordas vocais se quebrem, o que não me convencerá do contrário! — Não me considere um t**o! Eu vi perfeitamente com esses olhos —quero dizer, apontando meu dedo indicador para eles— qual cor estava iluminada. Então não me dês histórias! — Quem não precisa me considerar um t**o é você! — Sua voz ecoa como um trovão... Trovão em um céu claro, porque o tempo ainda está bom e o céu parece um lindo azul—. Eu vi o que havia: verde. — Meu nariz está verde! — Eu assobio, porque isso está me deixando louco. — Como você diz? — ele pergunta, estreitando os olhos. — O que você ouviu! Surdo! — Percebo que as pessoas começam a olhar para nós, mas não dou a mínima. Estou defendendo minha posição, que está correta, e não me importo com os outros— Eu tinha sinal verde e você apareceu do nada bem na frente do meu carro! — O único verde queimando por aqui era algo na sua bolsa de higiene! — Então não fui eu quem me joguei sob suas rodas, como você diz, mas foi você quem quase me atropelou! Sua audácia quando se trata de saborear os doces frutos das mentiras salta todas as cercas imagináveis. Ele nem tem medo de ficar preso num prego e rasgar as calças. Meu Desu, que i****a! Ele mente com toda a sua insolência e ainda por cima me acusa! Um bastardo de classe mundial! — Quando estou ao volante, não olho para minha bolsa de higiene! E só para você saber, as mulheres dirigem muito melhor que os homens. Então pegue uma vassoura, reúna todos os seus estereótipos em uma pilha e tire-os da cabeça! Talvez seja assim que você acorda. ‍ ‍ ‍ ‍
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