CAPÍTULO 2

1246 Words
— Não me diga! — ele diz, cruzando os braços sobre o peito largo. — Muito melhor, hein? — Bem, sim! — incha as minhas bochechas — E, além disso, as mulheres são más com cores, porque…! — Bem, você parece ser péssimo com elas! — Ele interrompe-me no meio da frase — Você passa um sinal vermelho e agora está se levantando como um esquilo raivoso! Seria mais fácil pedir desculpas do que defender o indefensável. Um esquilo raivoso? Muitas coisas me chamaram na minha vida… Mas um esquilo? — Bem, se eu sou um esquilo, você é um hamster! — Eu grito com ele — Mas não uma doméstica, mas uma selvagem, uma daquelas que vivem no campo! Não sei exatamente por que aquele animal me veio à mente… Bom, acho que é porque essas criaturas amarrotadas com barrigas pretas, da dimensão de duas palmas na minha mão, são muito agressivas! Lembro-me da minha avó armando armadilhas para eles quando começaram a se multiplicar no jardim… E quando um caiu numa gaiola, achei tão adorável que quis pegá-lo… domá-lo. Até lhe dei um nome. Mas o bastardo muito peludo mordeu meu dedo, me arranhou e fugiu… — Eu não sou um hamster! — A sua voz fica ainda mais irritada, e seu rosto… que é bem atraente… quem se importa com o que é. Está ficando diabólico. Por alguma razão, essa palavra parece tê-lo afetado demais… Ao mesmo tempo, ver aquele rosto me dá um leve calafrio, mas não forte o suficiente para prestar atenção. — Hamster! — Assobiando, colocando as mãos em jarras. E se não estiver, então acalme-se e peça perdão, com a promessa de que no futuro você será um pedestre mais cauteloso! Silêncio. Nossos olhos se enfrentam em uma batalha que só nós entendemos. Nós nem piscamos… A situação deixa bem claro para mim: não vou receber um pedido de desculpas dele. Hamster teimoso. Para o inferno com ele! Ainda bem que não o atropelei até arrancar suas entranhas. Eu me viro e caminho em direção ao veículo. Não vou desperdiçar mais saliva com ele. — Nem eu. — Ele solta minhas costas sarcasticamente e depois acrescenta. O mais fácil é fugir em vez de admitir a verdade. Eu me viro novamente. A zombaria não só sai de sua boca, como também é desenhada em seu rosto. E eu não aguento mais... Meu autocontrole está destruído. Pego o maldito café e... gostaria de esvaziá-lo no rosto dele, mas me contenho; é uma pena estragar aquele rosto bonito. Então derramo o café um pouco mais abaixo: no peito dele. No casaco preto. Recuso-me a acreditar no que os meus olhos veem. É ele, sentado ali. Que ele queria uma vida com mais cor? Bem, o universo me ouviu e não demorou muito. Ele organizou algo sob medida para mim, embalou em uma caixinha e me enviou por correio expresso. E assim recebi esta história interessante com seu prólogo. Prólogo? Que prólogo ou que diabos, isso foi um inferno! E porquê inferno? Tudo correu tão m*l? Bem, como dizer isso... É melhor eu contar como foi... Quando derramei o café naquele homem atrevido, achei hilário no começo. Seu rosto insolente estava cheio até a borda de choque, seus olhos se abriram como duas placas enormes e sua boca também arredondada, mostrando todos os seus dentes afiados. Ele não esperava isso, o hamster. E imediatamente ele começou a fazer algo completamente inútil. Ele abaixou a cabeça e começou a sacudir o café com a mão, um café que já havia sido absorvido por sua pelagem preta como água na terra seca e rachada que não via chuva há um mês. Enquanto isso, continuei rindo. O riso tomou conta de mim e começou a me fazer cócegas, como uma pena nos calcanhares. Eu estava sem fôlego. E quando ele finalmente recuperou o fôlego, provavelmente parecia uma gaivota. Eu sei que é possível... Não, não, tenho certeza de que parecia um circo de verdade visto de fora. Dois idiotas teimosos que se encontram e não conseguem se afastar em paz. Mas ele mereceu muito. Ele foi esperto demais e se adaptou... Infelizmente, não no rosto... É que fiquei triste por estragar tudo. Quando parou de esfregar o casaco, levantou a cabeça. Ele me envolveu com um olhar cheio de fúria. Um olhar que poderia derrubar um santo. E esse olhar não deu em nada. O hamster começou a sibilar com raiva, dizendo que se eu o cruzasse novamente, descobriria quanto vale um pente; que pagaria tudo de sobra; que minha pobre b***a seria espancada e coisas assim... Ele me deu uma corda tal que... Vamos lá, era para tirar o caderno e o lápis do porta-luvas (eu sempre carrego um ) e começar a escrever cenas para um romance sombrio. E então vendê-los por um bom dinheiro para aqueles autores com a imaginação em plena depressão devido à falta de ideias. E quando o ouvi, ri ainda mais. Lágrimas correram em abundância. Assim como o Rio Ros na primavera, após um inverno de fortes nevascas. — E por que não agora? — Perguntei, enxugando as lágrimas enquanto tentava acalmar meu ataque de riso. — Porque neste momento não tenho tempo para um esquilo e******o! — os seus dentes moídos, como se ele estivesse moendo areia em farinha. — Mas você teve tempo de discutir, certo? — Eu bufei—. Claro! Pedir desculpas pelos seus erros é difícil... É como colocar dois sacos de cimento nas costas e caminhar três quilômetros. Mesmo sendo um cara bonitão, tenho certeza de que você aguentaria três, e eu poderia até sentar em cima de você, no seu pescoço. E você nem vacilaria! Eu o provoquei deliberadamente com minhas palavras. Sem pensar nas consequências. Eu não pensei... Não pensei, porque em todos os anos em que trabalhei como gerente de restaurante, tudo aconteceu comigo. E além disso eu estava reclamando que minha vida era cinzenta? Curioso... Mas isso é trabalho, não minha vida pessoal. São coisas diferentes. O que aconteceu comigo? Já tive clientes atrevidos que vieram até mim e me deram um tapa na b***a ou me propuseram sexo abertamente... Mas aqui esqueço um fato interessante: todas aquelas pessoas sem vergonha com seus galos inquietos estavam bêbadas pra caramba. Eles cambaleavam tanto que caíam onde quer que o vento soprasse. E suas proposições m*l eram compreendidas. — Reze para que nunca mais nos cruzemos nesta vida —ele disse com uma careta, e novamente me deu um punhado de ideias para romances sombrios. Você tem que ver a imaginação que ele tem, é por isso que, depois do discurso dele, eu lhe dei um conselho: — Você deveria escrever um livro, seria interessante. Talvez até se torne um best-seller. Você ganharia um pasto. Ele, como um verdadeiro hamster selvagem, bufou e foi embora, e eu olhei para suas costas. Bom, pelo menos ele não mordeu meu dedo. E por que todos os homens bonitos que já conheci são... estranhos? Há este rastro de Urina: um castor temperamental e desconfiado que submeteria até mesmo sua própria sombra a um teste de detector de mentiras. Porque ele não confia nisso. Nem mesmo dela. E isso... Bem, não sei que palavras tirar do meu vocabulário para descrevê-lo bem. Vamos deixar em elipses, ou... — O que você está fazendo parado no meio da estrada! — Uma voz tirou-me do meu dicionário imaginário— Sai do meu mundo imaginário! Olá! ‍ ‍
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