Virei-me. Atrás do meu veículo estava outro, não muito novo. Por dentro, um homem meio careca com um rosto vermelho como uma beterraba estava olhando para mim. Tinha um cigarro fumegante entre os dentes, que rapidamente se afastou da boca com a outra mão, soltou a fumaça e continuou:
— Você é um i****a ou o quê? Não sabe onde pode estacionar?
— Cale a boca ou quem vai acabar é você! Eu gritei de volta para ele.
Então, entrei no veículo e fui para o meu trabalho. Onde passei o dia todo pensando no que havia acontecido.
Estava tão ocupada que tinha praticamente esquecido.
E agora, ele. À minha frente…
E compreendo que estou ferrada.
Penso na mesma ideia na minha cabeça. Ao mesmo tempo, estou tentando encontrar uma saída para essa situação sem que meu pobre coitado pague as consequências.
Fugir como o d***o?
Eu não sei…
Já vi isso muitas vezes em séries, onde a heroína foge de um encontro indesejado, mas sempre acaba caindo nas garras do vilão, piorando ainda mais as coisas.
Mas a vida não é uma série de vinte e quatro quadros por segundo. E, a propósito, eu nem sou i****a.
Eu sei falar, então posso recorrer à diplomacia.
E, de qualquer forma… Somos adultos! Por que diabos tocar essa bobagem? Não temos nada melhor para fazer?
Ok, latimos na estrada, trocamos uma carroça de palavrões e olhares assassinos…
E é isso.
Suficiente.
Ponto final!
Mas de jeito nenhum…
Seus olhos furiosos, nos quais vejo minha própria figura estupefata, gritam com toda a força: Não!.
Você não vai perdoá-lo assim, porque eu ofendi sua majestade real.
Vou ter que pagar por tudo…
Eu estalo meus lábios como se tivesse sido picado por um enxame…
Não fuja…
E se eu me fizer de bobo? Como se fosse a primeira vez que o vi? Dizer que não sei de nada e coisas assim?
Não…
Isso é ainda mais e******o do que sair, porque ele viu perfeitamente bem que eu o reconheci…
Estou olhando para ele há meio minuto, como vacas olhando para o trem.
Pequena...
Situação...
— Qual é o motivo de tanta honra que até a gerente do restaurante, Maleato, com o nome Bruna vem me servir? — pergunta, lendo meu nome na placa de identificação.
Reviro os olhos. Agora você não só sabe onde eu trabalho, mas também... meu nome.
Porque você sempre pode dizer adeus a um trabalho. Embora você não queira sair de uma posição como essa, porque ela é fantástica.
Claro, é preciso admitir, consegui isso de uma forma não totalmente honesta...
Há alguns horas, eu, atropelei o filho de Eduardo Boris, dono deste restaurante.
O homem não queria que eu denunciasse seu filho e******o, que estava errado e mentiu. Então me deu uma boa quantia de dinheiro, além disso e ofereceu-me um bom cargo: o de administrador, diretamente.
E eu aceitei.
Que irônico...
Fui atropelado uma vez e hoje quase consegui...
— Por que você não diz nada, Bruna? — o homem continua, apoiando o rosto satisfeito na mão.
E também pronuncia meu nome de uma forma muito estranha... Como se o provasse, como se fosse um prato exótico.
Como se tivesse encontrado uma iguaria de outro mundo.
— Foi uma coincidência — é a única coisa que consigo pensar em dizer, porque nada melhor está passando pela minha cabeça.
— Bem, acho que não —sorri presunçosamente e pergunta, repetindo meu nome novamente— Bruna, lembras-te do que te disse durante a nossa última reunião, há poucas horas?
Não estou com vontade de falar. Não vou dizer uma palavra.
Ele vê que não vai tirar nada de mim, então repete com uma alegria que transborda alegremente em sua voz, como um patinho em um lago coberto de lentilha-d'água:
— Eu disse que você pagaria por tudo... E olha... o destino nos uniu. Eu não esperava te encontrar novamente antes de te esquecer.
Embora eu esteja mentindo descaradamente sobre isso... É difícil esquecer um esquilo raivoso como você. Permaneceu gravado na minha memória.
— O destino é caprichoso e injusto —comentou, ignorando a suas palavras sobre o esquilo.
— Pelo contrário, é justo — ele ronrona em resposta — Muito justo... Você vai pagar pela sua falta de atenção na estrada e, acima de tudo, pelo que fez depois... Você estragou um casaco bem caro para mim e não me deixou tomar meu café. E eu estava tão ansiosa por ele... Eu estava sonhando com ele desde manhã.
Deixe de lado sua verdade e isso me dá vontade de...
Eu poderia repetir a peça. Neste momento pego este café com leite, despejo-o na cabeça dele e depois digo-lhe que é um remédio contra a calvície!
— Bem, para começar — eu digo, m*l me segurando para não fazer uma pequena encenação—, eu tinha sinal verde...
— Como você é teimoso! — me interrompe—. Você insiste em se manter firme... Mas você vai pagar de qualquer maneira...
Merda para ti. E sem enfeite.
— Somente depois que você me trouxer um atestado de um oftalmologista confirmando que você não é daltônico —eu cuspo, cruzando os braços.
— Não sou daltônico... Vejo perfeitamente bem que as mangas da sua blusa são verdes e que o colar que você está usando é vermelho... como a cor do semáforo que acendeu para você.
Nomeie as cores corretamente. Ele não está errado. Ele não tem problemas em perceber o mundo...
— Então não acho que seja necessário nenhum certificado— ele continua, a diversão ainda dançando em seus lábios.
Deus, como ele está satisfeito. Como... um hamster que encheu as bochechas de grãos até estourar!
— Proponho que esqueçamos este incidente e******o —Tento mudar de rumo.
— Não —balança a cabeça— Eu sempre mantenho minha palavra. Se digo alguma coisa, faço-o, apesar de todos os obstáculos que possam surgir.
— Pela primeira vez você poderia fechar os olhos...
— Não, Bruna —insiste—. Isso seria mostrar fraqueza, e isso não pode ser permitido.
Seu olhar finalmente sai dos meus olhos. Começa a escorregar pela minha figura, que hoje está vestida com uma gola alta verde e uma saia preta.
E tudo está bastante apertado, aliás.
Sinto como ele me devora com seu olhar...
— Você não lambe tanto os lábios —Eu reajo ao seu escrutínio.
— Lambo os meus lábios se quiser. A lei não proíbe — responde, brincalhão.
Ele passa a língua quase imperceptivelmente sobre os lábios. E o gesto...
É sedutor.
— Mas tudo no devido tempo, esquilozinho —ele diz depois daquele gesto—. Agora tenho assuntos importantes para resolver e depois colocarei as mãos no seu r**o ruivo. E talvez não apenas no sentido figurado da palavra...
Lá vai...
Dando dicas lascivas.
Se ele ousar tocar no meu r**o, eu mordo alguma coisa!
— i****a! —Faço uma careta—. Mas, só para você saber... Eu não deixo menores de dezoito anos tocarem no meu rabo...
— Anos? — ele pergunta, abrindo bem os olhos—. Certo. As crianças não precisam sair por aí agarrando esquilos pelo r**o. Você tem que ter a idade certa, para que não acusem o esquilo de corrupção de menores.
— Eu quis dizer centímetros...
Mas não diz nada. Seu olhar se afasta abruptamente de mim e se dirige para o lado. Eu viro a cabeça. Reconheço a figura que se aproxima de nós: Tina
Ela caminha com dificuldade em direção à mesa. Franzindo a testa, insatisfeita...
É um milagre que ela tenha saído da cama e consiga até andar, porque ontem à noite ela estava muito bêbado...
Volto-me novamente para o leste desavergonhado, que, percebendo meu olhar, responde:
— Prepare uma régua. E pegue a mais longa que você tiver.
— Eu só tenho um de dez centímetros, mas acho que mesmo esse será demais.
— Bem, então trarei uma reguá Ou melhor ainda, uma fita métrica.
Ele sorri de orelha a orelha, e eu bufo em resposta e me viro para ir embora. Suas palavras me chegam por trás:
— Você tem uma b***a muito bonita.