Capítulo 92

1596 Words
Capítulo 50 Ela perguntou do Miyuki. A Lisa disse que ele estava chateado porque ela não respondia direito. A Kaori falou irônica: — Se eu fizesse isso só com ele, tava bom. Você viu o Rui aqui? A Lisa disse que sim, que ele foi embora assim que ela chegou. Perguntou como foi a conversa. A Kaori respondeu: — Sei lá… tranquilo, normal. Ele não disse nada, na verdade. Só ficou com pena e ofereceu ajuda. Elas conversaram um pouco sobre o Natal. A Lisa comentou que o Victor estava lindo, que lembrava muito o Miyuki bebê. A Kaori disse que não estava vendo ele porque não gostava de ser falsa com a Joyce. A Lisa respondeu: — Você precisa parar com isso. Desse jeito vai ser difícil seguir em frente. Eu errei e sei disso. Essa história não é da sua alçada, Kaori. Seu pai e eu já resolvemos nossas diferenças e acabou. Elas continuaram conversando. A Lisa lembrou que ela tinha retorno no médico na terça-feira, dia seguinte, e que o Juliano ia levá-la. A Daia mandou mensagem dizendo que sentia muito por tudo e perguntou se podia ir vê-la no dia seguinte. Ela disse que sim, que avisaria quando chegasse do médico. O Rui mandou mensagem cedo: “Bom dia, tá melhor?” Ela respondeu enquanto se arrumava para a consulta: “Oi, bom dia. Tô sim, tenho retorno no médico hoje. E você?” O Juliano foi buscá-la com a Joyce e o Victor. Eles evitaram assuntos desagradáveis. Depois da consulta, convidaram ela para ir ficar na casa deles. Ela aceitou. O Juliano deixou os três e foi trabalhar. O Victor estava no bebê conforto. A Joyce perguntou se a Kaori queria pegá-lo. Ela respondeu sem jeito: — Eu não sei… se quero. A Joyce falou, soltando o Victor: — Se você quiser conversar sobre qualquer coisa, eu tô aqui, tá?! Elas estavam na sala. A Kaori esticou os braços pedindo o Victor, ficou olhando para ele, mexendo naquelas mãos pequenininhas e frágeis. Sentou no sofá e falou sentida: — Eu não sei se quero ser mãe um dia… não consigo cuidar nem de mim. Como vou ter alguém totalmente dependente assim?! A Joyce disse que o amor fazia nascer uma mãe, que a Kaori era nova e que ia poder tentar quando estivesse pronta, em um relacionamento estável com alguém legal. A Kaori disse que não sabia ter um relacionamento, que até o Daniel devia estar melhor que ela, seguindo com a vida dele, com um filho a caminho. A Joyce disse que era pra ela esquecer dele, porque não valia a pena. Ela respondeu: — Pra alguns, as más escolhas dão certo. Pra outros, como eu, as boas escolhas são uma grande merda. A Joyce disse que ela podia sempre refazer as escolhas. Perguntou se podia ir pra cozinha fazer o almoço e deixar o Victor com ela. A Kaori respondeu: — Claro, eu fico com ele. Logo cresce e para de me respeitar, como o Miyuki. Elas deram risada. A Joyce disse que estava ansiosa pra chegada do Miyuki. A Kaori ficou deitada na sala, admirando o irmão. Na hora do almoço, o Rui respondeu. Perguntou como tinha sido a consulta. Ela explicou os procedimentos, disse que ia precisar tomar remédio para anemia. Ele falou que queria conversar com ela antes dela ir embora. Ela mandou uma foto com o Victor e disse que estava muito bem acompanhada. Ele respondeu: “Que bom que vc não tá sozinha trancada no quarto. Mas desse jeito eu vou ficar com ciúmes.” Ela respondeu: “🙆‍♀️🙆‍♀️ Mas você é o meu número 1, quem tem outras pessoas na vida é você!!” Ele disse que não tinha ninguém. Ela falou que viu ele beijando a enfermeira, amiga da Daia. Ele respondeu: “Vi vc com outros também e eu não tô te questionando, vendo vc dizer que sou sua primeira opção. Vou voltar trabalhar. Tchau, depois a gente se fala.” Ela respondeu: “ Tchau, bom trabalho.” Ela passou o dia todo com a Joyce e o irmão caçula. Estava um pouco triste e não conseguia parar de pensar em como seria tudo se ela não tivesse perdido o bebê. O Rui era uma pessoa legal, um bom pai para o Bernardo. A Kaori começou a imaginar como seria estar com ele, dividindo a vida, tendo um filho, construindo uma família. Aquilo era assustador. A curiosidade e a sensação de perda andavam lado a lado, mas ela sabia que não queria aquilo de verdade, que os planos eram outros, que precisava viver pra si antes de decidir viver a vida com alguém. No final do dia, ela foi pra casa de Uber. Já era quase 19:00 quando o Rui chegou sem avisar, de moto. Ela estava na sala, ouviu o barulho e foi até o portão atender. Abriu e falou: — Oi, vai entrar? Ele respondeu sério: — Oi, só passei pra ver como você tá. Minha irmã falou que você ia em casa, mas não foi. Ela disse que estava cansada por ter ficado fora o dia todo. Ele perguntou quando ela ia embora. Ela respondeu: — Não sei, minha mãe quer que eu fique até depois do Natal. Você quer entrar? Foram entrando. Ele perguntou por que ela teve medo de contar a verdade, disse que estava curioso pra saber o que ela esperava ouvir dele. Ela respondeu: — Não sei… você podia querer me humilhar, duvidar de mim e piorar tudo. Depois daquele dia no motel, tudo mudou! Sentaram na sala. Ele falou: — Duvidar do quê? Que era meu? Ela balançou a cabeça que sim. Ele falou: — Mas você esteve com mais alguém enquanto estava comigo? Ela respondeu surpresa, chateada: — Onde você quer chegar? Não estou entendendo. Ele disse que queria entender melhor tudo, saber como ela se sentiu. Ela não disse nada, ficou muito chateada. Ele falou, cabisbaixo: — Eu não tenho por que duvidar de você… ou tenho? Fico pensando muito no que você acha de mim, sabe? De verdade. Porque você escreveu aquelas coisas todas e não faz sentido. Ela respondeu irônica: — Muitas coisas não fazem sentido algum mesmo. Ele respondeu: — As mãos dele são geladas e um pouco ásperas, eu gosto disso, me dá arrepios ser tocada por ele. Não sei se ele sabe quem eu sou, acho que não. Ele nem iria gostar se soubesse. Odeio o modo que me sinto com ele às vezes, parece um jogo, mas eu vou sair perdendo. Ele me deixa triste, é o oposto do Thomás, não faz sentido algum. Piadas de mau gosto e apelidos que me irritam, acho que eu tenho motivos do passado pra não gostar dele. Ele estava citando anotações da agenda dela. Ela pediu pra ele parar. Ele respondeu: — Você ainda escreve? Posso ver? Ela respondeu incomodada, quase chorando: — Não. Ele continuou falando, encarando ela: — O Thomás é tão calmo, tudo com ele flui naturalmente, mas não sinto segurança nas palavras dele. É calmo demais, isso me assusta. O beijo do Thomás é bom, conversar com ele é incrível, não faz sentido a Rafaela me oferecer ele de bandeja. Minha mãe quer me manipular e vigiar cada passo meu, me sinto sufocada, tenho certeza que ela está mentindo. Hoje o Rui me irritou muito, odeio a forma que ele me trata como se eu fosse tudo em um dia e nada no outro. Eu não posso insistir nisso, ele não vale a pena. Senti tanta raiva ontem, eu não sei se estou lembrando coisas de antes ou só confundindo com as de agora. Me sinto exausta e tudo isso dói muito.” Ela falou, irritada: — Tá bom. Já vi que você leu tudo, entendi. Chega, Rui. Ele perguntou quando ela começou a lembrar. Ela disse que não sabia ao certo, porque demorou pra se dar conta de que eram coisas antigas. Ele respondeu: — Quando você lembrou de mim? Do que você se lembra? Ela disse que, no começo, quando se aproximaram, foi ficando mais forte na primeira briga deles, quando ela foi parar no hospital. Ele perguntou por que ela deixou ele lá, sendo feito de bobo, criando novas experiências pra ela. Ela respondeu chateada: — Você não é i****a, não por isso. Você me tratou bem e eu gostei. Eu estava sem memória, mas não louca. Eu não queria me aproximar das pessoas do passado, todos mentiram muito pra mim, e você sempre pareceu sincero. Fiquei confusa, senti medo de contar a verdade. Eu gostava de quem eu era com você! Ele ficou quieto alguns minutos e falou: — Eu também me sinto confuso com você. Ontem, quando você me contou o que aconteceu, eu fiquei assustado, nem sabia o que te dizer. Mas hoje eu pensei melhor, fiquei chateado. Você tem razão, eu não queria mais um filho agora, mas eu quero que você saiba que eu sinto muito e que eu ia ficar feliz, mesmo com a nossa situação. Ela respondeu chorando: — Eu não quero nunca mais correr o risco de passar por isso. Ele disse que não queria que ela se culpasse por nada e que ela teria outras oportunidades na vida, que nunca era tarde demais. Ela disse que devia merecer tudo aquilo. Ele foi sentar perto, abraçou ela e falou: — Não fala assim. Você errou e todos erram. Se você soubesse o tanto de coisa errada que eu já fiz na sua idade… Vai passar. Você vai ficar bem.
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