Capítulo 101

1255 Words
Capítulo 59 Durante a semana, William conversou algumas vezes com Kaori na hora do almoço. Foram super discretos. Ele estava se soltando mais com ela. No fim de semana, tinham marcado de sair para comer pizza. Na sexta-feira de madrugada, a Maria recebeu uma ligação da mãe, arrasada, falando que o pai havia falecido de infarto fulminante. Ela tinha pouco dinheiro guardado e ainda estava desempregada. A mãe pediu para ela voltar pra casa porque iam precisar muito dela. Maria chorou a noite toda. As meninas ficaram com ela, dormiram as três na mesma cama. Cedo, ela já disse que ia embora de uma vez, pediu desculpas por quebrar o trato delas da virada do ano e fez as duas prometerem que iam continuar unidas, uma cuidando da outra. Na hora do almoço, Maria pegou um ônibus com tudo o que deu pra levar. Combinaram de vender algumas coisas e mandar o dinheiro pra ela depois. Ela precisava chegar a tempo do enterro do pai. As três choraram muito, ficaram extremamente tristes com a despedida. Quando estavam no terminal rodoviário e Maria subiu no ônibus, Bibi falou para Kaori, chorando: — Ela estava nos mantendo unidas… eu sei que você vai desistir e tá tudo bem. Eu te deixo livre! Eu sei que vou acabar sozinha mesmo. Você não é obrigada a continuar com tudo. Kaori, também chorando, disse que não ia deixá-la naquele momento difícil. Maria postou uma foto das três na balada, super felizes, com a legenda: “Lembra de como festejávamos a noite toda? Saindo às escondidas procurando o gosto da vida real? Bebendo cerveja barata no gelo? Lá estavam elas, as minhas novas melhores amigas. No começo tive medo de ficar de escanteio, mas hoje posso dizer que ter a amizade de vocês duas foi o maior privilégio que a vida me deu nesse último ano. Serei eternamente grata por tudo o que vocês fizeram por mim. Já estou com saudades. Acredito que nada acontece à toa e não é um adeus, apenas um até logo. Amo vocês, rainhas da beleza degeneradas ❤️” As duas ficaram arrasadas, postaram fotos juntas com legendas de despedidas tristes. Foram pra casa e Lisa ligou pra saber o que estava acontecendo. Kaori atendeu e contou que Maria tinha ido embora porque o pai faleceu. Chorava no telefone. Lisa pediu pra ela ir pra casa passar o fim de semana. Kaori recusou, dizendo que não ia deixar Bibi sozinha, que ela não aceitaria ir junto de jeito nenhum. Lisa perguntou quando as duas pretendiam contar da gravidez pra ela, foi um pouco rude chamando a atenção das duas e disse que ia pra lá no domingo, querendo ou não. Como Kaori viu que não ia poder evitar, pediu pra Lisa levar as coisas que a Daia e Joyce haviam separado pra doar à Bibi. Kaori avisou Bibi e pediu pra ela não agir feito louca. Bibi respondeu irônica: — Talvez eu esteja louca mesmo. Você tá tão vidrada nessa criança, parece que se importa mais com ela do que comigo. Você nem a conhece! Kaori falou, chateada: — É, Bianca, eu tô preocupada mesmo. Esse anjinho não tem culpa dos seus erros. Deus sabe o quanto eu queria que essa criança estivesse no meu ventre. Queria só ver se você tivesse perdido, como ia se sentir incompetente, um nada… e você ainda tem coragem de rejeitar o bebê. Como você pode fazer isso? Bibi disse pra ela engravidar e ir cuidar dela mesma, se fosse capaz. Pareceu que ela se referia à capacidade de engravidar. Kaori ficou muito chateada e disse que não ia falar mais nada, que se ela quisesse ajuda era pra pedir, porque estava cansada de se desgastar e receber tanta ingratidão. As duas ficaram sem conversar o resto do sábado. À noite, William mandou mensagem confirmando o encontro. Kaori tinha esquecido e disse que estava desanimada pra sair, porque Maria tinha ido embora. Contou o que aconteceu. Ele disse que podiam ficar na casa dela ou que não tinha problema desmarcar. Ela chamou ele pra ir lá. Bibi estava trancada no quarto havia horas, nem saiu pra comer ou tomar banho. William chegou às 21:30. Kaori saiu no portão, se abraçaram. Ele deu um selinho nela e perguntou se estava bem. Ela disse que estava triste e que seria muito bom ter uma companhia legal. Foram para o quarto assistir a algo. Ele disse que ia pedir pizza. Ficou de pé mexendo no celular. Kaori sentou na beirada da cama, cabisbaixa. Ele guardou o celular, sentou ao lado dela e falou, segurando sua mão: — Tá a fim de fazer o quê? Assistir? Conversar? Pode me pedir qualquer coisa, se estiver ao meu alcance eu faço. Ela sorriu, ainda chateada: — Não sei… me conta como foi seu dia. Me conta qualquer coisa legal sobre você. Ele disse que não era muito legal, mas podia ser interessante pra ela. Ela perguntou o que era, deu um selinho e encostou a cabeça no ombro dele. Ele respondeu: — Fiquei ansioso pra chegar hoje. Eu queria muito te ver. Ela disse que também ficou e o beijou. Foram emendando um beijo no outro. Ela subiu na cama, puxou ele. Ele tirou os tênis e se deitou. Ficaram abraçados, trocando beijos intensos e carinhos. Ela perguntou se ele ia embora cedo. Ele perguntou por quê. Ela respondeu: — Porque eu quero aproveitar a nossa noite. Tô precisando muito de um carinho. Ele respondeu, surpreso: — Nossa, é legal ver você falando isso. Você parece tão durona… a semana toda eu fiquei na dúvida se você tava ou não a fim mesmo. Eu fico o quanto você quiser. A gente faz o que você preferir. Ela respondeu beijando o pescoço dele, passando a mão na barriga por baixo da camiseta: — Obrigada… coloca um filme, mas não vou deixar você assistir muito não. Ele disse que ia pôr música. Ela começou a falar da barriga dele toda trincada. Ele disse que não comia besteira durante a semana e que treinava sempre que podia. Ela disse que era preguiçosa demais. Ela continuou provocando, ele foi ficando e******o. Quando a coisa esquentou, foi intenso, rápido e cheio de urgência. A pizza chegou, ele foi buscar e voltou. Depois, tomaram banho, comeram juntos já de madrugada e dormiram. Ele dormiu rápido, de bruços, ocupando a cama toda. Kaori quase não dormiu, estava acostumada a dormir sozinha havia meses. William acordou cedo, se vestiu e foi embora rápido. Não teve beijo nem abraço. Kaori só acompanhou até a porta. Lisa chegaria por volta das 9:00. Bibi levantou passando m*l por causa da pizza. Quando Lisa chegou, abraçou as duas e começou a aconselhar Bibi, falando da gravidez. Bibi foi sincera, disse que não queria aquilo. Enquanto conversavam, Kaori abriu as sacolas com doações. Havia muitas coisas novas: roupas, fraldas, cobertores, mamadeiras, tudo organizado por Joyce e Daia. Bibi não demonstrou interesse algum. Em compensação, Kaori ficou eufórica, falando de nomes, dizendo que o bebê mexia só pra ela. Lisa percebeu o desconforto de Bibi e falou com cuidado sobre maternidade, saúde, pré-natal e até adoção. Bibi começou a chorar, dizendo que não seria boa mãe. Quando Bibi foi pro quarto, Lisa disse, horrorizada, que ela precisava de ajuda profissional urgente. Kaori, exausta, respondeu: — Eu faço o que dá, mãe. Ela não quer ser ajudada. Vive dizendo que vai dar o bebê. Tá com depressão, passa dias sem comer, sem tomar banho… não se abre comigo como antes.
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