Capítulo 17
Quando passou meia hora ele mandou uma mensagem
“E aí, vai comigo?”
Ela respondeu
“????”
Ele foi até lá, ela saiu pra fora quando ouviu o barulho da moto, ele deu o capacete na mão dela e falou que ia ser legal, bem tranquilo. Ela falou:
— Por favor, não faz merda, Rui, tô confiando em você.
Ele sorriu e respondeu:
— Você sabe quantas vezes eu já caí?
Ela disse que não, ele falou que poucas e que sempre pela imprudência dos outros. Ela retrucou que era bem a cara dele jogar a culpa sempre em alguém. Ele respondeu cínico:
— Sabia que você quase me derrubou no dia que sofreu o acidente? Meu irmão é testemunha, os meninos do bar… foi por muito pouco.
Ela falou séria:
— Para de brincadeira i****a, não tem graça, Rui.
Ele disse que estava falando sério, que ficou puto na hora e em seguida soube do acidente. Ela perguntou se ele viu algo, porque falaram que foi só um acidente por ela não ter experiência. Ele disse que ela estava andando feito louca, que devia estar fora do normal com toda certeza e que chegou longe até, andando daquele jeito.
Ela subiu na moto pensativa, ficou quieta, nem reclamou dele estar fazendo graça. Ele perguntou duas vezes se estava tudo bem, se ela estava com medo. Ela disse que estava de boa, mas ficou bolada com o que ele disse, dela estar dirigindo desde o bairro andando m*l.
Foram no centro tomar sorvete. Ele estava com os dois capacetes e por isso só caminharam, sem as mãos dadas. Ela só quis água, reclamando de m*l-estar. Ele falou brincando que ela devia ser anoréxica porque nunca comia. Ela respondeu brava:
— É, eu sou bem doentinha mesmo. Tá comigo por pena? Caridade? Não perde seu tempo não, eu sou um problema!
Ele respondeu surpreso, assustado:
— Você sabe que eu não estava falando sério. Eu tô perto de você há um certo tempo e me dá agonia ver você sem comer. Sei que você tá passando por um momento difícil, mas se entregar assim não vai te ajudar muito!
Ela não gostou nem um pouco, já ficou com os olhos lacrimejando, querendo chorar, e falou:
— Você é meu pai agora? Você não faz ideia do que eu tô passando, beleza? Não vem com essas frases clichês de autoajuda! Eu preciso pensar, quero ficar sozinha, vou embora andando!
Ele disse que não ia deixar ela, porque a tirou de casa e tinha que deixar ela onde pegou. Ela respondeu levantando, enxugando as lágrimas:
— Então me leva agora!
Eles levantaram quietos, foram sem falar nada o caminho todo. Quando chegaram, ela desceu, entregou o capacete. Ele disse que queria ficar com ela, mesmo que não pudesse conversar, repetiu que não falou por m*l. Ela pediu, por favor, pra ele deixá-la sozinha. Ele falou tchau, ficou chateado sem entender. Ela respondeu e entrou cabisbaixa.
Ela tomou remédio e deitou, já estava anoitecendo. Dormiu até o dia seguinte direto. Rui mandou boa noite, depois bom dia. Ela respondeu na segunda-feira, na hora do almoço:
“Bom dia, boa semana.”
Ela teve médico na segunda mesmo, depois foi para a casa do Juliano porque ia voltar a trabalhar na terça e ele ia levá-la inicialmente. Ela deu um tempo de conversar com o Thomás porque estava com raiva, e com Rui também não conversou porque ele não foi atrás e ela também não.
No primeiro dia no trabalho ela ficou mais parada, só conversando. Com o passar dos dias foi treinada e voltou a exercer a mesma função, só que com auxílio nas dúvidas. Quando a família perguntou como estava sendo, ela mentiu, sempre falando coisas boas do trabalho.
Na quarta-feira o Thomás chamou ela pra conversar. Só conversaram mesmo na casa dela, com Juliano espiando a todo tempo. Ela pediu pra ele dar uma segurada, só teve beijo na porta quando ele chegou e quando foi embora. Ele mesmo reconheceu que estava indo com muita sede ao pote, pediu desculpas pela forma que agiu com ela. Ele só se tocou porque ela se afastou muito. Ele era meio distraído.
Se encontraram o resto da semana, foram passear com o Aslan no condomínio. Ele tocou pra ela duas vezes. Estar com ele era calmaria, tudo fluía naturalmente. Ele era bem atencioso nas conversas, gostava de tirar fotos deles. Decidiram não postar ainda. Ele queria levá-la para conhecer a avó novamente, mas ela estava com receio. Estavam só ficando, mas na verdade conversavam mais do que beijavam. Ele compreendeu as inseguranças dela e mudou a forma de tratá-la, muito atencioso.
Como ela faltou muito do curso, foi colocada em outra turma de sexta-feira para iniciar tudo de novo, já que havia esquecido. A Lisa estava apoiando a Kaori ficar na casa do pai, porque ele estava dando uma atenção a mais e ambos estavam com medo, já que ela estava largando as consultas, alguns remédios e voltando a conviver com todos.
Na sexta-feira, depois do trabalho, ela foi na fisioterapia. À noite o Juliano a levou no curso. Ela, com vergonha, pediu pra ele não entrar. Ele queria ir falar com o professor para explicar o quadro dela, sendo que já tinha falado com a escola. Ela entrou sozinha, conversou na recepção e foi pra sala.
Durante a aula, Daniel o ex ficante e professor, entrou lá de propósito pra falar com o professor e ver se ela ia esboçar alguma reação. Ela continuou digitando um texto, m*l olhou pra ele. Quando a aula acabou, ele falou com ela na recepção, perguntou como estava tudo. Ela foi simpática e breve, sem prolongar a conversa. Ele não sabia o que falar, mas não queria fingir que nada aconteceu. Todas as pessoas faziam as mesmas perguntas, se ela não lembrava de nada. Ele também fez e ouviu a mesma resposta de todos. Ela ficou incomodada, mas foi gentil.
O Thomás ficou de ir buscá-la no curso. Eles iam sair juntos. Como ele não tinha carro, se atrasou um pouco. Ela ficou nas escadas sentada esperando. Quando ele chegou de Uber, desceu pra falar com ela. Se beijaram na boca. Ele começou a falar que tinha uma surpresa boa, que tinha certeza que ela ia gostar. Ela falou rindo que não ia mentir caso não gostasse. Eles estavam de mãos dadas, bem próximos. Daniel viu e ficou olhando bastante.
O Thomás levou a Kaori para um barzinho. Chegando lá, foram sentar. Em seguida chegou a Bibi com o namorado. Elas se abraçaram, sentaram de frente uma pra outra, começaram a conversar entretidas e a Kaori bebeu um pouco, mesmo sabendo que não deveria. O Thomás começou a contar o que estava rolando, falando bem da Kaori. A Bibi, rindo muito, disse que aquela com certeza não era a amiga dela. O Diego disse o mesmo, que aquele não era o Thomás.
Os dois estavam se beijando, trocando carinho. Não ficaram muito tempo porque a Kaori ia trabalhar cedo no dia seguinte. Foi divertido, conversaram bastante, tiraram fotos. As duas combinaram de se encontrar no sábado à tarde.
A Kaori foi para a casa do Juliano com o Thomás. Quando chegou na porta, ele queria dormir com ela. Ela disse que no sábado ia ficar na casa dele. Combinaram de dormir juntos. Ele convidou dizendo que queria curtir mais ela, fez questão de falar que não ia rolar nada, nem que ela quisesse.
Ela entrou e ele foi embora. De manhã, quando acordou, tinha uma mensagem dele enviada de madrugada falando pra ela ir olhar a porta. Ela foi toda curiosa. Ele tinha deixado um bilhete feito à mão e uma caixa de chocolates em forma de coração. Estava escrito um trecho da música “Morena – Victor Clay”. Ela ficou toda boba, super feliz, mandou uma mensagem:
“Oi, bom dia gatinho. Você não sabe como é bom acordar já cedo com uma demonstração de carinho dessas. Muito obrigada por tudo o que vem fazendo por mim. Eu fico até sem palavras pra descrever o quanto tô feliz. Você vem me ajudando muito, eu só consigo me sentir grata por ter te encontrado nesse momento difícil. Obrigada por tudo mesmo, de coração. m*l posso esperar pra te ver à noite.”
As declarações foram recíprocas por várias mensagens. Ela foi trabalhar e se sentiu m*l. Almoçou e vomitou, começou a ter enxaqueca, sentindo uma angústia, medo, insegurança. Ela saiu mais cedo e foi pra casa da Lisa. Já era mais de 13h.
No caminho pra casa, ela viu uma mensagem que o Rui tinha mandado:
“Fiquei te esperando pra conversar essa semana, me afastei porque não queria ser chato. Já sei pq vc não me procurou, vc tá com outro e me fazendo de o****o. Achei q a gente tava ficando, q dava pra ser amigos, mas me enganei. Na verdade vc nem queria nada comigo. Deve ter ficado pq não encontrou alguém mais trouxa pra ficar babando ovo pra vc enquanto tudo oq vc sabe fazer é criticar. O pior é q vc mesma tinha me falado várias coisas e eu fiquei achando q não era por m*l, levei na esportiva. Vc não é uma pessoa legal, achei q esse acidente fosse te mudar pra melhor, mas vc continua sendo a mesma.”
Ela leu cinco vezes, ligou em seguida possessa. Ele não atendeu, ficou rejeitando a chamada. Ela respondeu por áudio dentro do Uber, virada no jiraiya:
— Rui, vê se dá uma segurada porque você tá muito emocionado. A gente só ficou duas vezes, DUAS, e não deu nada certo. Você é muito chato, coitada da mulher que se submeter a aceitar suas merdas achando que você vai mudar. Pra um cara de 32 anos, você tá sendo bem imaturo e escroto. Ainda bem que não transei com você, porque além de trágico ia te deixar no meu pé se achando meu dono. Você nem me conhece, beleza? Para de falar de mim, da minha vida, como se me conhecesse bem o suficiente. Vai à merda, seu babaca! Não teve nem coragem de me atender, não é mesmo? Eu não tenho nada com você e fico com quem eu quiser!
Ele estava online, respondeu:
“Boa sorte pra vc mimada”
Ela mandou outro áudio:
— Você podia ter chegado em mim pra conversar numa boa. Eu te contaria tudo, não sou mentirosa. Quem você pensa que é pra falar comigo desse jeito? O que eu te fiz pra você me tratar assim? Eu que não quero sua amizade, nem amigos você deve ter, i****a!
Ele respondeu:
“Vc é mentirosa mesmo, vê se cresce princesa!”
Ela mandou dois áudios xingando, mandando ele pra tudo quanto é palavrão, chamou de imaturo várias vezes. Ela desceu do carro na casa da Lisa e falou pra ele que estava louca pra encontrá-lo. Ele só ficou lendo tudo e ignorando.
Ela entrou, foi tomar banho, ficou com muita raiva, mas também chateada, ofendida. Sentou no chuveiro chorando. O estresse só aumentou a dor, ficou tão forte que ela teve que ir para o hospital tomar remédio na veia. Juliano foi buscá-la e a levou.
No hospital, ela tirou uma foto do braço tomando soro e mandou para o Rui, perguntando se ele estava satisfeito por ter estragado o fim de semana dela. Ele respondeu:
“Vc estragou o meu último e eu não reclamei princesa”
Ela mandou um áudio:
— Não precisava de tudo isso. Faz um favor pra mim, esquece que me conhece, beleza.
Ele respondeu:
“ Eu não te conheço, vc mesma disse isso.”
Ela não mandou mais nada. Precisou passar a noite no hospital. A dor não dava trégua. A Lisa foi ficar com ela assim que deu. A Kaori chorou bastante a noite toda, disse que estava com medo de morrer, não queria conversar com ninguém, só reclamava da dor de cabeça, pedindo ajuda. A Lisa ficou chorando junto, desesperada.
Amanheceu acordada, preocupada. De manhã, quando o médico examinou melhor, disse que podia ser uma dor crônica, uma enxaqueca. Não fizeram exames, deixaram para a segunda-feira.
No domingo, ela foi pra casa com a mãe. O celular descarregou, ela não mexeu de sábado pra domingo. Quando chegou em casa, foi direto dormir, estava um pouco dopada. A Lisa não foi trabalhar pra ficar com ela.
Na hora do almoço, a Lisa fez ela levantar pra comer. A Kaori chorou bastante ainda durante a tarde. Por causa da medicação forte, o estômago ficou muito r**m, o corpo todo na verdade. Estouraram duas veias dela sem querer. O Juliano foi ficar lá um pouco, todo preocupado. Os dois tentaram cuidar dela da melhor forma possível.
Ela passou o dia deitada no sofá, deixou bem claro que não queria ver ou falar com ninguém. Comentou com os pais que estava com medo de morrer, falando que aquelas dores não eram normais. Disse que não queria morrer, pois ainda era muito jovem e não tinha vivido nada.