Capítulo 61

1475 Words
Capítulo 19 Depois de encerrar o expediente alguns ficaram bebendo do lado de fora do restaurante, a Ivone ia encontrar os filhos em uma festa da família do genro, ela fez questão de falar que um dos meninos ia buscar ela, a Kaori disse que não queria ver ninguém, a Ivone riu e falou que queria muito saber a versão dela dos fatos, a Kaori respondeu rindo: — Ahh não foi nada demais, o nosso santo só não bateu. Quando foram saindo todos juntos, o garçom começou conversar com a Kaori falando do trabalho mesmo, a Ivone se despediu e atravessou a rua, o Rui estava lá no carro esperando ela. Como estava longe deu para a Kaori fingir que simplesmente não estava vendo, mas ele viu ela perfeitamente rindo muito com o colega de trabalho. Ela e a Lisa foram embora de Uber, ainda quase sem conversar uma com a outra. A Kaori também estava ignorando o pai um pouco, ela estava cansada e sem tempo para qualquer pessoa na verdade. No sábado a Kaori foi direto do mercado para o restaurante, cedo ela já saiu de casa preparada com a troca de roupa na mochila, ia ganhar R$100,00 fazendo aquele horário. Ela chegou lá, tomou banho, se trocou e começou confirmar as reservas, depois ajudou na cozinha, era o dia que mais tinha movimento. Quando foi 19:00 o salão começou a encher, estava a maior correria. Era mais de 21:00 quando o garçom foi até a Kaori e falou que a mesa lá de fora chamou ela, ambos ficaram sem entender. Ele disse que parecia ser uma amiga dela, a Lisa estava atrás do balcão, falou que assumia o caixa para ela ir lá ver quem era. Tinham pedido um suco, ela aproveitou para levar, quando se aproximou deu boa noite, a moça conversou com ela dizendo que eram conhecidas, ela foi simpática, disse que a Kaori era cliente dela no salão. A moça estava acompanhada de duas amigas que ficaram sérias o tempo todo. Quando a Kaori voltou para dentro comentou com a Lisa rapidinho e continuou trabalhando. Alguns minutos depois o garçom comentou que os filhos da Ivone estavam lá. Antes disso a Kaori já começou a se sentir m*l, com falta de ar, aperto no peito. Quando soube que o Rui estava lá ficou mais tensa ainda. Eles sentaram lá fora e ela não os viu. Foi o maior horário de pico no caixa para fechar as comandas, a Lisa se aproximou para ajudar e notou que a Kaori estava suando frio, ela perguntou o que a Kaori tinha, ela respondeu: — Não tô me sentindo bem, tô com falta de ar, preciso de água. A Lisa mandou ela ir para a cozinha beber água e lavar o rosto. Ao se levantar a Kaori se sentiu pior, estava pálida, tremendo. Ela foi para a cozinha, sentou, o m*l-estar não passava então a patroa liberou ela para ir embora mais cedo. Ela ligou para o Juliano, ele já estava na cama, ela preferiu não incomodar, chamou um Uber, pegou as coisas, passou para se despedir da Lisa no caixa e saiu pelos fundos. Tinha um corredor que dava na calçada, ela saiu distraída mexendo no celular, digitando uma mensagem para o pai explicando o que estava acontecendo, então a cliente que havia chamado ela antes se aproximou e falou: — Você já vai, querida? Ela sorriu e respondeu disfarçando o m*l-estar: — Sim, por hoje já encerrei. A moça se aproximou e falou irônica: — É muito conveniente que você tenha perdido a memória, sabe? Porque eu particularmente acredito que só Deus sabe o quanto você é v4g4bund4. Vai me dizer que se esqueceu como ser put4 também? Pir4nha! A Kaori ficou séria, assustada, e falou que não sabia do que ela estava falando. Era a Cíntia, noiva de Daniel o professor que Kaori foi am4nte. Ela jogou um copo de suco no rosto da Kaori e falou bem calma: — Se você se esqueceu pode ficar tranquila que eu vou fazer você lembrar de tudo, da pior maneira possível, sua put4! A Cíntia voltou para o restaurante. A Kaori nem reagiu, ficou quieta, tentou limpar o rosto na blusa, os olhos estavam ardendo. O Rui se aproximou, colocou a mão no braço dela e falou: — O que aconteceu? Por que ela fez isso com você? Ela balançou a cabeça que não, chorando. Ele perguntou se ela estava bem, ela segurou nele e falou desesperada: — Me leva embora daqui. Por favor, me ajuda! Ele queria chamar a Lisa, ela estava muito nervosa e pediu para ele não falar nada. Ele disse que precisava entrar lá pegar as chaves do carro, ela não conseguia parar em pé sozinha dizendo que estava com falta de ar. Ele ficou perdido querendo ajudar, mas sem saber o que fazer, estava assustado com ela. Perguntou o que podia fazer, o que estava acontecendo. O Uber dela chegou, ela falou: — Meu Uber chegou, vou pra casa. Não conta nada pra ninguém, por favor! Rui, promete?!?! Ele acompanhou ela até o carro e entrou junto, falando que não podia deixar ela sozinha daquele jeito. Ela estava tendo um ataque de pânico, tomou dois calmantes no carro e foi ficando melhor, mas ainda chorando. Ele ligou para avisar que tinha ido embora com uma amiga. A Daia perguntou que amiga, para ele ter ido daquele jeito sem nem falar tchau, ele falou que estava com a Kaori. Ela disse que tinha certeza e que não ia falar nada para ninguém. No caminho a Kaori falou com os pais para tranquilizá-los, o Rui digitou para ela. A Lisa ia sair, como de costume, passear, e já estava querendo desmarcar para ir cuidar da filha, mas ao conversarem a Kaori fez ela acreditar que estava tudo bem e ela decidiu sair. Durante o trajeto os dois não conversaram quase nada. Chegando na casa dela, desceram, ele se ofereceu para pagar, mas já havia descontado do cartão dela. Ele falou preocupado: — Você tá legal? Pra ficar sozinha? Ela respondeu: — Não sei, mas tô segura em casa. Pode ir, eu me viro! Ele ficou parado vendo ela abrir o portão. Ela entrou e agradeceu ainda com o portão aberto, ele disse que não tinha sido nada demais e que o segredo dela estava seguro. Ela respondeu escorada no portão, se sentindo m*l: — Pode ficar, se quiser! Eu tô com medo. Ele falou: “Eu quero” e foram entrando sem falar nada. Ele ficou próximo segurando ela, ajudou tirar a mochila. Ela disse que ia tomar banho, ele sentou na sala e ligou a televisão. Ela estava toda suja de suco, demorou no banho. Quando saiu do banheiro passou pela sala de toalha, foi para o quarto se trocar, vestiu pijama e pantufas. A porta ficou aberta todo o tempo enquanto ela se trocava. Ele ficou sentado quieto na sala, até que ela saiu do quarto como se nada tivesse acontecido e falou: — Você quer alguma coisa? Tá com fome? Ele respondeu surpreso: — Não, obrigada. Você tá melhor? Ela respondeu indo para a cozinha: “Aham.” Ela foi tomar água, ficou encostada na pia olhando para o nada, pensativa. Ele se aproximou e falou: — Posso fazer algo por você? Quer conversar? Quer que eu vá embora? Tô sendo ch4to, né? Eu fiquei assustado, nunca vi ninguém daquele jeito antes. Ela respondeu se aproximando devagar, olhando ele nos olhos: — Quero que você fique. Ele respondeu olhando sério para ela: — Eu quero ficar. Ela o beijou sutilmente, ele correspondeu ao beijo, colocou as mãos na cintura dela suavemente, como se estivesse com medo de encostar. Ela parou de beijar, se encolheu no abraço dele. Ficaram abraçados alguns minutos em pé na cozinha. Ela deu um selinho, se soltou, fechou a porta da cozinha, desligou a televisão e chamou ele para ir no quarto. Ele parou na porta sem saber o que esperar ou como se comportar. Ela pegou ele pela mão, levou para a cama, ele sentou e falou confuso: — Você quer que eu me deite? Ela respondeu irônica: — Não esqueci como foi da última vez, tá bom? E hoje eu simplesmente não me importo. Se quiser pode ir embora, de boa! Ele ficou quieto, tirou o tênis, ela ligou a televisão, apagou a luz, deitou no canto da cama. Ele, ainda sem jeito, foi deitando, colocou o braço embaixo da cabeça dela. Ela deu o controle da televisão para ele colocar algo e começou beijar o pescoço, pedindo para ele tirar a camiseta. Ele tirou, começou tentar escolher algo pedindo a opinião dela, ela falou, subindo em cima dele e tirando a parte de cima do pijama: — Pra ser sincera eu nem gosto muito de assistir, põe qualquer coisa.
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