Capítulo 67

1064 Words
Capítulo 25 A Kaori ouviu tudo calada, começou a chorar e pediu desculpas por ser um problema. Disse que ficava com raiva de ver o Juliano numa boa e a Lisa não. Elas conversaram por mais de uma hora; ambas falaram tudo o que estava incomodando. A Lisa contou o que aconteceu com o Carlos: ele queria mais dela e ela não se sentiu pronta, então terminaram e ele foi bem firme na decisão. Ela estava gostando dele, da companhia e da amizade, mas era pouco; para se assumir pra valer, teria que ser algo mais arrebatador. A Kaori contou tudo sobre o Daniel, as coisas que a Joyce disse. A Lisa perguntou se ela queria falar com ele; ela disse que sim, então juntas decidiram marcar para vê-lo. A Kaori ligou e disse que precisava vê-lo. Ele mesmo foi falando que já imaginava o motivo, que sentia muito pelo o que aconteceu e que queria muito vê-la. Marcaram para a noite, ele iria na casa dela mesmo. A Lisa estaria lá para vigiar. Ambas não sabiam o que esperar dele. Quando ele chegou, era 18:30. Ela saiu na calçada e falou séria: — Oi, Daniel. Ele saiu do carro e respondeu querendo se aproximar: — Oi, Kaori, tudo bem? Ela disse que poderia estar melhor. Falou que iam ficar na calçada ali mesmo. Ele falou que tudo bem, que queria ter conversado com ela antes, mas que faltou oportunidade. Ela pediu para ele contar tudo. Ele começou falando que tudo somente aconteceu porque os dois se gostavam muito. Ela foi grossa e falou que queria a verdade. Ele contou tudo, foi muito sincero, descreveu tudo nos mínimos detalhes: os encontros românticos na casa dele, as escapadas no meio do dia, os passeios que foram inesquecíveis, a viagem romântica no último mês juntos. Quando ele falou do primeiro término, ela já quis chorar. Ele disse que estava mesmo gostando dela, mas que com a Cíntia grávida ele teve que escolher. Ela perguntou chorando se eles se encontraram no dia do acidente. Muito chateado, ele falou tudo o que aconteceu, que terminou com ela, e disse que ficou muito culpado por tudo. Pediu perdão para ela por ter ido tão longe; disse que ela era uma menina e ele um homem, que aquilo não devia ter acontecido daquela forma nunca. Ele e a noiva já haviam se separado novamente e ela não queria voltar com ele de jeito nenhum; fazia ameaças diárias usando a gravidez. Enquanto eles conversavam, ela ouviu o Rui passando, mas não viu porque estava sentada no chão perto da guia e o carro estava na frente. O Daniel ofereceu ajuda financeira, disse que queria estar perto para ser um amigo ou algo a mais. Ela respondeu irônica que nunca ia dar certo, que não sabia como suportou tanta humilhação por tanto tempo, sendo amante. Ele estava quase chorando, disse que eles estavam apaixonados, que iam morar juntos. Ela respondeu: — Ainda bem que rachei a cabeça e me esqueci. Porque com certeza eu seria muito infeliz sendo sua segunda opção por mais tempo. Ela se levantou e disse que não queria a Cíntia fazendo as coisas para prejudicá-la, porque ela ia começar a revidar e não tinha nada a perder. Ele disse que já tinha conversado com ela após aquele perfil e ela não ia fazer mais nada, também porque estava se mudando para morar mais perto dos familiares dela. A Kaori foi fria e grossa todo o tempo. Ele estava abatido, cabisbaixo, realmente sofrendo; achou que ia encontrá-la de uma maneira diferente, que talvez fossem voltar. Ele também falou tudo o que sabia das amizades dela, os problemas com os pais. Contou que a Bianca não gostava dele e que não apoiava os dois, que por isso se afastou. Ele foi embora mais de 22:00. Ela ficou arrasada com tanta informação r**m, chorou bastante antes de dormir, teve que tomar calmantes. A Lisa ficou na cama até ela pegar no sono, dando colo de mãe. No dia seguinte, ela já acordou mais calada. Trabalhou no mercado sem conversar com ninguém, depois foi para o restaurante à tarde. A Ivone estava organizando os talheres, higienizando e embalando; ela foi ajudar. A Ivone perguntou se ela estava bem, comentou que ficou sabendo do que aconteceu na internet. Ela respondeu chateada: — Não tô muito bem não, tô tentando digerir tudo ainda. Eu tô muito decepcionada comigo e com todos que vêm mentindo pra mim desde que acordei depois do acidente! Às vezes eu preferia ter ficado dormindo para sempre. Ela derramou algumas lágrimas sutilmente. A Ivone disse que todos só queriam o bem dela, que se mentiram foi por proteção. Ela respondeu triste: — Então você sabia também. Todo mundo sabe tudo, menos eu. A Ivone respondeu que era amiga mesmo da mãe dela e, dela, só uma futura sogra; que a prioridade era a Lisa. Elas começaram a rir. A Kaori falou chorando: — Ah é? Por quê? O Rui andou falando de mim? Minha mãe nem sabe que a gente ficou junto no dia que folguei. Se ela souber, vai brigar comigo! A Ivone arregalou os olhos e falou surpresa: — No domingo!? Eu também não sabia. Como assim? Mas, menina, vocês só ficaram ou ficaram mesmo?? Na hora, a Kaori ficou corada de vergonha e falou rindo: — Não sei se estou autorizada a te contar. Minha prioridade é o Rui, meu amigo é ele, você é só a mãe do meu amigo. A Ivone disse que nem precisava dizer mais nada, que já sabia a resposta porque ele não falou nada para ela. Ela perguntou se foi bom, a Kaori respondeu: — Muitoooo. Vou te contar, mas não fala nada para ele nem para minha mãe, por favor. A gente já ficou uma vez, mas eu não estava muito bem, tomei meus remédios um pouco antes, foi horrível. Ele ficou muito bravo comigo. É que, na verdade, eu queria sentir algo emocionalmente; usei ele e não deu certo porque ele percebeu que eu não estava com a cabeça lá de fato. Mas a culpa foi toda minha, ele foi muito legal. Aí no domingo tive a oportunidade de me permitir, mas foi diferente. Eu não fiz para sentir nada, eu fiz porque já estava sentindo. Foi incrível, queria ter conhecido o Rui em outra fase da minha vida!
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