Capítulo 93

1444 Words
Capítulo 51 Ela ficou chorando, deitou no colo dele, e o choro sentido era também por ele estar ali. Ela não era capaz de compreender na época, mas nada a deixava mais triste ou mais feliz do que ele, porque estava perdidamente apaixonada e, mesmo sem reconhecer, já sabia que era algo inalcançável. Por mais que ele fosse legal, não era algo recíproco aquele amor. Ficaram abraçados até que o celular dela tocou. Era o Enzo, dizendo que estava chegando pra vê-la. O Rui pôde ouvir e ficou quieto enquanto ela conversava. Ela disse que não estava sozinha, mas o Enzo nem ligou. Assim que desligou, o Rui falou que ia embora. Ela respondeu: — Você pode ficar, ele é só meu amigo. O Rui respondeu irônico: — Eu também, só um amigo. Ela disse que não queria aquele tipo de comportamento rolando entre eles. Ele perguntou se ela estava ficando com o Enzo, já que estavam bem próximos, postando fotos juntos, e ele mesmo tinha visto o carro dele ali por horas alguns dias antes. Ela respondeu exaltada: — Vai embora! Você não tem o direito de me tratar assim. Você quis terminar, eu não te devo satisfação. Eu vi você com outra também, e daí? Veio aqui pra brigar comigo? Eu acabei de perder um filho seu, você não me respeita! Ele disse que estava cansado, que pelo menos companhia não ia faltar pra ela, já que sempre tinha gente atrás dela o tempo todo. Ela foi grossa, falando que não queria mais a amizade dele porque ele sempre dava um jeito de magoá-la. Ele saiu bravo, disse que era o certo a se fazer, ficar longe, e a deixou chorando. Quando o Enzo chegou, ela pediu pra saírem dali. Ele a levou pra comer fora. Estava preocupado com ela. Quase não conversaram, ela estava muito triste por causa de tudo. No dia seguinte, ela contou pra ele que o Rui não gostou de saber que ele tinha ido lá. O Enzo foi direto, disse que era ciúmes, que se ela quisesse ele se afastaria, porque não queria prejudicá-la de forma alguma. Ela disse que não ia perder uma amizade de tantos anos por causa de uma pessoa que nem sabia o que queria. O Enzo respondeu que o Rui sempre soube o que queria, que entendia que era demais pra ela, e reforçou que alguém como o Rui nunca ia entender a intensidade dela. Ela não conversou mais com o Rui. Naquela semana, foi à casa dele ver a Daia. Ela estava embalando as coisas pra se mudar. Conversaram muito, a Kaori passou a tarde toda lá. Evitavam falar do Rui, mas a Kaori comentou que estava muito magoada com ele. A Daia disse que ele estava com raiva, que não podia escutar o nome dela que virava um bicho. A Kaori perguntou se ele estava saindo com a enfermeira. A Daia disse que era coisa antiga, que ficavam às vezes, mas nada sério. A Kaori confessou que tinha ficado com o Enzo há algum tempo e contou que não foi como esperava, que nada mais seria depois de tudo o que viveu com o Rui. Ela foi embora antes do Rui chegar do trabalho. Eles estavam organizando a ceia de Natal, a família da Ivone ia se reunir. A Lisa, namorando o Hugo, também iria passar com eles. A Kaori falou pra Daia que ia passar com o Juliano. Naquela semana, o Miyuki chegou de viagem. A Kaori foi ficar na casa do Juliano no mesmo dia, e o Hugo chegou no dia seguinte pra ficar na casa da Lisa. No dia 23/12, a Kaori encontrou o Thomás no elevador. Ele a cumprimentou, mas não puxou assunto. Quando ela foi sair, ele perguntou se podiam conversar qualquer dia. Ela respondeu: — Não. É melhor não. Ele disse que tudo bem, ficou sem graça. Ela falou que ele era uma pessoa muito legal, mas que não podia ser amiga ou qualquer outra coisa dele, que não era viável. Ele disse que lamentava e desejou Feliz Natal. Ela sorriu, desejou o mesmo, disse tchau e saiu do elevador. Na véspera de Natal, ela tinha marcado de fazer o cabelo com a Daia. A Bibi tinha chegado pra ficar com a família dela e levou a Maria também. Marcaram de ir juntas fazer o cabelo logo após o almoço. A Daia saiu no portão pra recebê-las. A Kaori e ela se abraçaram, e a Daia já começou a pedir pra Kaori passar o Natal com eles, dizendo que a Lisa estava triste por passar sem os dois filhos. Foram entrando pelo corredor externo. A moto do Rui não estava na garagem, e a Kaori reparou na hora, com medo de vê-lo. Foram para o salão. A Maria começou primeiro, com o cabelo vermelho-fogo, depois a Kaori e, por último, a Bibi. Tinham levado cervejas e colocado na geladeira. A Daia disse que estava sozinha e, enquanto faziam o cabelo, começaram a beber. As quatro tiraram uma foto juntas e postaram. A barriga da Daia estava grande, todas colocaram a mão, ficou uma foto linda. Antes de ir embora, a Kaori entregou alguns presentes pra Daia: pra ela, pro bebê, tinha até pra Ivone e um para o Rui. A Daia, surpresa, perguntou se a Kaori não queria entregar pessoalmente. Ela disse que não. O presente era uma camiseta personalizada sobre motos, com as marchas e o nome dele. As três foram pra casa da Bibi. A Kaori deu um jeito de evitar a família paterna e passou a ceia lá. Trocou mensagens com a Lisa, disse que queria vê-la, mas que não se sentiria bem na casa da Ivone com a casa cheia. A Lisa não a via há dias, e o Miyuki ficaria com ela no dia 25/12. Combinaram de se ver quando a Lisa fosse buscar o Miyuki. No dia 25/12, a Kaori dormiu até tarde e deixou o celular desligado sem querer. A Lisa ficou chateada, tentou falar com ela sem sucesso. Quando a Kaori acordou e ligou o celular, já estavam almoçando na casa da Ivone. A Lisa mandou mensagem dizendo que não ia mais tentar, que precisava focar nela mesma, que estava cansada daquele comportamento, que ia viajar à noite e só voltaria no próximo ano. A Kaori explicou que estava dormindo, que não fez por m*l. A Lisa só visualizou. O Juliano também tentou falar com ela e ficou chateado porque ela sumiu. O dia começou péssimo. À tarde, a Kaori decidiu ir ver a Lisa, só a Maria foi com ela. Estavam todos na garagem festejando, o portão aberto. A Ivone foi falar com elas na calçada e perguntou pela mãe. Ao saber que a Lisa já tinha viajado, os olhos da Kaori se encheram de lágrimas. — Eu sou um problema. Só isso! Eu não fiz de propósito, eu juro… mas quem vai acreditar em mim, né? A grande mentirosa! A Ivone abraçou ela, disse que acreditava. A Kaori respondeu: — Não importa. Se conseguir falar com ela, não precisa dizer que eu vim aqui. A Daia saiu também e chamou a Kaori pra entrar, mas ela preferiu ir embora. A Maria disse que cuidaria dela. Mais tarde, a Kaori foi até a casa da Lisa buscar algumas coisas. Enquanto arrumava, avisou a Bibi que estava indo embora pra casa delas. Quando colocava os sacos no carro, o Rui chegou. Ele falou sem jeito: — Oi, vim agradecer o presente. Ela respondeu séria: — Espero que tenha gostado. Ele disse que tinha levado algo pra ela também. Entregou um embrulho. Ela agradeceu, perguntou se precisava abrir na frente dele. Ele disse que não, que achou a cara dela, que seria útil. Disse tchau e foi embora. Não teve abraço, nem beijo no rosto. A Maria ficou impressionada com o quanto eles claramente queriam mais, mas não fizeram nada. À noite, a Kaori abriu o presente: uma agenda do próximo ano e um jogo de canetas coloridas. Ela gostou muito, achou irônico. A Lisa não entrou mais em contato. O Juliano ficou bravo porque ela foi embora sem se despedir. Ninguém sabia o endereço novo dela. A Maria trabalhou na última semana do ano. A Kaori estava abatida, mais magra, mas funcional. Trabalhou com a Maria, enquanto a Bibi saía todas as noites, inclusive com o Enzo. No dia 31/12, a Joyce convidou a Kaori pra passar a virada com eles, mas ela disse que ia trabalhar. À noite, a Bibi apareceu animada dizendo que não ia começar o ano sem as va.dias preferidas dela. As três riram, se animaram e decidiram sair pra uma balada.
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