Capítulo 125

1342 Words
Capítulo 83 Ela falou: — Bibi, esse lugar não é pra você, esse é um dos motivos que vocês nunca deram certo. Vocês podem continuar juntos e vamos dando um jeito, pensa na Maria, a prioridade é ela. Eu só quero o bem de vocês! A Bibi ficou quieta, ouvindo. A Giovana logo saiu correndo do portão da escola, gritando animada, abraçou a Bibi e falou que queria mostrar a Maria para a professora. A Bibi falou, pegando a Maria no colo: — Aé? Você quer exibir sua prima pra todo mundo, né? Quero só ver se vai ter reclamação de você hoje, mocinha. A Giovana falou, rindo: — De mim não, né? Eu não sou b***a. Espera, espera, deixa eu chamar minha amiga pra ver a Maria também! Elas foram até lá no portão, a criançada ficou em volta querendo ver a bebê. O Tales logo saiu desinibido. A professora dele trocou algumas palavras com a Bibi, comentou que ele estava com desempenho r**m, disperso, sem vontade nenhuma de nada. Ele ficou ouvindo tudo do lado, com carinha de coitado. A Bibi falou que as coisas estavam difíceis em casa, por causa dos problemas de família. A professora foi compreensiva, só disse pra redobrarem atenção com o menino. A Bibi falou com ele, perguntou como foi a aula. Ele m*l respondeu. Quando chegaram próximos da Kaori, a Bibi pediu para os dois serem educados. A menina falou oi, já o menino ficou quieto, emburrado. A Bibi perguntou por que ele tinha feito aquilo. A professora também estava reclamando do comportamento dele, porque ele a respondeu m*l. Ele disse que se irritou com um colega que ficava rindo dele por coisas comuns, colocando os demais coleguinhas contra ele. No caminho pra casa, ela começou a conversar, o repreendeu, deu um pouco de sermão. Ele ficou quietinho. A Kaori estava só ouvindo tudo, quieta também. Eles passaram na padaria. A Giovana entrou comprar pão, se gabando porque sabia mexer com dinheiro. Na verdade, ela sabia que dez reais dava pra uma quantidade x de pães. Eles estavam todos na calçada. O Tales criticou ela, dizendo que o dinheiro nem era dela. Ela respondeu, afrontosa: — E daí? Eu nem ligo, todo mundo vai comer o pão do mesmo jeito. Você que é burro, não sabe nem comprar o pão direito. Tá na primeira série, parece, burrico mesmo! Ele ficou muito bravo, quase chorando. A Bibi pediu para os dois não começarem. Ela comentou que o menino tinha um atraso escolar, muita dificuldade com matemática. Ele estava muito irritado, foi sair andando na frente delas. A Bibi chamou a atenção dele uma vez, ele já ficou parado esperando, mas super emburrado, bicudo. Ela foi embora sem conversar com a Kaori. Quando foram entrando em casa, ele falou, criticando, que a Tata não tinha ido buscar eles e que nem tinha lavado a louça ainda. Falou como se fosse o homem da casa, todo mandão. A Tata respondeu, brava, que já ia lavar. Ele retrucou que queria tomar leite logo e que não tinha caneca limpa. A menina gritou: — Então lava pra você, menino chato, que saco! Ela foi lavar a louça chorando de raiva, empurrou ele de perto da pia. A Bibi pediu para a Kaori pegar a Maria e falou para a menina: — Tata, vai deitar na sala, deixa que eu lavo. Eu não quero ninguém brigando aqui. Olha o respeito! Vai sentar na mesa, Tales. Vocês já lavaram as mãos? A Tata foi chorando para a sala. A Giovana perguntou por que ela estava choramingando daquele jeito. A Bibi respondeu: — Ela tá com dor e vocês dois deixem ela quieta. Vocês lavaram as mãos? Eu não vi. Essa é a pressa de vocês? Andem logo! Os dois saíram da cozinha, se estranhando ainda. A Bibi falou para a Kaori que a Tata tinha virado mocinha e que estava com cólicas. A Kaori disse que não se lembrava dela. A Bibi respondeu: — Ela é filha da irmã do Breno, os outros dois são filhos do irmão mais velho dele. Você só veio aqui pra reparar e criticar, né? Se você soubesse o quanto a Marlene se esforça por essas crianças, não ia ficar falando aquelas coisas. Você tá cega, sabe, e eu nem te reconheço às vezes, toda esnobe, metida a b***a. Minha mãe já fez sua cabeça, pelo jeito. Como se você não conhecesse ela! A Kaori respondeu, chateada, que não tinha ido lá pra criticar nada. Ficaram em silêncio, porque as crianças voltaram. A Bibi lavou a louça, colocou o café na mesa e foi recolher roupa no quintal. A Kaori foi atrás, ainda quieta, ficou olhando. Eram roupas de bebê menina, três varais cheios. Ela colocou a Maria no carrinho e começou a ajudar. A Bibi falou, chateada: — Tá vendo isso tudo? Foi ganhado, tem coisa novinha aqui até. As vizinhas, colegas da Marlene, fizeram um mutirão pra gente. Aqui pode ser pequeno, a gente divide o quarto mesmo, mas eu tô gostando, porque ninguém me trata diferente. Me receberam de braços abertos, sem críticas, ninguém ficou me julgando porque escondi a gravidez, nem porque eu errei. Eu frequentava aqui direto e ninguém sabia, nem você. Minha mãe não podia nem imaginar. No final do ano passado, mesmo com o Diego, eu vim, porque aqui me sentia bem. Sempre fui tratada como uma deles. Ninguém nunca ficou questionando nada, desde que namorei o Breno há tantos anos atrás. Você não entende isso, sabe? Porque sua mãe é mãe de verdade. — De manhã, a Tata vai pra escola e a mãe dela vai trabalhar. Na hora do almoço, a Marlene vai trabalhar, leva os dois pequenos pra escola e, à tarde, a Tata busca. A Marlene só chega de noite, bem tarde. Aqui todo mundo ajuda em tudo nas tarefas, todos se esforçam. Até a Giovana ajuda pra não ficar m*l acostumada. Elas têm medo das crianças irem para o mau caminho, por isso pegam tanto no pé. Não é fácil. O Tales é viciado em jogar, assistir, por isso fica dormindo no sofá e por isso tá indo m*l na escola. Ele é muito nervoso, emotivo. A mãe dele o maltratava, usou drogas na gravidez toda. O pai não liga pra eles, tem outra família, outro filho. Eles sentem tudo isso. — A Giovana gosta de chamar atenção e tem resposta pra tudo na ponta da língua. Ela sente muita falta do Breno, era grudada nele. Eles não entendem por que tanto abandono. Eu ficando aqui posso ajudar com tudo, vigiar as crianças e retribuir tudo o que já fizeram por mim. Vou ficar aqui, Kaori, e se você não me ajudar no restaurante, vou procurar outro trabalho. Eu preciso de dinheiro, eu não vou voltar atrás, porque a minha filha nunca vai passar por tudo o que passei. A Kaori se desculpou por estar julgando eles. Ficou até de noite para aproveitar a Maria um pouco. Ela pôde ver que a Giovana estava saindo da escola arrumadinha, só um pouco descabelada, coisa de criança. Viu que ambos tiravam o prato, agradeciam pela refeição. Tudo o que viu no outro dia eram só crianças sendo crianças. Quando a irmã do Breno chegou, ela cumprimentou a Kaori, perguntou para a Bibi se estava tudo bem, como foi com as crianças. Ela era educada, atenciosa, mesmo parecendo cansada, foi legal. Comprou para a filha chocolates, remédio e três tipos de absorventes diferentes. Perguntou se a menina estava melhor, disse que era bom aquilo, que ela teria mais liberdade e também responsabilidades. Combinou de levar ela comprar maquiagem, esmaltes pra comemorar. A Kaori ficou olhando, intrigada, admirando, porque nem a Lisa foi tão legal quando ela se tornou mocinha. As crianças logo começaram a brigar por causa do chocolate. A Giovana estava querendo guardar o dela para depois do jantar, o Tales queria comer o dele. Os dois se provocavam o tempo todo, disputando atenção e espaço. Quase apanharam na frente da visita e ficaram de castigo!
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