Entre Beijos e Segredos

874 Words
Cheguei em casa exausta e tudo o que eu queria era um banho gelado para aliviar o cansaço do treino pesado. Comecei a tirar a roupa e caminhei até o banheiro, pensando em tudo o que estava acontecendo. O beijo do Lucas, a forma como ele reagiu depois, o que aconteceria se o Léo descobrisse — e, pior ainda, se descobrisse por outra pessoa. E, como se não bastasse, a proposta inesperada do Theo pairava na minha mente. Será que uma pessoa podia ter tantos pensamentos ao mesmo tempo? Eu não sabia direito o que fazer. Mas havia uma coisa clara: precisava falar com a Milena. Ela sempre sabia ouvir sem julgar e, mesmo com a correria da sua volta à cidade, eu precisava da ajuda dela. Peguei o celular e escrevi: "Amiga, SOS! Sei que está mega ocupada com a sua volta, mas preciso de você! Pode vir aqui em casa? Estou sozinha." Milena respondeu quase que imediatamente: "Nunca estarei ocupada para a nossa amizade. Em cinco minutos estarei aí." Sabia que demoraria um pouco mais, já que ela morava em outro bairro, mas mandei um simples "ok, estou te esperando". Tomei o banho rápido e vesti uma roupa confortável para ficar em casa, sem previsão de sair. Poucos minutos depois, ouvi um carro parar em frente de casa. Desci rapidamente, imaginando que fosse a Milena. Mas ao abrir a porta, me deparei com o Lucas, com o olhar fixo no meu corpo. Eu estava com uma regata branca e um short preto de pijama. — Posso saber o que você está fazendo aqui? — perguntei, surpresa. — Quero saber quem te falou do campeonato da semana que vem. Sorri, cruzando os braços e dando uma volta, encarando-o. Ele tinha entrado na minha casa sem ser convidado. — Olha, não sei o que passa na sua cabeça, mas eu não te devo satisfação nenhuma. — Falei, me afastando dele. Ele agarrou o meu braço e me puxou para perto, aproximando os nossos lábios. Tentei me esquivar, mas ele insistiu. E, quando percebi, a minha resistência havia desaparecido. A química entre nós era inevitável. O beijo foi intenso, quente e demorado. Era uma sensação única, diferente de tudo que eu já sentira, como se estivesse flutuando, mesmo com os pés no chão. Ficamos ali por alguns minutos, saboreando aquele momento, até que percebi que estávamos sendo observados. Tive que interromper a magia. — Amiga… é… por que não avisou que estava aqui? Já chegou faz tempo? — perguntei, sem graça, para Milena, que estava sentada de pernas cruzadas no sofá. — Faz alguns minutinhos! Mas não queria atrapalhar o que estava rolando entre vocês. — Ela disse, colocando a mão na boca para conter o riso. — Não estava rolando nada, aliás, o Lucas já está indo! — falei, empurrando o Lucas para a porta. Ele resistiu por um momento, inclinando o corpo para me sussurrar algo: — Não quero ver você de graça com nenhum amigo meu. — Já disse que sou solteira e livre para fazer o que quiser. — Respondi, fechando a porta. Encostei na porta, fechando os olhos, tentando respirar fundo. Como aquele menino conseguia me tirar do sério assim? Por que Deus? Vi Milena rindo baixinho e me lembrei de que precisava explicar tudo a ela. — Eu posso explicar tudo. Era exatamente isso que eu queria falar com você! — Eu quero saber de tudo! Menina, que beijão foi aquele! Se eu não tivesse chegado, vocês estariam sem roupa agora! — Ela riu, balançando a cabeça. — Pare, nem brinque com isso! Estou super preocupada! E você não pode contar nada para o Léo. — Eita, mulher! O Léo não sabe de nada? — Não… se ele souber, não sei o que será da nossa amizade. Ela assentiu, séria, mas logo voltou a sorrir. — Relaxa, me conta tudo que aconteceu. E comecei a resumir as últimas semanas: o encontro inesperado com Theo, os treinos, o campeonato, e o beijo com o Lucas. Milena ficou chocada. — Cara, você está lascada! — disse, apoiando o queixo na mão. — Você sabe que o Léo não aceitaria a sua relação com o Lucas. Com o Theo até que dá para avaliar, mas o Lucas? Sem chance! — Eu sei disso… mas o problema é que não tenho controle. Nas duas vezes que beijei o Lucas, foi ele quem veio até mim. — Me levantei do sofá. — E se você contar para o Léo, mesmo que não signifique nada para você, não sei qual seria a reação dele. Por isso te chamei. O que você faria? — Olha, não quero influenciar a sua decisão… Mas deixa as coisas acontecerem. Sobre o Theo, você deveria ir ao campeonato, mas precisa contar ao Léo. Lealdade é importante. Ele te ama e é seu amigo — não acredito que ficaria bravo. Olhei para ela com ceticismo. — Ah, ele vai ficar bravo sim. Milena riu e me abraçou: — Talvez só um pouquinho, porque ele morre de ciúmes dessa coisa linda! Comemos algumas besteiras, rimos e ela chamou um Uber para voltar para casa. Eu fui me preparando para dormir, já pensando na manhã seguinte e no que faria sobre tudo aquilo.
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