Mr. Leroux

1312 Words
Enfim a cerimônia, uma ocasião solene e ao mesmo tempo discreta, sem chamar muita atenção, Mary se tornou Lady Einfeldt, um título da alta nobreza Britânica, cobiçado por muitas mulheres. Louis era um homem de poucos amigos, mas sempre foi muito respeitado e querido por todos, sua antiga esposa se preocupava muito com isso, ela sem dúvidas era a mulher da sua vida. Talvez Mary não preencheria por completo a falta que ela fazia. E o tempo passava, Mary sentia a distância de Louis apesar ambos terem se casado por interesse, um tinha o que o outro queria e chegou a hora de Louis cobrar seu preço. — Querida, queria conversar sobre um assunto, sei que não estamos juntos há muito tempo, mas acho conveniente pedir-te. — Sim querido, fale. — Sabes que o que mais quero é um bebê, não é? Você está em idade boa para reproduzir e... — Compreendo apesar de pensar ser muito cedo ainda, mas se esse é seu d****o querido, então teremos um bebê.— Louis ficou radiante de alegria ter um filho sempre foi seu maior sonho. — Hoje terei uma reunião com meu advogado, sobre negócios, claro, se quiser participar. — Não querido, sabe perfeitamente que não levo jeito para isso. — Ele sorriu e pensou “serei eu e meu filho nos negócios”. Quando o advogado chegou ofuscava os olhares das empregadas, era um rapaz jovem e bem afeiçoado, no início de sua carreira com apenas 23 anos, era muito competente em seu ofício, seu falecido pai era advogado de lord Einfeldt, quando morreu pediu que este posto passasse ao filho e Louis cumpriu de prontidão ao pedido de seu velho amigo. — Seja bem vindo Mr. Leroux. O advogado entrou, logo Louis veio recebê-lo. — Mr. Leroux, que bom que chegou, como está? — Olá, my lord, estou bem sim, meus parabéns pelo casamento no dia da cerimônia estava um caos não consegui cumprimentá-los. — Compreendo sim, muito obrigado, me renovei ao ver a bela doce Mary Victorya já a conhece? — Não tive a oportunidade ainda, my lord. — Vou lhe apresentar e que você seja o primeiro a saber, vamos ter um bebê. — Novamente meus parabéns, my lord, sem sombras de dúvidas o senhor é um homem de sorte. — Veja este é meu advogado e grande amigo Mr. Leroux. — Como vai my lady? Hendrik Leroux. — Olá, Lady Mary Victorya Einfeldt, é ótimo lhe conhecer, ouvi coisas estupendas a seu respeito. — Que bom, my lady. — Vou deixá-los trabalhar, até breve. — Até, my lady. Mary ficou trêmula com aquele homem, devia ter a mesma idade que ela imaginou, “ tão belo, como nunca o vi antes?”, passou horas de seu dia pensando em Hendrik, não queria pensar nele, havia o conhecido não fazia nem 24h e ainda assim ela era casada, uma lady, nunca poderia envergonhar o nome de Louis, não depois de todo o apoio que ele lhe deu quando mais necessitou. Ela dizia a si mesma: — Casar com Louis era tudo o que você queria, não perca sua sanidade Mary, lady Einfeldt, ele é apenas um advogado qualquer, em seu começo de carreira, nem tem tanto a oferecer, não esqueça do bebê! Você será mãe em breve. — Mary dizia a si mesma em frente ao espelho, tentava compreender por que tinha pensamentos tão sórdidos com aquele rapaz o qual a fez sentir, sensações que não tinha nunca imaginado sentir, isso tudo com apenas um olhar. Os dias foram passando, Mary já estava grávida e cada vez mais percebia o muro que estava se erguendo entre ela e Louis, um muro com nome e profissão, Hendrik Leroux, advogado da família Einfeldt. — My lady, a senhora Wolffttenbutell está à sua espera na sala de estar. — Sim, Louis está? — Não, my lady. — Sabe onde ele foi? — Acho que resolver alguns negócios, my lady. — Pode dizer a Beth que já desço recebê-la. Mary estava especialmente distante do mundo naquele dia, analisava com cautela todas as escolhas que tomou tão depressa na sua vida, pensava em como aquele advogado “ Mr. Leroux”, era tão belo, descendo as grandes escadas de ouro maciço, quis dar fim ao seu sofrimento. — Não Mary, hoje você irá viver! — Disse a si mesma com coragem. — My lady. — Mary chorou nos braços de sua querida amiga Beth, soluçava sem parar como uma criança quando perdia seu doce pro irmão mais velho, isso lhe acontecera muito na infância seu irmão era m*****o com ela quando era apenas uma garotinha, sabia que sua caminhada seria somente ela e agora não estava só. — Estou péssima Beth! — Querida tente se acalmar, não entendo, o que há? Louis a trata m*l? — Não, eu não sei o que devo fazer para isso acabar. — Do que está falando Mary, você devia estar feliz porque está grávida e casada com o lord mais rico da coroa britânica. — Ele, Louis tem um advogado Beth, ele me lançou olhares perturbadores a cada visita nesta casa.— Mary continuava aos prantos, deixando Beth apavorada. — Não entendo, como assim “perturbadores”? — Me arrependo de ter me casado com Louis, d****o estar com Mr. Leroux, me diga o que fazer para esquecê-lo? — Está louca! Cale a boca, se alguém te escutar dizendo isso Mary, não quero nem pensar no que pode acontecer. — O d****o, com todo o meu angustiado coração, quero ir embora, Louis não, nunca me amou, nunca vai me amar, tudo ele me compara com a esposa morta ridícula que ele tinha. — Você está grávida, n******e fazer isso e além do mais nem sabe se Mr. Leroux lhe quer. — Me traga a realidade, estou sufocando esse sentimento, mas não sei se consigo suportar. — Você precisa conseguir, você consegue, evite vê-lo ou estar no mesmo recinto que ele. — Tentarei, mas dói tanto isso Beth.— Mary continuava chorando desesperadamente. — Tente manter a calma pelo bebê. — Viverei para meu bebê. Apesar de não o querer. E assim os meses foram se passando e Mary não viu mais o advogado. Chegado o momento do parto, todos estavam muito nervosos, pois era um nascimento prematuro, depois de quatro horas dentro da sala de partos o médico saiu para dar a notícia. — Dr. e então? Como está o bebê? E Mary? Não ouvimos o choro por que? — Lady Einfeldt está bem apesar de estar extremamente fraca... — E o bebê Dr.? — Eu sinto muito, my lord! O menino nasceu morto, era um parto de risco dificilmente ambos sobreviveriam mas por um grande milagre de Deus sua esposa está firme e forte, somente terá que manter algumas semanas em repouso, lhe aconselho a ir vê-la nesse momento ela está muito frágil emocionalmente. Mary no começo como toda a mãe de primeira viagem ficou completamente desolada com a perda do bebê, para ser mais exata nas duas primeiras semanas esteve incomunicável, isolou-se do mundo nem mesmo Beth ou Louis conseguiram animá-la, não se alimentava direito, não saia de sua cama, sua única razão de viver havia morrido antes mesmo de vir ao mundo. Na terceira semana já estava melhorando e recebendo visitas. — My lady, Mr. Leroux está aqui e quer lhe ver. — Louis não está? — Não, my lady. — Diga que me espere na biblioteca. Mary pensou em exitar e não ir vê-lo, mas algo muito forte dentro de si a obrigava a caminhar, ia em direção da biblioteca não sentia que andava era como se estivesse em um sono profundo, quando tocou a maçaneta, abriu e lhe viu seu coração definitivamente parou, começou a bater descompassado. — My lady. Com uma voz sussurrada lhe respondeu fracamente: — Mr. Leroux.
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