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RESISTINDO AO MAFIOSO

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Blurb

Durante anos, Silvia Aragão acreditou que Frederico Fercondiny estava morto.

Ela chorou sua perda.

Enterrou seus sonhos.

E tentou esquecer o homem que um dia jurou amar para sempre.

Mas Frederico nunca morreu.

Ele apenas voltou diferente.

Mais frio.

Mais poderoso.

Mais perigoso.

Agora, o homem que ela amou na juventude retornou disposto a acertar contas com todos que destruíram sua vida. E Silvia faz parte desse passado que ele jamais conseguiu esquecer.

Entre segredos, mágoas e uma paixão que se recusa a morrer, eles descobrirão que algumas feridas nunca cicatrizam.

E que o amor pode ser tão perigoso quanto a vingança.

Ela acreditou que o perdeu para a morte.

Ele acredita que foi abandonado.

Agora, nenhum dos dois está disposto a fugir da guerra que começou anos atrás.

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Capítulo 1 — O Homem Que Eu Enterrei
Silvia Casamentos sempre me deixaram desconfortável. Não porque eu não acreditasse no amor. Muito pelo contrário. Talvez esse fosse justamente o problema. Eu acreditava demais. Acreditava a ponto de saber exatamente o quanto ele podia machucar. Suspirei enquanto observava Mikaella dançar no centro do salão. Ela parecia feliz. Ridiculamente feliz. Daquele tipo de felicidade que faz qualquer pessoa solteira questionar as próprias escolhas de vida. Ou talvez apenas as minhas. Romeu não tirava os olhos dela. Nem por um segundo. Nem durante a cerimônia. Nem durante as fotos. Nem durante a festa. Nem agora. Como se ainda não acreditasse que ela realmente tinha dito sim. Eu sorri. Porque conhecia aquele olhar. Conhecia muito bem. E era exatamente por isso que meu peito doía. — Você está fazendo aquela cara de novo. Leona apareceu ao meu lado segurando duas taças de champanhe. Entregou uma para mim. Aceitei. — Que cara? — A cara de quem está tendo uma crise existencial. — Eu não estou tendo uma crise existencial. — Está sim. — Não estou. — Silvia. — Leona. — Você é péssima mentirosa. Revirei os olhos. Porque ela tinha razão. Infelizmente. — Estou apenas pensando. — Isso geralmente leva à crise existencial. — Obrigada pelo apoio. — Disponha. Sorri. Pequeno. Mas verdadeiro. Leona observou o salão. — Você acredita que a Mika finalmente casou? Meu olhar voltou para minha irmã. Vestido branco. Sorriso enorme. Olhos brilhando. Feliz. Tão feliz que chegava a ser irritante. — Ela merece. — Merece. Concordei. Porque merecia mesmo. Depois de tudo o que aconteceu. Depois do sequestro. Depois de Pietra. Depois de Fercondiny. Meu sorriso desapareceu. Instantaneamente. Leona percebeu. Claro que percebeu. — Desculpa. — Tudo bem. — Eu não queria... — Eu sei. Ela apertou minha mão. E eu agradeci silenciosamente por não insistir. Porque algumas feridas ainda doíam. Muito. Pouco depois, me afastei da pista de dança. Precisava de ar. Precisava de silêncio. Precisava fugir da felicidade excessiva que parecia ter contaminado aquele lugar. Atravessar o salão foi mais difícil do que deveria. Principalmente porque Betina estava determinada a causar algum tipo de caos antes do fim da noite. — Silvia! Fechei os olhos. Tarde demais. Ela já tinha me visto. — O quê? — Venha dançar. — Não. — Por quê? — Porque eu gosto da minha dignidade. — Chata. — Obrigada. — Isso não foi elogio. — Vou fingir que foi. Betina apontou para mim. — Você anda muito sarcástica. — Estou convivendo com você há anos. — Justo. Continuei andando antes que ela inventasse alguma outra ideia. Porque Betina era capaz de transformar uma festa elegante em uma ocorrência policial em menos de dez minutos. E eu não estava emocionalmente preparada para isso. A varanda estava vazia. Graças a Deus. Encostei na grade e respirei fundo. O ar da noite era fresco. Silencioso. Muito diferente da música e das risadas que preenchiam o salão. Fechei os olhos. Por apenas alguns segundos. E imediatamente me arrependi. Porque as lembranças vieram. Como sempre vinham. Sem pedir permissão. Sem avisar. Sem piedade. Eu tinha vinte anos quando conheci Frederico Fercondiny. Vinte. Jovem demais para acreditar que sabia tudo. Ingênua o suficiente para achar que amor era simples. Ele entrou na minha vida exatamente como uma tempestade. Barulhento. Arrogante. Convencido. Insuportável. E absurdamente bonito. O pior tipo. Lembro da primeira vez que o vi. Da primeira discussão. Do primeiro insulto. Da primeira vez que ele me fez perder completamente a paciência. E da primeira vez que me fez rir. Porque foi aí que tudo começou a dar errado. No início nós nos odiávamos. Ou pelo menos era o que eu dizia para mim mesma. Frederico era meu rival na faculdade. Meu concorrente. Meu problema pessoal. Sempre aparecendo para contestar meus argumentos. Corrigir minhas respostas. Provocar minhas apresentações. Como se tivesse feito algum tipo de juramento secreto para destruir minha sanidade. — Você está errada. Ele dizia. — Não estou. — Está sim. — Não estou. — Está. — i****a. — Linda. E então eu esquecia metade dos insultos. O que era profundamente humilhante. Sorri sem perceber. E isso foi ainda pior. Porque mesmo depois de tantos anos... Mesmo depois da dor... Mesmo depois de tudo... As lembranças boas ainda eram as mais fortes. As mais perigosas. As mais difíceis de apagar. Meu coração apertou. Porque não importava quantas vezes eu tentasse seguir em frente. Uma parte de mim ainda pertencia àquele garoto. Àquele sorriso. Àquela voz. Àquele amor. — Eu sabia que encontraria você aqui. Meu corpo inteiro congelou. Instantaneamente. A voz. Meu Deus. Aquela voz. Não. Não. Não podia ser. Meu coração disparou tão forte que chegou a doer. Porque eu conhecia aquela voz. Conheceria em qualquer lugar. Em qualquer país. Em qualquer vida. Mas isso era impossível. Completamente impossível. Lentamente. Muito lentamente. Eu me virei. E o mundo parou. Porque ele estava ali. Parado na sombra. Observando. Exatamente como nos meus pesadelos. Exatamente como nas minhas memórias. Exatamente como no passado. Só que mais velho. Mais forte. Mais perigoso. Os cabelos escuros. Os olhos intensos. A barba curta. O terno impecável. Tudo estava diferente. E ao mesmo tempo igual. Meu coração esqueceu como funcionava. Porque Frederico Fercondiny deveria estar morto. Eu tinha chorado por ele. Sofrido por ele. Enterrado aquele amor. Enterrado aquele futuro. Enterrado aquele homem. Mas ele estava ali. Vivo. Respirando. Me observando. E sorrindo. Um sorriso lento. Perigoso. Conhecido demais. — Sentiu minha falta, Silvia?

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