O dia em que me apaixonei por uma lésbica

1138 Words
disponível, só nós duas? Acho que podemos ser amigas, não é?”. Quando leio a mensagem, me lembro daquelas covinhas e percebo que estou com um sorriso no rosto, o que não acontece com frequência logo de manhã. Respondo-a e marcamos para um mês depois num café perto de casa. As semanas logo passam, passamos esse tempo todo conversando por mensagens e percebo que estava mais ansiosa do que deveria para conversar pessoalmente. Me arrumo e vou encontrar ela no café. Quando entro, já a vejo sentada e com um sorriso no rosto, me sento e começamos a conversar. Quando percebemos, já estava ficando tarde e, como ela mora perto de mim, vamos embora andando e conversando. Chegamos em frente ao prédio onde eu moro e percebo que nós duas ficamos nervosas na hora de dar tchau. – É, então é isso, foi muito legal hoje! Queria que a noite fosse um pouco mais longa para continuarmos conversando. – Ela diz um pouco vermelha, igual ontem, e acho fofo novamente. – Pois é, também gostei. Me avisa quando chegar em casa, tá? – Respondo com vontade de chamá-la para subir um pouco. – Tá bom, tchau! – Ela fala acenando, e eu aceno de volta. Mas, aí, minha vontade fala mais alto e a chamo de volta, e dou risada por parecer uma cena bem clichê de filmes românticos. – Bea, quer subir um pouco? A gente pode assistir a algum filme e comer pipoca, o que acha? Se ficar tarde, chamamos um Uber para você depois. – Percebo que ela ficou feliz com o convite, já que deu um sorriso largo. Então subimos, empresto para ela uma roupa mais confortável e ficamos assistindo ao filme. Então, fui buscar a pipoca e, quando voltei, parecia que ela queria falar algo, mas estava um pouco nervosa. – Gab, eu sei que a gente se conheceu faz pouco tempo, mas eu realmente gostei de você. Eu sei que você não gosta de mulheres, não vou te forçar a nada. Só queria que você soubesse. – Ela dá um sorriso de lado e percebo que está com dúvidas sobre o que eu vou responder. – Bea, eu te achei o máximo, você é uma mulher incrível. Mas… – De repente, ela me interrompe com um beijo, confesso que não queria parar aquele beijo, mas eu tive que parar, isso podia acabar em mais decepções. E, então, ela percebe minha cara de assustada e diz: – Ai meu Deus, desculpa! Desculpa mesmo, Gab, eu não queria fazer isso. É que eu achei você tão demais, queria te mostrar que posso ser boa para você também. – Eu fico paralisada ainda, mesmo tendo gostado, fiquei em choque. Depois de uns segundos quieta que pareceram horas, ela diz: – Vou pedir um Uber lá embaixo, obrigada por hoje, foi muito legal. – E ela sai do meu apartamento com pressa. Dois dias depois, a Nic me liga: – Amiga, a Laís me deu a roupa que a Bea tinha pegado emprestado com você. Tá aqui em casa, mas me conta uma coisa, porque ela estava usando uma roupa sua? – Percebo que ela estava com uma risadinha sínica. Conto para ela tudo que aconteceu, e ela diz: – Eu shippo vocês duas, viu, ela parece ser super legal e faz anos que não vejo você sendo feliz com alguém. Na verdade, quando foi a ultima vez que você beijou mesmo? – Ela fala dando risada de mim e não consigo não rir da piada, mas desligo na cara dela para que ela entenda que a piada foi boba. E, logo em seguida, recebo uma mensagem dela dizendo “também te amo <3”. E o pior disso tudo, é que ela tinha razão, mas eu não estava pronta para admitir isso. Algumas semanas se passaram e eu e a Bea paramos de nos falar totalmente. Nenhuma mensagem, nenhuma curtida ou comentário nas redes sociais. E, em um sábado, a Nic me convence a ir a uma festa que a Laís ia dar na casa dela e, novamente, não sei como ela conseguiu me convencer (o que nós não fazemos pelas amigas, não é?!). Penso em aproveitar a oportunidade para conversar com a Bea e tentar resolver as coisas. Me arrumo e vou de encontro a Nic, quando chego lá, já vejo a Bea conversando com algumas pessoas. Percebo que ela ficou vermelha de novo e acho que nunca vou me cansar de vê-la assim, ela é linda. A festa vai rolando e ainda não fui falar com ela e, depois de beber um pouco, vou ao banheiro e, no corredor, me deparo com a Bea. Ela abaixa a cabeça e vai andando, mas eu seguro seu braço e chamo-a: – Espera, a gente pode conversar? – Desculpa por aquilo Gab, sei que você não gosta de mulheres e eu respeito isso. Aquele beijo foi errado, eu sei. É que eu queria tanto… – A interrompo com um beijo. Quando terminamos, ela parece assustada, mas feliz, então, eu digo: – Agora, estamos quites, você me interrompeu uma vez, agora foi minha vez. – Dessa vez, ela dá uma risada e, quando ela vai falar algo, eu a interrompo: – Me deixa falar primeiro, eu queria te dizer que eu gostei do seu sorriso desde que te vi pela primeira vez. Achei lindo quando você fica vermelha e essas covinhas então, têm me deixado doida… Eu não sei o que sou exatamente, se sou lésbica, se sou bi ou algo assim, na verdade, estou tentando me descobrir. Eu só sei que eu quero tentar algo com você, sei que é cedo para um namoro, mas que tal você ir em casa de novo e terminarmos aquele filme? – Nossa, de todas as cenas possíveis que eu imaginei para hoje, não tinha imaginado você me chamando para sair de novo. Claro que aceito, vamos marcar, sim… – E, assim, voltamos a conversar normalmente e curtimos a festa. Depois da festa, voltamos a conversar, ficamos algumas vezes e, depois de um tempo, começamos a namorar. Alguns anos depois, acabamos terminando nosso namoro porque ela teve que mudar de país por causa do trabalho. Eu não podia pedir para ela ficar, já que era o emprego que ela sempre sonhou. Então, quando nos despedimos, só a agradeci por ter me ajudado a ver quem eu era e por ter paciência comigo. Eu a amava, mas é isso que pessoas apaixonadas fazem, queremos ver a pessoa amada feliz não importa se está com você ou não. Às vezes, o amor nos prega peças, mas essa foi a peça que mais completou meu quebra-cabeça até hoje. E, hoje, nos falamos por mensagem e ligação, mas somos apenas boas amigas, quem sabe o que o futuro nos guarda, não é?
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