
Minha vida toda foi resumida em caras chegando em mim, se achando e, quando digo não, eles fazem cara f**a e a grande maioria ainda tenta insistir, alguns até me xingam. Não entendo direito o que fiz para merecer isso, então, depois de muitas decepções, decido que não frequento mais baladas de héteros. Nas baladas gays, todas as mulheres que chegam em mim são super educadas e, quando digo que sou hétero, elas saem numa boa (quem me dera se todo ser humano fosse assim).
É sábado de manhã e, como de costume, fiz minha corrida no quarteirão e tomei meu café. Quando volto, vejo mensagem da minha melhor amiga no grupo de alguns amigos nos convidando para uma balada gay hoje à noite. Ignoro a mensagem e volto a fazer minhas coisas, passam algumas horas, recebo uma ligação dela:
– Fala, minha deusa grega. – Os apelidos que chamo minhas amigas são sempre cheios de charme.
– Que horas passo aí hoje à noite? – Logo que ela fala isso lembro do convite feito algumas horas atrás.
– Eu não vou, Nic, você sabe que não frequento mais baladas, agradeço o convite e espero que me ame mesmo assim. – Ela fica por alguns segundos quieta e acho que estava escolhendo a forma de me esganar.
– Ah, mas você vai, sim, é meu aniversario! Você não vai ficar em casa e me deixar sozinha na balada! Eu te busco na base da p*****a ou na base do amor, você escolhe. – dou risada da sua demonstração de carinho por mim. E depois de alguns minutos dela insistindo e fazendo drama, eu acabo cedendo e marco um horário para ela vir me buscar.
Como de costume, vamos a uma balada gay (fico aliviada, não vou precisar socar a cara de nenhum macho e******) e, logo que entramos, encontramos alguns amigos nossos. Depois de dançar muito e alguns foras, eu e ela vamos buscar uma bebida. Quando percebo, ela está conversando com outra mulher, viro para pegar nossas bebidas que o barman fez e, quando procuro por ela, lá estava ela dando uns amassos na sua nova amiga, então, como sempre faço, espero num canto onde ela possa me ver e aguardo até ela terminar, e depois voltamos para nossos amigos.
Aquela noite foi ótima, bebemos bastante, colocamos a fofoca em dia e nos divertimos muito. No dia seguinte, quando acordo, vejo a mensagem da Nicole pedindo para que eu ligue assim que acordar. Como pedido, fiz isso:
– Fala, meu anjo, o que você precisa? – Percebo que sua voz está um pouco alegre.
– Preciso de um favor seu, eu sei que você não vai aceitar de primeira, mas considere como um presente de aniversário. Você sabe que somos melhores amigas, que eu te amo e…
Eu a interrompo de seu puxa-saquismo:
– Fala logo o que você fez. – De alegre sua voz foi para nervosa.
– Então, lembra da mulher de ontem? O nome dela é Laís e eu peguei o número dela e marcamos de nos encontrar numa lanchonete hoje à noite.
– Tá bom, e qual o problema disso? Ou melhor, o que eu tenho a ver com isso?
– Bom, digamos que ela tenha uma amiga que ficou de olho em você ontem e eu gostei da Laís, então falei para ela que você era lésbica e que podíamos sair em casal.
– Tudo bem, sem problema nenhum. Agora, é só você ligar para ela e falar que não sou e que não estou interessada nesse encontro.
Depois dela muito insistir para que eu fosse, acabei cedendo de alguma forma, só não sei exatamente em qual momento. Mas acho que incluiu um dia de compras e ela me devendo um favor grande também. Ela me disse o horário e o local que era para eu ir e, quando deu o horário, fui atrás da roupa para vestir e me arrumar. Quando chego no local, vejo as três sentadas e percebo que a moça que ficou de olho em mim, era linda mesmo, assim como a Nic tinha me dito.
Sento-me à mesa, a Nic me apresenta para elas, acabo descobrindo que o nome da moça é Beatriz e começamos a conversar. Foi um jantar muito gostoso, as meninas são legais e super gentis. Deixaram-me muito mais feliz quando não perguntaram em nenhum momento sobre minha sexualidade. Quando o horário chega, Nic e Laís vão lá fora conversar a sós, me deixando sozinha com a Bea.
– Então, Gab, posso pedir seu número ou é cedo demais? – Ela parecia bem nervosa, ficou até vermelha e confesso que achei fofo.
– Ah, pode sim. É esse aqui. – Anoto no guardanapo e entrego, em seguida, percebo o que fiz e me arrependo um pouco.
– Beleza, depois te mando um “Oi” para você salvar meu número.
Logo nos despedimos e cada uma foi para sua casa. Quando chego em casa, vejo mensagem da Nic perguntando onde eu estava e porque fui embora sem dar tchau. Tinha esquecido dela, acho que fiquei um pouco hipnotizada pelo sorriso da Bea (o sorriso dela é lindo) e esqueci que estava lá por causa da Nic. Ligo para ela e ficamos horas conversando sobre seu encontro com a Laís depois da lanchonete e, quando percebo, conversamos a noite toda.
No dia seguinte, recebo um “Oi” de um numero desconhecido e, logo em seguida, “Eu sei que você não é lésbica nem bi, a Nic me contou. Mesmo assim, acho que foi muito legal ontem, dei muita risada. Que tal um café à tarde quando você estiver dis

