Lisa Follen
Nós subimos para o quarto do hotel e ficamos um tempo apenas em silêncio nos olhando e retribuindo carinhos, alguns minutos depois a roupa que eu estava, começou a me deixar desconfortável. Me afasto um pouco de Taylor, e olho para o seu rosto.
- Eu vou trocar de roupa, sinta-se em casa. - ele ri e tira suas mãos da minha cintura. Vou em direção a minha mala e pego uma peça de roupa adequada e vou até o banheiro para troca-lá. Quando volto para o quarto, Taylor estava sentado na ponta da cama de costas para o banheiro.
- Minha família amou você. - ele começa a falar assim que percebe minha presença.
- Eu também amei eles, são pessoas maravilhosas. - falo me sentando ao seu lado.
- Posso te fazer uma pergunta? - ele me olha e eu concordo. - Onde está sua família? Você nunca mencionou eles em momento algum, e você me disse que passa meses viajando, não sente falta deles? - solto um suspiro e olho para o chão, era um assunto delicado.
- Eu não tenho família.
- Quer me falar o que aconteceu com eles? - ele virou todo seu corpo na minha direção.
- Não, pelo menos não agora. - olho novamente para ele e ele concorda.
- Desculpa se fui intruso demais. - dou um sorriso e o abraço.
- Tá tudo bem. - ele retribui o abraço e ficamos por um tempo assim.
*Quebra de tempo*
Me acordo com a luz do sol no meu rosto, com certeza eu havia esquecido de fechar as cortinas ontem a noite. Me viro para o lado oposto e percebo que Taylor não estava na cama, ou melhor, não tinha vestígio algum de que ele esteve ali. Pego meu telefone para verificar as horas, mas uma mensagem me chama mais atenção.
Taylor
Bom dia, Lis. Achei melhor não te acordar ontem, e não se esqueça da nossa aula hoje. Até logo.
Olho para o relógio do celular e vejo que já eram 09h30min, saio correndo em direção ao banheiro para me arrumar, eu já estava a meia hora atrasada, e provavelmente eu estaria bem mais em alguns minutos, eu preciso ser rápida.
*Quebra de tempo*
Paro meu carro na estrada que Taylor tinha me enviado mais cedo e fico esperando ele aparecer. A porta do passageiro se abre me assustando.
- Bom dia, senhorita atrasada. - ele fala enquanto se senta e fecha a porta.
- Em minha defesa, você deveria ter me acordado antes de ir embora. - ele sorri e levanta as mãos em forma de rendição.
- O importante é que você veio, apenas uma hora de atraso, nada demais. - reviro os olhos e ele ri. - Podemos começar? - concordo e ele começa e me dar as coordenadas.
Apenas em alguns minutos eu já tinha "aprendido" bastante coisa, deixando-o surpreendido em como eu aprendia rápido. Em alguns momentos fiz questão de errar algumas coisas apenas para não deixar tão na cara assim, eu sabia que ele não era ingênuo e logo iria processar isso. Ele era uma pessoa paciente e tranquilo para ensinar, o que me deu a******a para me fazer de desentendida mais ainda.
Esse seu estado de humor muda radicalmente em alguns segundos, me deixando confusa. Ele não quis sequer me explicar o que havia acontecido. Ele apenas me pediu para trocarmos de lugar e começou a dirigir de volta para a estrada principal. Tentei diversas vezes tentar entender o que estava acontecendo, mas nada saiu da sua boca. Depois de alguns minutos em silêncio, ele apenas me convidou para irmos para a sua casa e trocou a nossa rota.
*Quebra de tempo*
Desci do carro já avistando Paul, Isla, Dylan, Lucca e Alice. Eles se viram quando ouvem nossos passos e sorriem assim que me veem.
- Que bom que voltou. - Paul fala sorrindo.
- Fico feliz também.
- Nós ficamos mais felizes ainda. - Alice vem até mim e beija minha bochecha.
- Eu te disse que tinham gostado de você. - Taylor fala baixinho no meu ouvido me fazendo sorrir.
Ficamos um tempo conversando na rua até Atena nos chamar para o almoço. O almoço foi mais tranquilo que a janta, tive chance de conversar um pouco mais com as meninas e entender os graus de parentesco. Os meninos que estavam aqui na noite passada, são apenas amigos. Todos cresceram juntos, assim se tornando uma grande família.
Eu e as meninas começamos a arrumar as louças enquanto os meninos começavam com as brincadeiras entre eles. Descobri que tínhamos bastante coisas em comum e muitos pensamentos parecidos. Por um momento, comecei a me sentir em casa, mas afasto esses pensamentos. O que eu menos precisava neste momento, era começar a me apegar nas pessoas.
Taylor tinha insistido para me trazer de volta ao hotel, mas acabei recusando. Ele era definitivamente um cavalheiro e eu estava me abusando disto. Começo a ter a sensação que alguém estava me seguindo, verifiquei diversas vezes, mas a estrada estava vazia, como sempre.
Desço do carro e subo para o quarto do hotel, começo tirando a roupa apertada e colocando algo mais leve. Analisando bem o quarto, percebo que tem uma carta em cima do criado-mudo. Franzo as sobrancelhas em confusão, talvez fosse uma carta de Taylor que eu não havia visto antes. Abro a carta e estranho a letra, era parecida com as letras antigas.
Olá, Lisa. Espero que você esteja aproveitando seu conto de fadas, pois logo ele acabará. Eu vou te dar um conselho, se eu fosse você, eu não confiaria em Taylor... Ele esconde muitas coisas de você, e ele não é quem ele demonstra ser, nenhum deles é. Quero te ver cara a cara logo, que esse dia não demore.
Até qualquer dia.
Beijos do seu novo amigo.
Minhas mãos estavam trêmulas, podia ser qualquer pessoa. Uma pessoa do meu passado ou um novo perseguidor... Minha respiração começou a ficar superficial, mil coisas começaram a se passar na minha cabeça. Eu teria que fugir novamente e nunca olhar para trás?