A expulsão

515 Words
— Ela está mexendo em tudo da mamãe! Ela tá apagando ela como se nunca tivesse existido! — Já chega! — ele gritou. O som fez Eva gelar. Ele nunca tinha gritado assim com ela. Nunca. — Você passou dos limites — ele disse, frio. — Não aceita nada, não respeita ninguém. — Respeitar? — a voz dela falhou. — Você quer que eu respeite isso? Helena chorou mais alto. Lídia observava… em silêncio. Apreciando cada segundo. — Você está descontrolada — ele continuou. — E eu não vou mais tolerar isso. Eva sentiu o coração bater mais forte. Errado. Algo estava errado. — O que você quer dizer com isso…? Ele respirou fundo. E então disse: — Você vai sair dessa casa. O mundo parou. — …o quê? — Eu já fui paciente demais. — Pai… — a voz dela quebrou. — Você tá me expulsando? — Você precisa aprender a viver sozinha. Ela riu. Um riso fraco. Incrédulo. — Você tá me jogando fora. Silêncio. E aquilo foi a resposta. — Ela não teve tempo. Não teve escolha. Uma mala jogada no chão. Roupas jogadas dentro. Sem carinho. Sem cuidado. Sem nada. Eva tremia. — Por favor… — sussurrou. — Eu não tenho pra onde ir… O pai desviou o olhar. Helena ficou em silêncio. Lídia… sorriu. E então, quando Eva tentou segurar o braço do pai— Ele a empurrou. Forte. Ela caiu no chão. O impacto fez sua respiração falhar. Por um segundo… ninguém se mexeu. Ninguém ajudou. Nada. — Tira ela daqui — ele disse, seco. Foi o fim. — A porta foi aberta com força. O vento da noite bateu no rosto de Eva. Frio. Vazio. Ela foi jogada para fora. Literalmente. Descalça. Machucada. Sozinha. A porta se fechou atrás dela. Sem hesitação. Sem arrependimento. Como se ela nunca tivesse existido. — E então… Faróis cortaram a escuridão. Um carro preto parou em frente à mansão. Silêncio. O motor desligou. A porta abriu. E ele saiu. Alto. Imponente. Perigoso. O tipo de homem que não precisava dizer nada para ser temido. Eva prendeu a respiração. Ele caminhou lentamente até ela, os olhos escuros analisando cada detalhe — os machucados, as lágrimas, a dor. Quando falou… a voz era baixa. Controlada. — Quem fez isso? Eva tentou responder. Mas não conseguiu. Então ele olhou para a mansão. E algo mudou. Frio… virou gelo. Perigo… virou sentença. Ele tirou o casaco e colocou sobre os ombros dela, com um cuidado que não combinava com o olhar dele. — Você vem comigo. Não foi um pedido. Foi uma decisão. Eva hesitou por um segundo. Mas quando olhou para aquela casa… não havia mais nada ali. Então ela assentiu. E entrou no carro. — Antes de entrar, ele olhou uma última vez para a mansão. Os olhos carregados de promessa. De morte. E disse, baixo… como um aviso ao mundo: — A partir de agora… quem encostar nela… Uma pausa. Sombria. Final. — vai ter que se ver comigo. — E naquela noite… Eva perdeu tudo. E, ao mesmo tempo… se perdeu nele.
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