— Ela está mexendo em tudo da mamãe! Ela tá apagando ela como se nunca tivesse existido!
— Já chega! — ele gritou.
O som fez Eva gelar.
Ele nunca tinha gritado assim com ela.
Nunca.
— Você passou dos limites — ele disse, frio. — Não aceita nada, não respeita ninguém.
— Respeitar? — a voz dela falhou. — Você quer que eu respeite isso?
Helena chorou mais alto.
Lídia observava… em silêncio.
Apreciando cada segundo.
— Você está descontrolada — ele continuou. — E eu não vou mais tolerar isso.
Eva sentiu o coração bater mais forte.
Errado.
Algo estava errado.
— O que você quer dizer com isso…?
Ele respirou fundo.
E então disse:
— Você vai sair dessa casa.
O mundo parou.
— …o quê?
— Eu já fui paciente demais.
— Pai… — a voz dela quebrou. — Você tá me expulsando?
— Você precisa aprender a viver sozinha.
Ela riu.
Um riso fraco. Incrédulo.
— Você tá me jogando fora.
Silêncio.
E aquilo foi a resposta.
—
Ela não teve tempo.
Não teve escolha.
Uma mala jogada no chão.
Roupas jogadas dentro.
Sem carinho. Sem cuidado. Sem nada.
Eva tremia.
— Por favor… — sussurrou. — Eu não tenho pra onde ir…
O pai desviou o olhar.
Helena ficou em silêncio.
Lídia… sorriu.
E então, quando Eva tentou segurar o braço do pai—
Ele a empurrou.
Forte.
Ela caiu no chão.
O impacto fez sua respiração falhar.
Por um segundo… ninguém se mexeu.
Ninguém ajudou.
Nada.
— Tira ela daqui — ele disse, seco.
Foi o fim.
—
A porta foi aberta com força.
O vento da noite bateu no rosto de Eva.
Frio.
Vazio.
Ela foi jogada para fora.
Literalmente.
Descalça.
Machucada.
Sozinha.
A porta se fechou atrás dela.
Sem hesitação.
Sem arrependimento.
Como se ela nunca tivesse existido.
—
E então…
Faróis cortaram a escuridão.
Um carro preto parou em frente à mansão.
Silêncio.
O motor desligou.
A porta abriu.
E ele saiu.
Alto.
Imponente.
Perigoso.
O tipo de homem que não precisava dizer nada para ser temido.
Eva prendeu a respiração.
Ele caminhou lentamente até ela, os olhos escuros analisando cada detalhe — os machucados, as lágrimas, a dor.
Quando falou…
a voz era baixa. Controlada.
— Quem fez isso?
Eva tentou responder.
Mas não conseguiu.
Então ele olhou para a mansão.
E algo mudou.
Frio… virou gelo.
Perigo… virou sentença.
Ele tirou o casaco e colocou sobre os ombros dela, com um cuidado que não combinava com o olhar dele.
— Você vem comigo.
Não foi um pedido.
Foi uma decisão.
Eva hesitou por um segundo.
Mas quando olhou para aquela casa…
não havia mais nada ali.
Então ela assentiu.
E entrou no carro.
—
Antes de entrar, ele olhou uma última vez para a mansão.
Os olhos carregados de promessa.
De morte.
E disse, baixo… como um aviso ao mundo:
— A partir de agora… quem encostar nela…
Uma pausa.
Sombria.
Final.
— vai ter que se ver comigo.
—
E naquela noite…
Eva perdeu tudo.
E, ao mesmo tempo…
se perdeu nele.