três Meses de Aula: A Festa

696 Words
Três meses haviam se passado desde o início do semestre. Allan já conhecia bem a rotina da turma, o ritmo intenso da engenharia e, claro, a presença constante de Flávia em suas observações silenciosas. Ele não conseguia negar que a atenção dela, a dedicação e a maneira como se destacava entre os colegas permaneciam na sua mente, mesmo depois de tantos dias de aula. Naquela noite, Allan havia sido convidado para uma festa de aniversário de um colega de trabalho. Não era algo que ele costumava fazer com frequência, mas decidiu aceitar, pensando que seria uma boa oportunidade para descontrair um pouco e esquecer o estresse acumulado das aulas e dos cálculos complexos que ocupavam sua rotina. Quando chegou à casa iluminada por luzes coloridas e música suave, percebeu imediatamente que a festa estava cheia de pessoas conversando, rindo e bebendo. Mas, em meio à multidão, algo chamou sua atenção: Flávia estava ali. Ela usava um vestido rosa claro elegante, os cabelos loiros soltos sobre os ombros, levemente ondulados, o brilho suave do gloss nos lábios e um salto prata que combinava perfeitamente com a delicadeza do vestido. Allan sentiu uma espécie de arrepio inesperado; era impossível não reparar na transformação dela fora do ambiente acadêmico. Sem perceber, seus passos o levaram até ela. — Flávia — disse, quase sem pensar, mas mantendo a voz calma. Ela ergueu o olhar e sorriu, suave, encantadora: — Professor Allan. — Allan — ele respondeu, sorrindo de volta, sem usar títulos formais por instinto, sentindo o peso do momento que se tornava diferente do ambiente da sala de aula. Ela riu levemente e disse: — Tá bom… só Allan. Allan sorriu mais uma vez, agora com um pouco de surpresa na expressão: — Que surpresa te encontrar aqui. — É o aniversário da minha amiga — explicou Flávia, mantendo a postura elegante, mas relaxada, os olhos verdes brilhando sob a luz suave da festa. — Ah, sim? — ele disse, curioso. — Ela é namorada do meu sobrinho. Ele me chamou para vir? — Isso mesmo — disse Flávia, sorrindo de leve. — Ah… você é tio do Lucas. — Sou sim — respondeu Allan, rindo baixo. — Que mundo pequeno, não é? Ele percebeu que a conversa fluiu de maneira natural, o ambiente descontraído ajudava a quebrar a tensão que sempre existia na sala de aula. Ele se lembrou de que provavelmente ela deveria ter um acompanhante, então acrescentou: — Bom… só quis te cumprimentar. Acredito que deva ter algum acompanhante. Flávia negou com a cabeça, ainda sorrindo: — Não, eu terminei um relacionamento há pouco tempo. Vim só para distrair a cabeça mesmo. Allan sorriu, tentando manter a postura descontraída, embora sentisse uma estranha e silenciosa proximidade: — Ah, que bom então. Eles começaram a conversar mais, bebendo um pouco e rindo baixinho, a atenção deles completamente concentrada um no outro, como se o resto da festa tivesse desaparecido. Os minutos passaram sem que percebessem, as risadas, os gestos e as pequenas interações tornando aquele momento único. Enquanto conversavam, Allan percebeu o brilho nos olhos de Flávia, a forma como ela gesticulava de leve, com naturalidade, e a maneira como o sorriso dela parecia iluminar seu mundo, mesmo em um ambiente externo à faculdade. Ela, por sua vez, sentiu-se à vontade, comentando sobre a vida, amigos, família e lembranças, sem perceber o quanto ele prestava atenção a cada detalhe — o modo como ela falava, a suavidade da voz e até o perfume sutil que parecia acompanhá-la. Horas passaram quase sem que notassem, e a festa continuava ao redor deles, mas Allan e Flávia permaneciam concentrados na conversa, desfrutando de uma proximidade que, até então, era apenas uma tensão silenciosa nos corredores da faculdade. Era uma noite diferente, onde os papéis de professor e aluna pareciam se suavizar, mesmo que nenhum gesto passasse dos limites éticos. Quando finalmente se despediram, um silêncio confortável pairou entre eles. Allan percebeu que aquele encontro inesperado ficaria gravado na memória dele, assim como na dela. Era apenas mais um momento no semestre, mas a sensação de proximidade e atenção mútua começava a ganhar força, mesmo que ainda não pudesse ser nomeada.
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