Capítulo 8
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Edward Marx
Me acordei e senti aquele calor colado em mim, com algumas mechas de cabelo.. platinado? em meu rosto. Uma de minhas mãos pousadas em seu quadril e...caramba.
Me sentei e não reconheci o lugar. Uma sala de estar bem ampla, toda iluminada. A mesa de centro fora jogada para um canto longe do meio dos sofás, que estavam todos desiguais, longe. As almofadas no chão e algumas coisas quebradas, como portas-retratos. Minha visão sobre as garrafas vazias de bebidas, espalhadas pelo lugar.
- Ai, ca**te.
- Hm..De quem?.-pisquei. A garota de cabelos brancos já estava despertando também.
Revirei os olhos.
- Ninguém, ca**lho.
- Olha a bagunça que a gente fez!-gemeu fazendo uma careta, quando viu o que fizemos ontem à noite. - E porquê não fomos pro quarto?
- Que me*da! Como é que eu vou saber?
Me levantei e comecei a catar minhas roupas. Ela ficou me olhando com uma cara de quem viu uma alma.
- Não vá, por favor.-choramingou e senti seu toque em meus ombros.
- Não vem com essa. Tô com uma dor de cabeça do cara..
Ela se colocou na minha frente e meu olhar vagou por seu corpo.
- Ainda está com dor de cabeça?-perguntou, soltando um risinho. Parece que a ressaca ainda não tinha chegado pra ela.
- Cala essa boca!
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Tomei uma ducha assim que cheguei em casa. Cacei o punhado de chaves e o encontrei no chão da cozinha, o peguei e avancei até a porão. Me deparei com Violeta dormindo porém, quando cheguei mais perto, me dei conta de que sua pele branca estava muito pálida e seus lábios entreabertos. Tinha até alguns insetos em cima dela.
Porcaria.
- Violeta.-toquei em seu braço e rosto, sentindo-os completamente frios. Levei minha mão até seu seio esquerdo e as batidas de seu coração batiam em um ritmo muito fraco.
- Ah, mas que p*rra! Eu devia saber que aqui fazia muito frio. Acho que você está com hipotermia.-falei sozinho. Peguei-a nos braços e levei até um quarto. De início hesitei, não estava em meus planos levá-la até um.
Coloquei-a na cama e sem delongas a cobri com um cobertor. Será que bastava só um? Fiquei na dúvida, então peguei outro.
O que restava agora era esperar ela despertar.
Percebi que havia dormido enquanto esperava quando meu celular tocou e eu recusei a chamada, xingando. Ela ainda estava desacordada. Cheguei mais perto e sentei na cama, conseguindo observar cada traço de seu rosto. Tinha as sobrancelhas grossas e os lábios bem delineados. Não era tão baixa e seus cabelos estavam na cintura, possuíam uma cor mel deslumbrante.
Dei as costas e estava prestes a sair do quarto, porém a escutei mexer na cama. Parei e fiquei olhando. Aos poucos seus olhos foram abrindo e sua cara foi a melhor. Ela olhou-me com uma expressão de pavor e surpresa, seguida de inquietação e curiosidade.
- O que aconteceu?-sua voz saiu arrastada. Quando se deu conta de que estava deitada e coberta, arregalou os olhos para mim.
- p*rra de hipotermia.-ela franziu a testa, não pareceu entender.
Saí e busquei água e frutas para ela, voltando em seguida para o aposento. Entrei no quarto repentinamente e ela deu um pulo, assustada quando me viu.
O pânico foi tomando seu quando viu o que eu tinha em mãos. Dei a ela a água e as frutas, e a mesma continuava sem mover um músculo.
- Não tem veneno se é isso que está pensando.-avisei.
Ela fez intenção de sair da cama, mas eu a detive.
- Pra onde pensa que vai? Coma!
- Não estou com fome.-deu de ombros, embora nós dois soubéssemos que estava.
- Te encontrei desacordada, morrendo de frio. Coma! Não é um pedido, é uma ordem.
Ela levantou-se com certa dificuldade e pôs sentada na cama, começando a comer. Eu a observei, não conseguindo conter um sorriso sacana no rosto. Ela me olhava de relance e sempre desviava sua atenção para um ponto qualquer do quarto.
Quando acabou, falou:
- Não precisava ter feito isso.
- Isso o quê?-perguntei.
- Isso.-gesticulou com o olhar para a água e o quarto. - Não era pra eu morrer?
- De frio, não-soou com desdém minha resposta e a vi baixar a cabeça.
Suspirei.
Antes de eu chegar e perguntar se ela já sentia melhor para sair, a mesma se aproveitou em dizer.
- Já estou melhor, posso sair agora?
- Onde estão seus modos? Cadê meu "muito obrigado por cuidar de mim?".-questionei ríspido, franzindo de leve a testa.
Ela engoliu em seco, tentando disfarçar a raiva.
- Obrigada por cuidar de mim.-respondeu relutante.
- Boa garota.-sorri. - Merece um petisco.
- E você um..-seu sussurro se desfez quando a fuzilei com o olhar.
- Um o quê?-segurei seus ombros e a prendi na parede. - Um o quê?
- Nada.-mordeu o lábio, evitando me olhar.
- Escuta aqui, eu tô cansado dessas suas respostas afiadas. Você não quer que eu corte a sua língua, quer?
Seu corpo estremeceu quando apertei de leve seus ombros.
- Não.-murmurou, e vi que ela fazia um esforço enorme para não deixar que as lágrimas caíssem.
- Melhor assim.-liberei a passagem.
- Saia. Agora.-vociferei.
- Tudo bem.-balbuciou e passou as mãos nos cabelos, suspirando. Que p***a de situação irritante. Até onde minha bondade iria? Me peguei pensando.
Peguei minha jaqueta que estava jogada em cima da poltrona, e ajeitei a p*****a no bolso dela.
- Já sabe o que acontece se tentar fugir.-adverti, vendo seus olhos se arregalarem e sua mandíbula retesar, então saí.