Capítulo 8

933 Words
Capítulo 8 ****** Edward Marx Me acordei e senti aquele calor colado em mim, com algumas mechas de cabelo.. platinado? em meu rosto. Uma de minhas mãos pousadas em seu quadril e...caramba. Me sentei e não reconheci o lugar. Uma sala de estar bem ampla, toda iluminada. A mesa de centro fora jogada para um canto longe do meio dos sofás, que estavam todos desiguais, longe. As almofadas no chão e algumas coisas quebradas, como portas-retratos. Minha visão sobre as garrafas vazias de bebidas, espalhadas pelo lugar. - Ai, ca**te. - Hm..De quem?.-pisquei. A garota de cabelos brancos já estava despertando também. Revirei os olhos. - Ninguém, ca**lho. - Olha a bagunça que a gente fez!-gemeu fazendo uma careta, quando viu o que fizemos ontem à noite. - E porquê não fomos pro quarto? - Que me*da! Como é que eu vou saber? Me levantei e comecei a catar minhas roupas. Ela ficou me olhando com uma cara de quem viu uma alma. - Não vá, por favor.-choramingou e senti seu toque em meus ombros. - Não vem com essa. Tô com uma dor de cabeça do cara.. Ela se colocou na minha frente e meu olhar vagou por seu corpo. - Ainda está com dor de cabeça?-perguntou, soltando um risinho. Parece que a ressaca ainda não tinha chegado pra ela. - Cala essa boca! ****** Tomei uma ducha assim que cheguei em casa. Cacei o punhado de chaves e o encontrei no chão da cozinha, o peguei e avancei até a porão. Me deparei com Violeta dormindo porém, quando cheguei mais perto, me dei conta de que sua pele branca estava muito pálida e seus lábios entreabertos. Tinha até alguns insetos em cima dela. Porcaria. - Violeta.-toquei em seu braço e rosto, sentindo-os completamente frios. Levei minha mão até seu seio esquerdo e as batidas de seu coração batiam em um ritmo muito fraco. - Ah, mas que p*rra! Eu devia saber que aqui fazia muito frio. Acho que você está com hipotermia.-falei sozinho. Peguei-a nos braços e levei até um quarto. De início hesitei, não estava em meus planos levá-la até um. Coloquei-a na cama e sem delongas a cobri com um cobertor. Será que bastava só um? Fiquei na dúvida, então peguei outro. O que restava agora era esperar ela despertar. Percebi que havia dormido enquanto esperava quando meu celular tocou e eu recusei a chamada, xingando. Ela ainda estava desacordada. Cheguei mais perto e sentei na cama, conseguindo observar cada traço de seu rosto. Tinha as sobrancelhas grossas e os lábios bem delineados. Não era tão baixa e seus cabelos estavam na cintura, possuíam uma cor mel deslumbrante. Dei as costas e estava prestes a sair do quarto, porém a escutei mexer na cama. Parei e fiquei olhando. Aos poucos seus olhos foram abrindo e sua cara foi a melhor. Ela olhou-me com uma expressão de pavor e surpresa, seguida de inquietação e curiosidade. - O que aconteceu?-sua voz saiu arrastada. Quando se deu conta de que estava deitada e coberta, arregalou os olhos para mim. - p*rra de hipotermia.-ela franziu a testa, não pareceu entender. Saí e busquei água e frutas para ela, voltando em seguida para o aposento. Entrei no quarto repentinamente e ela deu um pulo, assustada quando me viu. O pânico foi tomando seu quando viu o que eu tinha em mãos. Dei a ela a água e as frutas, e a mesma continuava sem mover um músculo. - Não tem veneno se é isso que está pensando.-avisei. Ela fez intenção de sair da cama, mas eu a detive. - Pra onde pensa que vai? Coma! - Não estou com fome.-deu de ombros, embora nós dois soubéssemos que estava. - Te encontrei desacordada, morrendo de frio. Coma! Não é um pedido, é uma ordem. Ela levantou-se com certa dificuldade e pôs sentada na cama, começando a comer. Eu a observei, não conseguindo conter um sorriso sacana no rosto. Ela me olhava de relance e sempre desviava sua atenção para um ponto qualquer do quarto. Quando acabou, falou: - Não precisava ter feito isso. - Isso o quê?-perguntei. - Isso.-gesticulou com o olhar para a água e o quarto. - Não era pra eu morrer? - De frio, não-soou com desdém minha resposta e a vi baixar a cabeça. Suspirei. Antes de eu chegar e perguntar se ela já sentia melhor para sair, a mesma se aproveitou em dizer. - Já estou melhor, posso sair agora? - Onde estão seus modos? Cadê meu "muito obrigado por cuidar de mim?".-questionei ríspido, franzindo de leve a testa. Ela engoliu em seco, tentando disfarçar a raiva. - Obrigada por cuidar de mim.-respondeu relutante. - Boa garota.-sorri. - Merece um petisco. - E você um..-seu sussurro se desfez quando a fuzilei com o olhar. - Um o quê?-segurei seus ombros e a prendi na parede. - Um o quê? - Nada.-mordeu o lábio, evitando me olhar. - Escuta aqui, eu tô cansado dessas suas respostas afiadas. Você não quer que eu corte a sua língua, quer? Seu corpo estremeceu quando apertei de leve seus ombros. - Não.-murmurou, e vi que ela fazia um esforço enorme para não deixar que as lágrimas caíssem. - Melhor assim.-liberei a passagem. - Saia. Agora.-vociferei. - Tudo bem.-balbuciou e passou as mãos nos cabelos, suspirando. Que p***a de situação irritante. Até onde minha bondade iria? Me peguei pensando. Peguei minha jaqueta que estava jogada em cima da poltrona, e ajeitei a p*****a no bolso dela. - Já sabe o que acontece se tentar fugir.-adverti, vendo seus olhos se arregalarem e sua mandíbula retesar, então saí.
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