Depois da confusão na escola, Maria voltou para casa com o corpo ainda tremendo e a cabeça cheia de pensamentos. Sabia que tinha feito algo arriscado, mas também sabia que não podia se deixar intimidar pelas fofocas e provocações. Quando entrou no apartamento, encontrou a mãe já esperando na sala, encostada na parede, com o olhar penetrante que sempre parecia enxergar tudo.
— Senta aqui, Maria — disse Milena, com a voz firme, mas calma. — Quero entender exatamente o que aconteceu hoje.
Maria se sentou lentamente, as mãos apertando a barra do uniforme.
— Foi uma briga, mãe… — começou, hesitando. — Elas começaram a me provocar, me humilhar… Eu não podia deixar passar.
Milena franziu a testa, cruzando os braços.
— E quem mais estava envolvido? — perguntou, olhos verdes fixos nos da filha.
Maria respirou fundo, lembrando-se de Guilherme, que tinha aparecido no momento certo, observando tudo e ajudando de maneira silenciosa, mas decisiva.
— Guilherme… — disse, baixando um pouco a voz, como se tivesse medo de revelar demais. — Ele estava lá. Ele me ajudou… me defendeu de forma… de forma que eu não esperava.
Milena suspirou, relaxando levemente, mas mantendo o olhar firme.
— Eu conheço o Guilherme — disse ela, com um tom que misturava curiosidade e avaliação. — Sei o que ele faz, de onde vem. Mas quero saber de você, Maria… o que ele representa pra você?
Maria engoliu seco, sentindo o peso da pergunta. Não era só um amigo de escola; ele era alguém que a tinha observado, protegido, sem se impor demais, mas com presença suficiente para que ela se sentisse segura.
— Eu… eu sinto que posso confiar nele — respondeu Maria, finalmente olhando nos olhos da mãe. — Ele não é como os outros. Ele… ele me entende de um jeito que ninguém entende.
Milena estudou a filha por alguns instantes, analisando cada expressão, cada hesitação.
— Entendo — disse por fim, inclinando levemente a cabeça. — Só quero que saiba que estar próximo dele tem que ser uma escolha consciente. Aqui, no morro, confiança demais pode custar caro. Você precisa reconhecer quem realmente vale a pena, Maria.
— Eu sei, mãe — respondeu Maria, sentindo um misto de alívio e p******o. — Mas eu confio nele.
Milena se aproximou, pousando a mão sobre o ombro da filha, com um gesto que misturava firmeza e carinho.
— Está bem. Mas lembre-se: se ele vacilar ou te colocar em perigo, você vem direto falar comigo. Entendido?
— Entendido — disse Maria, sentindo-se mais forte e preparada. Apesar da briga, do medo e da tensão, sabia que poderia contar com a mãe e que Guilherme também poderia ser alguém em quem confiar, se soubesse manter os limites.
Naquele momento, Maria entendeu que, mesmo no caos do Morro do Alemão, havia espaço para p******o, escolhas e relações de confiança. E que a vida estava prestes a se complicar ainda mais com Guilherme ao seu lado e o mundo inteiro observando cada passo seu