O fim de tarde em Curitiba tinha aquele tom dourado que Maria sempre amou. O sol se escondia atrás das araucárias, pintando o céu de laranja e violeta, enquanto o vento frio entrava pela varanda, balançando suavemente o móbile de fitas coloridas que Eros tanto gostava de olhar. Maria o embalava nos braços, cantarolando baixinho uma das músicas que Milena costumava cantar para ela quando era criança. O pequeno sorria, os olhos grandes fixos nela, e aquela covinha tímida no canto da bochecha aparecia sempre que ouvia a voz da mãe. — Pronto, meu amor… a mamãe está aqui — sussurrou, beijando-lhe a testa. Eros segurou o colar dela com as mãozinhas e murmurou algo incompreensível, mas doce. Maria riu, aquele riso leve que só uma mãe conhece. Foi então que a campainha tocou. — Eu atendo!

