A noite estava silenciosa no alto do morro. A cidade respirava lá embaixo, com luzes que piscavam feito pulsações distantes. Milena estava deitada nos braços de Bruno, o corpo envolto num lençol fino, o olhar perdido no teto enquanto o cigarro queimava entre os dedos. Bruno, com o peito nu e o semblante sereno, acariciava os cabelos dela. — Tá com essa cabeça longe de novo — disse num tom baixo. — Conheço esse silêncio. Milena soltou a fumaça devagar, o olhar turvo. — Tem coisa que a gente guarda por tanto tempo que começa a achar que o passado esqueceu da gente. Mas o sangue… o sangue sempre lembra. Bruno a fitou de lado, intrigado. — Fala logo, mulher. O que tá te atormentando? Ela se virou, apoiando o queixo no peito dele. — É sobre a Maria. — O que tem ela? — ele perguntou, fr

