O relógio da parede marcava quase meia-noite quando Guilherme entrou no escritório de Solange, ainda com o corpo tenso e o olhar incendiado. A mansão estava silenciosa, iluminada apenas pelas luzes amareladas dos abajures. Solange, sentada atrás da mesa de mogno, não pareceu surpresa ao vê-lo. Ela apenas levantou os olhos dos papéis e o observou, impassível, com um leve sorriso no canto dos lábios. — Eu imaginei que você viria — disse ela, cruzando as mãos. — Está com cara de quem perdeu mais do que a cabeça. Guilherme bateu a porta com força. — A senhora sabia! — explodiu. — Sabia o tempo todo! Solange manteve o olhar calmo, o tom de voz frio. — Eu sei de muitas coisas, Guilherme. Seja mais específico antes de levantar a voz pra mim. Ele deu alguns passos à frente, as mãos trêmul

