A chuva caía fina sobre Curitiba, espalhando reflexos dourados dos postes nas poças da calçada. Guilherme estacionou o carro de qualquer jeito em frente a casa de Renata, o motor ainda ligado, o coração disparado. Ele não pensou campainha tocou e do outro lado, o som apressado dos passos dela. Renata abriu a porta, o cabelo solto, os olhos inchados como quem não dormia há dias. Quando o viu, ficou imóvel. — Guilherme… — sussurrou, surpresa. — O que você está fazendo aqui? Ele não respondeu. Entrou, como um furacão, e antes que ela dissesse qualquer coisa, segurou o rosto dela e a beijou. Foi um beijo desesperado, faminto cheio de raiva, de confusão, de um homem tentando apagar o próprio caos com o corpo de outra pessoa. Renata retribuiu num primeiro momento, o coração disparado.

