O sol atravessava as cortinas finas do quarto, colorindo as paredes antigas de tons dourados. Maria acordou com o resmungo leve de Eros, já inquieto no berço. O bebê crescia rápido, com os mesmos olhos âmbar que lembravam o entardecer no morro e o mesmo olhar curioso que às vezes fazia Maria estremecer. Quatro meses haviam se passado desde o nascimento dele, e a rotina em Curitiba parecia ter encontrado um ritmo novo, terno, quase sereno. Letícia chegou ao quarto com um sorriso ainda sonolento. — Ele acordou antes de você de novo — brincou, ajeitando a manta no berço. Maria riu baixo. — Ele puxou o pai… — respondeu sem pensar, e o silêncio que se seguiu fez as duas se entreolharem. Letícia desviou o olhar, respeitosa. Desde que Guilherme sumira, o nome dele raramente era dito em voz a

