O elevador desceu em silêncio. Apenas o som mecânico dos cabos e o coração acelerado de ambos preenchiam o espaço. Maria mantinha os olhos fixos no chão metálico, os dedos entrelaçados diante do corpo uma tentativa inútil de conter o tremor. Guilherme, de braços cruzados, olhava o reflexo dela no espelho ao fundo, o maxilar tenso, as veias do pescoço pulsando sob a gola da camisa. O ding soou, quebrando o transe,as portas se abriram,Maria saiu primeiro, o salto fazendo eco no saguão do prédio. A chuva havia cessado, mas o ar ainda estava úmido cheiro de asfalto molhado e algo elétrico no ar, como se o mundo segurasse a respiração. Ela caminhava rápido em direção à saída quando sentiu o toque firme em seu braço. Guilherme a puxou de repente, forçando-a a encará-lo. — Você entende o

