O relógio marcava três e meia da tarde. Lá fora, a chuva voltara a cair com força, o som das gotas contra os vidros misturando-se ao tic-tac ritmado do relógio de parede. Na mesa de madeira escura, os documentos estavam dispostos em perfeita ordem — a certidão, o termo de reconhecimento, as assinaturas pendentes. Rodrigo ajeitou os óculos e olhou alternadamente para Maria e Guilherme, que estavam frente a frente. Maria, séria, o rosto firme apesar do nervosismo. Guilherme, contido, os dedos tamborilando sobre o braço da poltrona um gesto que denunciava a tensão por trás da aparência calma. Rodrigo quebrou o silêncio: — Tudo está pronto. — Ele deslizou a folha principal na direção de Guilherme. — Basta assinar aqui, e o reconhecimento será formalizado. Por um momento, o ar pareceu

