O som do relógio antigo marcava o tempo com um tique-taque frio e constante. Solange, sentada à mesa do escritório, terminava de assinar uma pilha de documentos quando Adriano entrou apressado, o semblante preocupado. — Dona Solange… — ele começou, hesitando. — A senhora precisa ver isso. Ela ergueu o olhar por cima dos óculos. — Fale, Adriano. Ele depositou sobre a mesa uma pasta com algumas fotos e um relatório impresso. Solange folheou as páginas com calma, os olhos ficando cada vez mais estreitos à medida que lia. As fotos mostravam Maria e Milena entrando no prédio de Guilherme, e depois, saindo mãos dadas, rostos tensos, mas decididos. O silêncio que se seguiu foi mortal. Solange recostou-se na poltrona, cruzou as pernas e soltou um leve suspiro, um meio sorriso surgindo no

