O silêncio do meu quarto era quebrado apenas pelo som da minha respiração pesada e o tique-tique do relógio na parede, que parecia martelar a minha culpa. Fiquei ali, sentado na poltrona, as mãos ainda manchadas com o sangue daquele verme, os olhos fixos na Alana. Na minha cama, ela parecia um fantasma. A brancura dos lençóis contrastava com a palidez do rosto dela e com o roxo que começava a subir na têmpora onde ela bateu a cabeça. Eu estava possesso. Uma mistura de ódio pelo que aconteceu e uma agonia que eu não sentia há muito tempo. Olhava para o peito dela, vigiando cada subida e descida lenta, com medo de que a próxima não viesse. — Tu só me dá trabalho, desgraça... — sussurrei, a voz rouca, carregada daquela gíria amarga. — Pra que foi se meter? Crente burra. Achou que ia convert

