CAPÍTULO 22: O PESO DO AMPARO ALANA O estrondo da porta batendo ainda vibrava no meu peito, um som seco que parecia marcar o fim de qualquer resquício de humanidade que eu tentei enxergar naquelas orbes azuis. Ele saiu daqui como um furacão de ódio, deixando o ar impregnado com aquele cheiro de pólvora e o som daquelas palavras cruéis. "Peso morto", "burra", "prisioneira". Cada ofensa foi como um prego martelado na minha alma já tão ferida. Eu continuei ali, parada no meio do quarto luxuoso, segurando os farrapos do vestido de seda contra o corpo, tremendo tanto que minhas pernas pareciam feitas de papel. O silêncio que ficou era pior que os gritos; era um silêncio que me lembrava de onde eu estava: no ninho do lobo. A porta se abriu devagar. Eu recuei, um reflexo instintivo de quem es

