O VESTÍBULO DA ETERNIDADE ALANA O teto do Posto era um mapa de rachaduras e umidade que eu decorei nas últimas doze horas. Eu não saí daquela cadeira de metal nem para esticar as pernas. O ambiente tinha um cheiro estéril, uma mistura agressiva de iodo e éter que tentava, sem sucesso, mascarar o odor de fumaça que ainda exalava dos meus próprios poros e do corpo imóvel à minha frente. A cirurgia tinha sido uma descida ao inferno em silêncio. Fiquei no canto da sala, as mãos apertando o tecido chamuscado do meu vestido, observando o brilho das luzes cirúrgicas refletido nos instrumentos de aço. Ouvi o som seco e metálico quando o médico fixou os pinos de titânio no osso partido da perna dele. Cada batida, cada ajuste, parecia repercutir na minha própria espinha. Eu via o peito do Arthur,

