Stefano McNight
Minha mãe e ela estavam há tanto tempo cuidando de tudo, que eu me deixei confortável na minha situação atual, e nem mesmo tinha cogitado alguém para substituir a ambas. Mas a questão agora era, onde eu iria encontrar essa criatura rara?
— Agora, você já não pode voltar atrás — Thomas disse com aquele tom baixo e sério, e eu assenti.
— Eu sei disso, e é por isso que tô pedindo ajuda.
— Vai tentar trapacear? Vai tentar enganar seu velho com relação ao negócio sobre amor?
Sorri.
— Não de forma direta. Eu vou tentar, mas se não der… não existe muito o que se fazer, existe?
— Para mim, isso soa como um: irei pelo caminho mais fácil.
— Amor não dita o mundo, Thomas. É o dinheiro e o poder que fazem isso.
Ele suspirou, como se eu fosse jovem demais para entender.
— Meu caro, você realmente não sabe de nada.
Já sem muita paciência, suspirei, tamborilando meus dedos sobre sua mesa, enquanto me sentava na poltrona em frente a ele.
— Vai me ajudar ou não?
— Tudo bem, te ajudo, mas você realmente não tem ninguém que possa te ajudar com isso? Nenhuma… opção?
Opções? Eu tinha opções, mas elas não eram… viáveis.
— Uma ou duas, mas… não são exatamente boas opções.
— Por quê?
— Não fazem o meu tipo. — Passo uma das minhas mãos pelo meu cabelo. — Eu nunca me casaria com ela, com nenhuma delas, para falar a verdade.
Thomas bufou.
— Entendi, f***r, tudo bem, se casar já é demais?
— Em grande parte? Sim, é exatamente isso.
Confessei, e ele me encarou com aquela expressão de que não podia acreditar nos absurdos que saiam da minha boca.
— A faculdade? — Thomas dá a volta em sua mesa e se foca em seu MacBook, como se traçasse um trajeto mental pelas minhas opções — Não existe ninguém?
— Não, sinceramente, não tenho contato com o restante dos alunos, agora estou fazendo minha terceira pós e não preciso ir ao polo todos os dias.
Thomas suspira e, virando o MacBook para mim, ponderou.
— Nesse caso, tem a Morgana.
— Não. — Aproximei-me da sua mesa e observei a foto da mulher loira, de olhos verdes, cabelo curto e com um sorriso lindo, ela era bonita, mas não era o suficiente.
— Ela tem vinte cinco anos. — Thomas começou a ler a ficha dela. — Está no último período de odontologia, seus pais são americanos.
— Pesquise mulheres mais jovens.
Ele suspirou.
— Tem essa. — Olhei para a tela e dessa vez era uma mulher ruiva, olhos cor caramelo, cabelos longos. — Vinte e três anos, está no segundo ano de veterinária.
— Também não.
Meu cunhado coçou a cabeça, mas alguns segundos depois de estalar a língua no céu da boca, exclamou.
— Pronto! Cecilia Blackwood, vinte e um anos, primeiro semestre de medicina, bolsista.
Vinte e um anos, sim, era bom.
— Deixe-me ver — pedi e Thomas me entregou seu MacBook, apenas para que eu pudesse ver aquela foto anexada. Os olhos azuis, tão profundos quanto o mar, cabelos escuros e um pouco abaixo dos ombros, um sorriso gentil e uma pele que parecia porcelana.
— Gostou dela? — Thomas perguntou e franziu o cenho quando não respondi. — Steffano?
— Preciso da ficha completa.
— Ok, vamos lá. — Com os dedos ágeis, Thomas começou a digitar em seu MacBook. — Temos um pequeno problema — afirmou.
— Qual?
— Ela tem namorado, seu pai é um viciado em jogos de azar, a sua mãe trabalhava como garçonete e, sinceramente, parece ser um caso perdido. — Faz uma pausa. — Ah! Ela tem um irmão, mas… ele tem um problema com a glicose.
Droga.
A opção que parecia… interessante, era obviamente um problema. Eu realmente não estava com sorte. Era como se o próprio Universo não me quisesse casado.
— Que merda… — resmunguei. — Melhor que procure por outra, não estou interessado em um problema a mais na minha vida.
— Steffano, se você realmente gostou dela, temos uma opção.
Thomas sugeriu, sorrindo como um d***o, o que me fez erguer uma das sobrancelhas.
— Do que está falando? Ela não tem um namorado?
— Sim, mas a família dela tem uma dívida de alguns milhões, em menos de um mês perderão a casa. Seu pai está afundando em dívidas de jogo e o irmão não deve durar muito…
Sugeriu com um sorriso de canto e eu sibilei.
— Meu pai iria desconfiar, isso é óbvio demais.
— Tefo, admita, ela é uma boa opção. Você seria o príncipe no cavalo branco, resolvendo todos os seus problemas. Que mulher não se apaixonaria por você? Henry disse que precisa haver amor no casamento, nunca disse que ambos precisam amar um ao outro — piscou pra mim —, faça ela te amar e terá o que precisa.
Ele propôs, e uma parte minha concordava, embora eu fosse esperto demais para não notar que Thomas tinha algo além disso em mente. Era como se ele genuinamente pensasse que eu me apaixonaria por simplesmente estar junto a essa mulher.
— Está mesmo sugerindo que eu compre a minha noiva?
— Você precisa de uma noiva e o pai da Cecília, de dinheiro, juntamos o útil ao agradável. — Thomas deu de ombros. — Ainda mais com o seu irmão doente, ela não irá recusar a sua proposta — afirmou. — A loja que ela trabalha está sendo vendida e o novo dono não ficará com a equipe antiga.
Deus.
Aquela garota estava, literalmente, na merda.
— E, Tefo… é melhor que você decida de uma vez, porque o dono da Valete, está tentando levá-la.
— Não acredito que aquele sanguessuga está em cima dela. — Senti meu corpo fervilhar só de pensar no abrute do Ethan querendo que ela trabalhasse com ele. — Me passa o endereço dela.
Dei a volta pela mesa e caminhei em direção à porta.
Eu falei quase que por impulso, porque algo dentro de mim realmente se enojava ao pensar naqueles olhos azuis, que pareciam tão puros, sendo completamente manchados pelo mundo onde Ethan queria enfiá-la.
— Já enviei por e-mail tudo que precisa saber — Thomas falou, como algum tipo de adivinho, um longo sorriso estampado nos lábios. — Ah! Tem algo que vai lhe interessar no meio dessas informações, então dê uma olhada mais tarde.
— Obrigado, cunhadinho — agradeci e segui em direção ao elevador, e quando as portas de aço se abriram me deparei com o meu pai.
— Steffano. — Abriu um sorriso e saiu do elevador.
— Pappa.
— Aonde vai? — Colocou uma mão dentro do bolso da calça do seu terno caríssimo feito sob medida.
— Visitar a Cecília — menti, porque se eu iria me meter na vida dela, era uma certeza de que ela seria minha.
— Visitar quem?
Eu podia ver a surpresa em seu rosto.
— A minha futura esposa.