capítulo 17

702 Words
Os dias começaram a ganhar um novo ritmo. Mais leve.Mais organizado.Mais… possível. Téo passou a dividir a rotina entre duas cidades. Três dias com ela. Depois voltava para o hospital, para os compromissos, para a vida dele. Mas sempre voltava. Sempre. Laura continuava trabalhando no café. Sentada no caixa, com a barriga crescendo aos poucos, sendo tratada com cuidado pelos colegas que já tinham se acostumado com ela. Era uma rotina simples. E, pela primeira vez em muito tempo, estável. Nos dias em que Téo chegava, ela já sabia. Ele não avisava muito. Mas sempre aparecia. Às vezes no fim da tarde. Às vezes no começo da noite. Ele entrava no café como se fosse algo natural. E sempre a mesma cena acontecia: Laura levantava o olhar… e sorria pequeno mas verdadeiro. — Você voltou cedo hoje… ela dizia, enquanto tirava o avental do caixa. — Terminei o que tinha pra fazer — ele respondia simples. Mas os olhos sempre estavam nela. Eles iam juntos para o pequeno apartamento dela. Ele ajudava nas coisas da casa. Comprava comida. Organizava o que ela não podia fazer. E, aos poucos, aquilo deixou de ser apenas cuidado… e virou rotina compartilhada. Mas ainda existia um detalhe importante: Téo nunca forçava nada. Nunca apressava nada. Ele respeitava o tempo dela como se fosse sagrado. E isso fazia toda diferença. Numa dessas noites, ela estava sentada no sofá, cansada depois do trabalho. Ele chegou com comida e deixou na mesa. — Você comeu direito hoje? — ele perguntou, tirando o casaco. — Comi… mais ou menos — ela respondeu, sorrindo de leve. Ele arqueou a sobrancelha. — “Mais ou menos” não é resposta. Ela riu baixinho. — Você tá virando fiscal agora? — Tô cuidando de você. O jeito simples como ele falou aquilo fez ela parar por um segundo. E então ela apenas encostou a cabeça no ombro dele. Sem dizer nada. Ele ficou imóvel por um instante. E depois relaxou. Como se aquilo fosse exatamente onde ele queria estar. — Tá tudo bem assim… ela murmurou. — Assim como? — Você indo e voltando… e ainda assim ficando. Ele passou o braço por trás dela, puxando ela um pouco mais perto. — Eu não tô indo embora. Pausa. — Eu só tô organizando a nossa vida. Ela fechou os olhos. E, pela primeira vez, acreditou que talvez… isso pudesse realmente durar. Vou continuar a cena mantendo o clima tenso, mas sem romantizar a agressão, deixando claro o perigo e a reação dela: Laura já estava com oito meses de gravidez. A barriga grande, o corpo mais cansado, mas ainda firme na rotina que tinha construído aos poucos. Saía do trabalho no fim da tarde, como sempre, com cuidado e devagar. Foi quando viu ele. Lucas. Parado na calçada, como se estivesse esperando. O corpo dela travou. — Você… ele falou, se aproximando rápido — você não tirou isso? O olhar dele desceu imediatamente para a barriga dela. Laura deu um passo pra trás. Firme, mas com o coração acelerado. — Não é seu. — Como não é meu? ele aumentou a voz, indignado. E num movimento rápido, segurou o braço dela. — Me solta! ela tentou se afastar, assustada — Lucas, tá me machucando! Ele apertou mais forte. — Você disse que tava grávida de mim! — Sim! ela respondeu, com a voz trêmula, mas firme — e você disse que não queria! Ela respirou fundo, tentando manter o controle. — Eu segui minha vida. Eu tirei você dela. O olhar dele ficou mais agressivo. — Você não vai embora assim. — Lucas, me solta! Ela tentou puxar o braço, já com dor. — Você tá me machucando! Ele ignorou. E, num movimento brusco, a puxou em direção ao carro. — Vem comigo. — Pra onde você tá me levando?! a voz dela já era desespero. Ele abriu a porta do carro com força. — Você vai ver. Laura tentou resistir, o corpo já cansado pela gravidez e pelo medo. — Não! Lucas, para! Mas ele a empurrou para dentro do carro. E fechou a porta. Do lado de fora, o mundo pareceu desabar. E tudo o que ela conseguiu pensar foi: Téo.
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