Ele ficou alguns segundos olhando pra ela ainda no abraço.
Como se precisasse confirmar que aquilo era real.
Que ela não ia sumir de novo.
A mão dele subiu devagar até o rosto dela.
Com cuidado.Sem pressa.Só carinho.
— Você tá aqui… ele murmurou, quase pra si mesmo.
Laura respirou fundo, os olhos ainda úmidos.
E não se afastou.
Téo se aproximou um pouco mais.
Devagar, respeitando cada reação dela.
Até que encostou a testa na dela por um instante.
E então a beijou.Um beijo calmo.
Suave Sem medo.Só presença.
Laura fechou os olhos no mesmo instante.
E correspondeu.
No começo, de forma tímida… como se ainda estivesse reaprendendo a confiar.
Mas aos poucos, o corpo dela relaxou.
Como se aquele beijo fosse menos sobre desejo…
e mais sobre abrigo.
Quando se separaram, ficaram muito perto.
Respirando o mesmo ar.
Téo encostou a testa na dela de novo.
— Eu tô aqui…ele sussurrou.
E ela, ainda com os olhos fechados, segurou a mão dele com força.
Como quem finalmente parou de fugir.
— Eu sei…
O silêncio depois do beijo não era vazio.
Era cheio.
Cheio de tudo o que eles ainda não sabiam dizer direito.
Téo ficou com a mão entrelaçada na dela, sem pressa de soltar.
Como se estivesse reaprendendo a ficar.
Laura ainda respirava mais devagar agora.
O corpo menos tenso.
Mas o olhar dela ainda carregava algo distante.
Ele percebeu.
— Ei… ele chamou baixo, apertando levemente a mão dela — olha pra mim.
Ela olhou.
— Não precisa ter medo de mim.
A voz dele era calma, firme.
— Nem do que a gente tá construindo.
Laura engoliu seco.
— Eu só… ainda tenho medo de tudo voltar a ser como antes.
Ele assentiu devagar, como se entendesse mais do que ela imaginava.
— Então a gente vai fazer diferente.
Ela franziu levemente a testa.
— Diferente como?
Téo respirou fundo antes de responder.
— Sem pressa.
Pausa.
— Sem te forçar a nada.
Ele deu um pequeno passo pra trás, só o suficiente pra dar espaço.
— Você vai continuar trabalhando se quiser.
— Vai ter sua vida.
— Seu tempo.
Ela ficou em silêncio, ouvindo.
— E eu vou estar aqui… ele continuou — mas do jeito certo.
Laura baixou o olhar por um segundo.
As mãos ainda juntas.
— E se sua família tentar interferir de novo?
O olhar dele endureceu por um instante.
Mas a voz continuou tranquila.
— Não vão.
Pausa.
— Eu não deixo mais ninguém te machucar.
Ela respirou fundo, como se aquilo fosse pesado demais pra acreditar de uma vez.
Então ele levou a mão dela até a barriga dela, devagar, respeitando.
— E isso aqui… ele murmurou — não é mais medo.
— É nossa responsabilidade.
Laura fechou os olhos por um segundo.
E assentiu de leve.
Pela primeira vez… sem resistência.
Ele sorriu pequeno.
E encostou um beijo leve na testa dela.
— Vem cá… descansa.
Ela deixou.
Sem lutar sem fugir.
E quando deitou na cama simples do quarto alugado, ele ficou ali, sentado ao lado.
Sem ir embora.
Só ficando.
Como se, dessa vez…
não fosse mais sobre perder.
Mas sobre aprender a ficar.