capítulo 15

938 Words
Ele respirou fundo uma última vez… e entrou no café. O sino da porta tocou, discreto. Téo caminhou devagar até o balcão, como se cada passo pesasse mais do que deveria Laura estava abaixada organizando algo no caixa. Quando ouviu o movimento, levantou o olhar automaticamente. E parou. Por um segundo, o mundo inteiro pareceu parar junto com ela. Ele.Ali.Na frente dela. Como se o tempo não tivesse passado. Téo olhou direto nos olhos dela. Sem desviar.Sem fugir. — Um café, por favor — ele disse baixo, a voz calma demais para o que estava acontecendo. Laura engoliu seco. As mãos dela ficaram imóveis no balcão. O ar não saía direito. Os olhos dela desceram, instintivamente, até ele… depois voltaram ao rosto. Como se não acreditasse. — Téo… ela sussurrou. Quase sem som. Como se o nome dele fosse algo que ela não podia dizer em voz alta. O silêncio entre os dois ficou pesado. Cheio.Vivo. Ele não respondeu de imediato. Só a olhava. Como se estivesse confirmando que ela era real. Que não tinha chegado tarde demais… de novo. Laura piscou, ainda em choque. A mão dela foi de leve até a barriga, num gesto automático de proteção. — O que… o que você tá fazendo aqui? — ela conseguiu perguntar, a voz falhando. Téo respirou fundo. Um segundo longo. — Eu vim te buscar. Ela terminou o expediente em silêncio. As mãos tremiam um pouco enquanto organizava o caixa, mas o olhar dela evitava o dele desde o momento em que ele entrou. Téo não falou mais nada ali. Só esperou. Quando saíram do café, caminharam juntos até o carro. O trajeto até o pequeno quarto alugado foi silencioso. Um silêncio pesado, cheio de tudo o que não estava sendo dito. Ao chegarem, Laura entrou primeiro. Sentou na beira da cama assim que fechou a porta. Como se o corpo finalmente tivesse permitido desabar. Téo ficou em pé por alguns segundos, olhando ao redor aquele espaço simples. Depois olhou pra ela. — Laura…ele começou, baixo. Ela passou a mão no rosto, cansada. — Eu não posso voltar pra lá. A voz saiu firme, mas quebrada por dentro. — Eu vou ficar bem aqui… eu vou trabalhar… vou criar meu bebê. Téo deu um passo à frente. — Esse bebê também é meu. Ela levantou o olhar na hora. — Eu me apaixonei por você, Laura. Silêncio. Ela respirou fundo, tentando não se desmontar. — Téo… sua mãe me forçou a limpar aquela mansão inteira… A voz dela falhou. — Eu quase perdi o bebê. Ele fechou os olhos por um segundo. A mandíbula travando — Eu expulsei ela — ele disse imediatamente. Laura negou devagar com a cabeça. — Não é só isso… Ela apertou as próprias mãos. — Do mesmo jeito que foi ela… pode ser outra pessoa da sua família. Ela olhou pra ele, com medo e verdade misturados. — Você é médico… rico… bem-sucedido… Pausa. — E eu não sou ninguém, Téo. O silêncio entre eles ficou ainda mais profundo. Ele se aproximou devagar, sem pressa, até ficar na frente dela. Abaixou um pouco o olhar para encontrar o dela. — Olha pra mim. Ela hesitou… mas olhou. — Você não é “ninguém”. A voz dele saiu firme. — Você é a mulher que eu escolhi. Ele respirou fundo. — E eu não tô te pedindo pra voltar pra minha casa. Pausa. — Eu tô te pedindo pra não me tirar da sua vida. Os olhos dela marejaram. Mas ela ainda tinha medo. Ainda tinha cicatrizes. — Eu tenho medo disso tudo… ela sussurrou — de você um dia se cansar… de tudo voltar a ser como antes… Téo balançou a cabeça, devagar. — Eu não sou o que aconteceu com você antes. Pausa. — E eu não vou te deixar viver isso de novo. Silêncio. Ele estendeu a mão devagar, sem encostar ainda. Só oferecendo. — Mas você decide o ritmo. — Eu não vou te forçar a nada. Laura olhou para a mão dele. Depois para ele. E pela primeira vez desde que tudo começou… não fugiu imediatamente Ela ficou alguns segundos olhando pra mão dele. O peito apertado. A respiração curta. Como se tudo dentro dela estivesse em conflito ao mesmo tempo. E então… ela se levantou devagar. Sem dizer nada.Só foi. E abraçou ele. No começo, foi um abraço tímido, quase com medo de quebrar algo. Mas aos poucos… foi ficando mais firme. Mais verdadeiro. — Eu senti sua falta… ela sussurrou, a voz abafada no peito dele — me sentia tão sozinha… Ela respirou fundo, fechando os olhos. — Mas eu não queria te incomodar… nem te prender a mim… Téo ficou imóvel por um instante. Só sentindo ela ali. Real.De volta. E então ele envolveu ela com os braços. Forte. Mas cuidadoso. Como se estivesse protegendo algo que finalmente tinha encontrado de novo. — Você não me prende, Laura… ele murmurou, encostando a testa de leve no cabelo dela — você não é um peso pra mim. Ela apertou a camisa dele, ainda com medo de soltar. — Eu pensei que você ia desistir de mim… Ele afastou um pouco só pra olhar pra ela. Os olhos firmes. Sinceros. — Eu te procurei até o fim. Pausa. — Eu não desisto de você. Ela respirou fundo, e pela primeira vez em dias… o corpo dela relaxou um pouco. Como se, por um momento… o mundo tivesse parado de fugir. E ali, naquele abraço… não existia mais contrato, nem fuga, nem passado. Só eles dois. E o começo de algo que ainda precisava ser reconstruído.
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