capítulo 11

1466 Words
Na noite seguinte… Laura m*l havia conseguido descansar. O corpo ainda fraco. A gravidez exigindo mais dela a cada dia. E a presença da mãe de Téo na casa parecia pesar ainda mais o ar. Quando a mulher entrou no quarto, Laura já estava acordada. — Acorda. A voz veio seca. Laura tentou se sentar devagar. — Senhora… eu tô sentindo dor… — Não posso fazer nada com isso. Laura respirou com dificuldade. — Por favor… eu preciso descansar… — Tem certeza que você sabe fazer alguma coisa além de reclamar? Laura baixou o olhar. A funcionária que estava por perto hesitou. — Senhora… ela não tá bem mesmo… — Não pedi sua opinião. O silêncio ficou pesado. Laura encostou na parede, tentando se manter em pé. — Senhora… eu só preciso de um pouco de repouso… A mulher a observava com frieza. — Você não vai descansar aqui. Laura olhou confusa. — O quê? Sem aviso, a mulher se aproximou. — Pegue suas coisas. — Como assim…? — Pegue suas coisas e saia. O mundo pareceu parar. — Senhora, por favor… a voz dela falhou — o Téo vai chegar… ele vai — Ele não precisa saber de nada. Cortou. Laura ficou imóvel por um segundo. Depois… só obedeceu. Com dificuldade, juntou suas coisas. Duas mochilas.Pouca coisa. Toda a vida dela cabia ali. A cada passo até a porta, a dor aumentava. Mas o medo era maior. Ela saiu da mansão. Sozinha.Na estrada. O vento frio batia no rosto. As pernas fracas. E o mundo enorme demais. Depois de um tempo andando, ela parou sob uma árvore. À beira da estrada. Sentou no chão.E desabou. Chorando. — Calma… calma… ela sussurrou pra barriga — por favor… Então lembrou. O dinheiro. O primeiro pagamento que Téo tinha dado. Ela ainda tinha um pouco. Com mãos trêmulas, pegou o celular. Pediu um táxi. Minutos depois, estava em um hotel simples. Distante.Seguro. Pelo menos por enquanto. Ela tomou banho. Comeu algo leve. E se deitou.Exausta. Antes de dormir, olhou para o celular. Parado. Silencioso. E tomou uma decisão. Desligou. — Eu não posso te colocar nisso… ela sussurrou, olhando para a barriga — não mais. Enquanto isso… Longe dali.No hospital. Téo estava no plantão. Cansado. Mas ainda tentando manter o foco. Sem saber,sem imaginar,que, naquele exato momento…Tudo tinha mudado. E a vida dele estava prestes a desabar. No hospital, o plantão seguia pesado. Téo estava focado no trabalho… ou tentando estar. Mas algo dentro dele estava inquieto. Foi quando a mãe dele apareceu. — Meu filho, preciso falar com você. Ele nem tirou os olhos do prontuário. — Fala. Ela cruzou os braços. — Sua “namorada” foi embora. O movimento dele parou na hora. Devagar, ele virou o rosto. — O quê? — Ela foi embora — a mulher repetiu, fria — disse que tinha alguém esperando por ela e que seria mais feliz assim. O olhar dele mudou completamente. — Mãe… o que a senhora fez? Ela soltou um suspiro irritado. — Agora tudo sou eu? Eu não fiz nada. Ela simplesmente foi. Téo ficou imóvel por um segundo. Depois passou a mão pelo cabelo, já tenso. — Isso não faz sentido… Ele pegou o celular imediatamente. Ligou.Uma vez.Duas. Caixa postal. — Laura… ele deixou uma mensagem, a voz mais baixa — me diz onde você tá… eu vou te buscar. Guardou o celular com força e voltou pra casa como um furacão. O olhar duro. A respiração pesada. A presença dele preenchia o ambiente inteiro antes mesmo de falar qualquer coisa. A mãe dele estava na sala, sentada como se nada tivesse acontecido. — Meu filho… você voltou rápido. Ele parou na frente dela. — Onde ela está? Silêncio. — Não sei , ela respondeu, simples — foi embora por vontade própria. Téo estreitou o olhar. — Por vontade própria… Repetiu, baixo. — Ela disse que tinha outra pessoa esperando por ela... a mãe continuou — e que seria melhor assim. Ele soltou um riso curto… sem humor nenhum. — Mentira. A expressão dela endureceu. — Você vai acreditar nela agora? Téo deu um passo à frente. — Eu não estou perguntando, mãe. Silêncio. Foi então que uma funcionária apareceu na porta, hesitante. — Senhor… — Fala. A mulher respirou fundo, nervosa. — Eu preciso falar a verdade. A mãe dele se virou na hora. — Você vai mesmo se meter nisso? A funcionária engoliu seco, mas continuou: — É verdade, senhora. Silêncio pesado. — A senhora não deixou a senhora Laura comer o dia todo. O rosto da mãe dele fechou. — Isso é absurdo — Eu vi. A voz da funcionária ficou mais firme. — Ela só comeu à noite, quando o senhor chegou com comida pra ela. Téo ficou imóvel. — No dia seguinte… ela estava muito fraca. Com dor. m*l conseguia ficar em pé. A funcionária continuou, agora mais emocionada. — Mesmo assim, a senhora mandou ela trabalhar na casa inteira. Silêncio total. — Lavou banheiro… roupa… limpou tudo… mesmo grávida. A respiração de Téo ficou mais pesada. — Eu tentei ajudar — a funcionária completou — mas a senhora não deixou. A mãe dele soltou um riso nervoso. — Você acha mesmo que eu ia permitir uma desconhecida dentro da minha casa mandando? Téo virou lentamente o rosto pra ela. O olhar dele não era mais só sério. Era perigoso. — E você mandou ela embora? A mãe cruzou os braços. — Ela foi porque quis. A funcionária deu um passo à frente. — Não foi assim. Silêncio. — Ela estava chorando… fraca… implorando pra ficar — ela disse, firme agora — mas a senhora mandou ela pegar as coisas e sair. Téo fechou os olhos por um segundo. Como se estivesse segurando algo dentro dele pra não explodir. Quando abriu… A voz saiu baixa.Controlada. Mas mortal de tão firme. — Ela estava grávida. A mãe dele abriu a boca, mas não respondeu de imediato. Téo continuou: — Você deixou uma mulher grávida sair da minha casa fraca… sozinha… na rua? Silêncio. A funcionária abaixou o olhar. — Ela saiu com duas mochilas… a pé, senhor… O ar pareceu parar. Téo passou a mão pelo cabelo, respirando fundo. A raiva não era mais contida. Era clara. Ele olhou pra mãe. — Você não tocou só nela. Pausa. — Você tocou no meu filho também. E naquele momento…não havia mais discussão.só consequência. O silêncio na casa era pesado. A funcionária já tinha saído. Restava só ele e a mãe. Cara a cara. Téo ficou alguns segundos parado, olhando pra ela. Não era mais só decepção. Era decisão. — Você tem noção do que fez? a voz dele saiu baixa, controlada demais. Ela tentou manter a postura. — Eu não fiz nada além de — Para. Ele cortou.Simples,Firme. O olhar dela vacilou por um segundo. Téo respirou fundo, passando a mão pelo rosto. Quando voltou a olhar pra ela, já não havia dúvida. — Você colocou uma mulher grávida pra fora da minha casa. Silêncio. — Fraca. Com dor. Sem dinheiro. Sem ajuda. Cada palavra dele vinha mais pesada que a anterior. — E isso não foi um “m*l-entendido”. Ele deu um passo à frente. — Foi escolha sua. Ela tentou reagir. — Eu sou sua mãe — E ela é a mulher que eu escolhi. Interrompeu, mais firme ainda. O ambiente mudou completamente. Téo apontou levemente para a porta. — Você vai sair da minha casa. A mãe dele arregalou os olhos. — O que? — Agora. Silêncio absoluto. — Você está me expulsando? Ela quase riu, sem acreditar. — Por causa dela? Téo não desviou o olhar. — Não é “por causa dela”. Pausa. — É por causa do que você fez. Ele respirou fundo, tentando não elevar o tom. Mas a firmeza só aumentava. — Você ultrapassou todos os limites possíveis. A mãe dele balançou a cabeça, indignada. — Você vai se arrepender disso. Ele respondeu na mesma hora: — Não. Silêncio. Téo se virou parcialmente, pegando as chaves da casa. — Você vai embora hoje. Pausa. — E enquanto eu não confiar mais em você perto dela… você não entra aqui. Ela ficou imóvel. Pela primeira vez… sem resposta pronta. Téo abriu a porta. Esperou. — Eu não tô discutindo, mãe. A voz dele saiu mais baixa agora. — Eu tô te informando. Ela olhou pra ele, ainda chocada. Mas ele não mudou. Não cedeu. Depois de alguns segundos… Ela passou pela porta. Sem mais nada. E quando ela saiu… O silêncio dentro da casa foi diferente. Não vazio.Mas pesado.Definitivo. Téo fechou a porta devagar. Respirou fundo. E, pela primeira vez naquele dia… pensou em Laura. Fraca.Sozinha.Grávida. Ele pegou o celular. Sem hesitar. E saiu. Dessa vez…Não era só preocupação.Era urgência.
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