Na noite seguinte, Laura se olhou no espelho por alguns segundos.
Respirou fundo.
Precisava ser forte.
Vestiu um vestido vermelho, justo, com um decote marcante. O cabelo loiro curtinho, na altura da orelha, estava bem arrumado, alinhado com cuidado. Passou um batom vermelho que destacava ainda mais seus lábios e calçou o salto.
Ela não se reconhecia.
Mas precisava fazer aquilo.
O celular vibrou.
“Envie o endereço.”
Com o coração acelerado, ela digitou e enviou.
Cinco minutos depois… um carro preto, elegante, parou em frente ao portão.
Rápido demais.
Ela engoliu seco.
Saiu devagar, fechando o portão atrás de si, e caminhou até o carro. Abriu a porta… e entrou.
Mas no momento em que levantou o olhar—
Ela congelou.
Era ele.
O homem da corrida.
O mesmo que ela tinha esbarrado dias atrás.
Os olhos dele a reconheceram no mesmo instante… e um leve sorriso surgiu nos lábios dele.
— Que bom te encontrar… dessa vez sem você esbarrar em mim.
Laura soltou um pequeno riso, nervoso, mas sincero.
— Prazer… senhor. Eu me chamo Laura.
Ele inclinou levemente a cabeça, ainda observando cada detalhe dela.
— O prazer é meu. Teo. fez uma pausa — Theodoro, pra ser mais específico. Mas você pode me chamar só de Téo.
— Muito prazer, Téo… ela corrigiu rapidamente — Desculpa… não precisa de “senhor”, né?
— Não precisa. disse, com um leve sorriso — Só Téo já tá bom.
Ela respirou um pouco mais aliviada.
— Você é muito bonito… acabou soltando, quase sem perceber.
O olhar dele percorreu ela devagar, sem pressa. Da cabeça aos pés.
Intenso.
— Você também… respondeu baixo.
Ela deu um meio sorriso, desviando o olhar por um instante.
Algum tempo depois, o carro parou em frente a um restaurante elegante.
Eles desceram, entraram… e se sentaram.
O clima ainda era estranho, mas não desconfortável.
Era… curioso.
— Me conta sobre você — ele disse, apoiando o braço na mesa, atento.
Laura hesitou por um segundo, mas decidiu ser sincera.
— Eu tenho 21 anos… moro aqui há dois anos. Meus pais são de Chicago. Tenho duas irmãs… uma mais velha, de 27, e outra de 18.
Ele assentiu, ouvindo com atenção.
— Eu trabalhava numa loja… ela continuou, o tom ficando mais baixo — mas fui demitida ontem.
Os olhos dele mudaram levemente.
— E eu… preciso de dinheiro. completou, com honestidade.
Silêncio.
— Foi por isso que você aceitou isso? — ele perguntou, direto, mas sem julgamento.
Ela assentiu.
— Eu nunca fiz isso antes… disse rapidamente — Nunca. É a primeira vez.
Ele a observou por alguns segundos, como se estivesse tentando ler algo além das palavras.
— Entendi…
O silêncio entre os dois não era pesado.
Era carregado de algo… diferente.
Curiosidade.
Interesse.
E talvez… o começo de algo que nenhum dos dois esperava.
Depois do jantar, o caminho até a casa dele foi silencioso… mas não desconfortável.
Laura observava tudo pela janela, tentando controlar o nervosismo.
Quando o carro parou, ela ficou sem palavras.
Era uma mansão.
Grande, elegante, iluminada… completamente diferente de tudo que ela já tinha vivido.
— Vem Téo disse, abrindo a porta pra ela.
Ela entrou devagar, quase sem acreditar onde estava.
Tudo ali era bonito, organizado… luxuoso.
Mas nada chamava mais atenção do que ele.
No quarto, o clima mudou.
Ficou mais íntimo.
Mais silencioso.
Ele se aproximou com calma, sem pressa. Tocou o rosto dela com delicadeza, como se estivesse testando até onde podia ir.
Laura prendeu a respiração.
E então ele a beijou.
Um beijo lento… cuidadoso.
Ela estava nervosa, dava pra sentir… mas ainda assim correspondeu.
— Fica tranquila… ele murmurou perto dos lábios dela — Eu vou ser gentil, tá?
Ela assentiu, baixinho.
— Tá bom…
A noite passou assim…
Sem pressa.
Com cuidado.
Com uma intensidade silenciosa, mas cheia de respeito.
E, em algum momento, os dois acabaram adormecendo.
Na manhã seguinte…
Téo acordou primeiro.
Ficou alguns segundos apenas olhando pra ela.
Laura dormia profundamente, o rosto sereno… completamente diferente da mulher tensa que ele conheceu na noite anterior.
Com cuidado, ele tocou o rosto dela.
Ela despertou devagar.
— Bom dia… ele disse, em tom baixo.
— Bom dia…
Ela piscou algumas vezes, ainda sonolenta.
— Quer tomar café da manhã?
— Gostaria…
Ela tentou se levantar…
Mas o corpo falhou.
Uma tontura forte veio de repente.
— Ai… ela levou a mão à cabeça — O que…?
Ele se aproximou rápido.
— Ei, calma… senta.
— Desculpa… minha pressão deve ter caído… que vergonha…
— Não precisa se desculpar — ele disse firme — Senta aqui.
Ele mediu a pressão dela, atento.
— Tá baixa mesmo…
— Eu… eu tomo remédio, mas
— Então vai tomar agora — ele interrompeu.
— Não precisa, senhor
Ele suspirou, já sem paciência com isso.
— Para de me chamar de senhor.
Ela abaixou o olhar, sem graça.
— Desculpa…
Ele entregou o remédio com água.
— Toma.
Ela tomou.
— Fica sentada. Eu vou buscar café pra gente.
— Não precisa… eu não quero dar trabalho…
— Laura. — ele olhou direto pra ela — Eu já disse que não é trabalho.
Ela ficou quieta.
— Eu já volto
Pouco tempo depois, ele voltou com uma bandeja de café da manhã.
Colocou na cama, ao lado dela.
Ela comeu devagar, ainda se recuperando.
Ele observava.
Pensativo.
Até que falou:
— Laura… a gente pode fazer um contrato.
Ela parou.
— Contrato?
— Sim.
Ela já balançava a cabeça, nervosa.
— Eu não posso…
Ele inclinou levemente a cabeça.
— Você não gostou de estar comigo?
— Não é isso… ela disse rápido — Eu gostei. Você foi gentil… carinhoso… mas eu só precisava do dinheiro mesmo, pra me virar por um tempo.
Ele ficou em silêncio por um segundo.
— Comigo, você ganharia mais.
Ela mordeu o lábio, hesitando.
— Eu realmente não posso…
— Então um mês.
Ela levantou o olhar.
— Um mês ...ele repetiu — Fica comigo por um mês.
O coração dela acelerou.
Aquilo era perigoso.
Mas também… tentador.
Segurança.
Dinheiro.
E, de alguma forma… ele.
— Tudo bem… — ela disse, quase num sussurro — Um mês.
Ele sustentou o olhar dela.
E, naquele momento…
Nenhum dos dois fazia ideia de como aquele “um mês” mudaria tudo.